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Date Posted: 16:56:30 05/06/09 Wed
Author: Liberato Santos
Subject: Resumo Barcelos (2001) por Liberato Santos

Universidade de Brasília
PGLA – Programa de Pós-Graduação/Mestrado em Lingüística Aplicada
Disciplina: Tópicos Especiais em Lingüística Aplicada: Crenças de Aprendizagem e
Ensino de Língua
Docente: Profª Drª Mariney Pereira
Discente: Mestrando Liberato Santos
Data: 27 de abril de 2009

Resumo do texto de Ana Maria Ferreira Barcelos, “Metodologia de Pesquisa das Crenças sobre Aprendizagem de Línguas: Estado da Arte” (2001).

“O objetivo desta resenha é [revisar as] metodologia[s] [empregadas nos] estudos sobre crenças a respeito de aprendizagem de línguas, [identificando três agrupamentos possíveis] de acordo com os quesitos 1) definição de crenças; 2) métodos de investigação e 3) relação entre crenças e ação, discutindo 4) as vantagens e 5) as desvantagens de cada abordagem.”

“Até agora [2001], a pesquisa a respeito de crenças sobre aprendizagem de línguas tem feito apenas uma descrição dessas crenças, mas não tem tentado entender porque os alunos possuem certas crenças, a sua origem e o papel que algumas delas exercem no processo de aquisição de línguas.” (p. 71-2)

“Kalaja (1995) propõe [...] uma abordagem para a investigação das crenças que inclui [como] pressupostos básicos [...] que 1) o uso da linguagem é orientado para ação; 2) [...] a linguagem cria realidade e 3) [...] tanto o conhecimento científico quanto as concepções leigas são ‘vistos como construções sociais do mundo.’ [...] Kalaja define crenças como construídas socialmente, interativas, sociais e variáveis. De acordo com a autora, as crenças podem mudar 1) de um aluno para outro; 2) de uma época para outra; e 3) de um contexto para outro, ou até mesmo 4) dentro de um mesmo contexto ou ocasião. Para ela, as crenças devem ser investigadas através de “trechos de fala” ou escrita sobre aspectos de aquisição de segunda língua. [...] Infelizmente, existem poucos estudos publicados dentro desse paradigma.”

[...] agrupo os estudos [de crenças sobre aprendizagem de línguas] em três abordagens principais de acordo com a sua definição de crenças, metodologia e relação entre crenças e ações. A primeira abordagem, chamada de [...] normativa, infere as crenças através de um conjunto pré-determinado de afirmações. A segunda abordagem, metacognitiva, utiliza auto-relatos e entrevistas para inferir as crenças sobre aprendizagem de línguas. A terceira abordagem, contextual, usa ferramentas etnográficas e entrevistas para investigar as crenças através de afirmações e ações. A análise do discurso também pode ser incluída nessa abordagem.

Abordagem Normativa (Hollyday, 1994):
1. Crenças [...] são [...] opiniões que os alunos possuem sobre aprendizagem de línguas que influenciam suas estratégias de aprendizagem e sua disposição e prontidão para o ensino autônomo;
2. a) Infere as crenças através de um conjunto pré-determinado de afirmações, mas não as aprofunda, nem investiga; b) Usa como instrumento de coleta de dados questionários do tipo Likert-scale, como o BALLI; c) Descreve e classifica os tipos de crenças que os aprendizes apresentam a partir de respostas fornecidas nos questionários; d) Busca normatizar crenças que levem a comportamentos característicos de bons aprendizes autônomos de línguas; e) Busca estabelecer relações entre crenças e autonomia de aprendizagem;
3. a) A cultura dos alunos explica suas ações em sala de aula; b) As crenças são indicadores de comportamentos futuros dos alunos, de sua disposição para a aprendizagem autônoma e de seu sucesso como aprendizes de língua.
4. Vantagens: Ofereceu um primeiro instrumento de medida da força das crenças, permitindo a realização de estudos comparativos; algumas das principais vantagens dessa abordagem estão nos procedimentos e instrumentos utilizados para a coleta de dados, pois os questionários tipo Likert: a) são menos ameaçadores [para os participantes] que as observações; b) são úteis para pesquisadores limitados por tempo e orçamento; c) são fáceis de tabular e de aplicar a um grande número de participantes; d) fornecem acesso a outros contextos; e) permitem que os dados sejam coletados em épocas diferentes, com amostras grandes e em vários contextos ao mesmo tempo.
5. Desvantagens: a) Do Questionário tipo Likert: 1) a generalidade do questionário impede uma interpretação consistente pelos participantes; 2) por conter somente perguntas fechadas, o questionário estruturado restringe as escolhas dos participantes e impede o pesquisador de acessar respostas nos termos dos próprios alunos e professores; 3) o questionário impede que os alunos articulem seu conhecimento metacognitivo. b) Da abordagem em si: 1) Trabalha com um conceito de aluno ideal que deve servir de modelo ou meta a ser atingida pelos alunos reais. Obviamente, os alunos reais costumam estar aquém dessa expectativa;2) Em geral, as crenças dos alunos são vistas pelos pesquisadores normativos como inadequadas, verdadeiros obstáculos à implementação das melhores metodologias de ensino (sendo o ensino autônomo a grande meta); 3) Esses mesmos pesquisadores, porém, não explicam sob que perspectiva julgam como inadequadas as crenças dos aprendizes; 4) Não existe uma análise do contexto onde os alunos agem e interagem; 5) Restringe a escolha dos participantes quanto às respostas que podem ser dadas no questionário.

Abordagem Metacognitiva:
6. Crenças são “teorias em ação” que ajudam os aprendizes a refletir sobre o que fazem (conhecimento metacognitivo) e a desenvolver seu potencial para a aprendizagem.
7. Infere as crenças através de auto-relatos, entrevistas semi-estruturadas e também questionários semi-estruturados sobre aprendizagem de línguas. É aprofundada em relação à abordagem normativa, mas continua não realizando nenhuma investigação;A relação entre crenças e ação não é investigada; é apenas sugerida e discutida somente em relação às estratégias de aprendizagem.
8. a) Concorda com a abordagem normativa em que as crenças são indicadores, mas reconhece a influência de outros fatores, como os objetivos de aprendizagem; b) A relação entre crenças e ação é sugerida e discutida somente em relação às estratégias de aprendizagem, mas não é investigada.
9. Vantagens: a) as entrevistas dão aos alunos a oportunidade de elaborar e refletir sobre suas experiências, definindo e avaliando o processo de aprendizagem em seus próprios termos; b) as crenças, por serem consideradas conhecimento, são reconhecidas como parte do processo de raciocínio do aprendiz;
10. Desvantagens: a) apesar de inferir as crenças dos aprendizes através de suas intenções e declarações verbais, essa metodologia não leva em conta as ações dos aprendizes e não estabelece relação entre o que eles dizem e o que eles de fato fazem; b) apesar de reconhecer que existe uma relação entre as crenças e o contexto de aprendizagem, essa metodologia não vai além e termina por não investigar a influência do contexto sobre as crenças.

Abordagem Contextual:
11. Crenças são representações da aprendizagem em uma dada sociedade. São, por isso, específicas de um determinado contexto, ou da cultura de aprender de um determinado grupo. Estão inter-relacionadas com as experiências dos alunos e são dinâmicas (e não estáticas como afirmam as metodologias normativa e metacognitiva).
12. Investiga as crenças através de afirmações e ações registradas por meio de ferramentas etnográficas (como as observações em sala de aula, os diários, as entrevistas e os estudos de caso) e analisa o discurso e o contexto específico no qual os alunos atuam;
13. a) Os aprendizes são agentes sociais interagindo em seus contextos; b)Experiências anteriores de aprendizagem de línguas influenciam as crenças e as ações dos aprendizes dentro de contextos específicos.
14. Vantagens: a) Considera as crenças um conceito não-generalizável, já que busca compreender as crenças em contextos específicos; b) Caracteriza as crenças como dinâmicas e sociais; c) Fornece uma riqueza de detalhes bem mais refinados a respeito dos tipos de crenças e do contexto onde elas se desenvolvem; d) Apresenta uma visão positiva do aprendiz; e) Permite que as crenças sejam investigadas levando em consideração não só as próprias palavras dos alunos, mas também o contexto de suas ações.
15. Desvantagens: 1) Estudos desse tipo consomem muito tempo; 2) Estudos desse tipo são mais adequados às investigações com número reduzido de participantes.

Palavras Finais

Os estudos atuais descrevem os tipos de crenças que os alunos podem ter [mas] a falta de mais estudos embasados não tem ajudado a entender como os alunos na verdade usam as crenças para interpretar situações diferentes e tomar decisões em seu processo de aprendizagem. [...] ainda se sabe muito pouco sobre as funções que as crenças exercem na aprendizagem de línguas. (p. 84-5).]

Embora as três abordagens sejam diferentes no modo de definir e investigar as crenças, todas elas enfatizam que as crenças influenciam o comportamento, definido, em LA, como as estratégias de aprendizagem ou abordagem de aprendizagem dos alunos [...]. Entretanto, a relação entre crenças e ações não é tão direta [...]. As crenças não somente influenciam ações, mas as ações e reflexões sobre experiências podem levar a mudanças ou criar outras crenças [...]. Em resumo, as crenças devem ser investigadas de maneira interativa, onde crenças e ações se inter-relacionem e se interconectem. (p. 84-5).

[...] uma investigação do que os alunos sabem ou acreditam deve envolver (a) suas experiências e ações; (b) suas interpretações sobre essas experiências; e (c) o contexto social e como esse contexto molda as suas experiências.

Perguntas e Sugestões para Futuras Investigações

1. Como se desenvolvem as crenças sobre aprendizagem de línguas?
2. Como as experiências pessoais dos alunos contribuem para moldar suas crenças e suas ações no contexto social da aula de língua estrangeira?
3. Como as crenças podem ser modificadas a partir da introdução da prática da aprendizagem reflexiva?
4. Quais as funções que as crenças exercem nas experiências de aprendizagem dos alunos e nas ações que eles praticam para aprender línguas?
5. Como os alunos usam suas crenças para lidar com a complexidade da aprendizagem de línguas? Como definem seu próprio contexto de aprendizagem? Como atuam nele? Como navegam no discurso da sala de aula de línguas?
6. Como a sala de aula de línguas, sendo um contexto social, ajuda a moldar as crenças dos alunos? E como as crenças dos alunos, por sua vez, moldam a interação e as ações que ocorrem na cultura da sala de aula?

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