VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12[3]4 ]


[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Date Posted: 14:28:51 05/10/09 Sun
Author: UYARA
Subject: BARCELOS (2006)

BARCELOS, Ana Maria Ferreira. Narrativas, crenças e experiências de aprender inglês.

Com o objetivo de investigar a relação entre as experiências e crenças dos alunos em relação aos locais onde se aprende línguas, Barcelos lança mão das narrativas como método de pesquisa e utiliza um corpus composto por narrativas escritas por alunos universitários dos cursos de Letras e de Secretariado Executivo em sua pesquisa. Para isso, a autora, ao escrever o referido trabalho, apresenta ao leitor os caminhos traçados pela pesquisa narrativa, assim como deixa claro a sua relação entre a investigação do pensamento e das experiências do professores e a pesquisa de suas crenças, definindo narrativas como histórias que o ser humano conta – com intuito de estabelecer referenciais para a reflexão e reconstrução de percepções e experiências –; experiências como interação e adaptação dos indivíduos a seus ambientes; e crenças como hipóteses que, testadas e avaliadas, podem levar os indivíduos a empreender ou não mudanças em suas ações.
Sob a perspectiva de Dewey (1938) em relação aos princípios da continuidade (conexão entre as experiências passadas e futuras de aprendizagem) e da interação (a troca de experiências entre o indivíduo e o ambiente), Barcelos conceitua crenças como “uma forma de pensamento, como construções da realidade, maneiras de ver e perceber o mundo e seus fenômenos, co-construídas em nossas experiências resultantes de um processo interativo de interpretação e (re)significação”, caracterizando-as como “sociais (mas também individuais), dinâmicas, contextuais e paradoxais” (p. 151). Dessa forma, as narrativas são método adequado à investigação das crenças, pois “incorporam as atitudes e crenças das pessoas” (p. 151), auxiliando as pessoas quando da interpretação do mundo e no dar sentido aos fatos. Assim, as crenças não são estáticas, pois estão em constante interação com o mundo, sendo modificadas e (re)significadas de acordo com os contextos em que aprendizes e professores se inserem.
Quanto às narrativas analisadas pela autora, cinquenta e três no total, houve resposta a dois temas principais: (a) distância entre as experiências de aprendizagem vivenciadas na escola pública e no curso de idiomas e (b) influência dessas experiências nas crenças dos alunos sobre aprendizagem de línguas. Em linhas gerais, Barcelos constatou que a Escola Pública e os Cursos de Idiomas são lugares dicotômicos, em que o primeiro não dá condições necessárias à aprendizagem de línguas – os alunos relataram fatores como problemas pedagógicos, falta de motivação, uso não efetivo da língua-alvo e falta de competência dos professores –; sendo os Cursos de Idiomas vistos como investimento necessário e bom, por permitir a aprendizagem da língua e por não ter questionada a competência de seus professores.
Em relação à interação e à continuidade, notou-se que as crenças dos alunos sobre os locais de aprendizagem de língua estrangeira moldam suas crenças e experiências na universidade. Os alunos percebem como doloroso e difícil o processo de aprendizagem de línguas dentro da universidade e acreditam ser prejudicados por não terem frequentado um curso de línguas. No entanto, Barcelos afirma que essa dificuldade não ocorre pelo desinteresse ou pela desmotivação dos alunos, mas por ocuparem a posição de “alguém que estudou em um lugar que nossa sociedade acredita não ter competência para tal” (p. 163). Dessa forma, não poder pagar por um curso de idiomas é um estigma que esses alunos carregam consigo para a vida, corroborando o que a análise das narrativas denotou: (a) a descrença dos alunos na Escola Pública como um lugar onde se aprende inglês e (b) a crença nos Cursos de Idiomas como locais ideais à aprendizagem de línguas.
Por fim, Barcelos indica as implicações dos resultados da pesquisa para professores, alunos e pesquisadores: (1) os professores podem utilizar as histórias de aprendizagem (narrativas) de seus alunos para conhecer suas crenças e experiências anteriores; (2) os alunos podem refletir sobre suas próprias experiências ao ler as histórias de seus colegas – aprendizagem reflexiva; (3) os pesquisadores podem mostrar aos alunos o resultado da análise de suas narrativas, buscando incorporar ao trabalho investigativo a visão do participante, tornando a pesquisa mais socializada. Assim, percebe-se que, além de permitir o acesso às experiências dos alunos, as narrativas possibilitam a melhor compreensão da interação das experiências anteriores dos alunos com as experiências presentes e futuras (princípio da interação e da continuidade).

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT-8
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.