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Date Posted: 12:50:31 05/11/09 Mon
Author: Liberato Santos
Subject: Resumo Barcelos (2006) por Liberato Santos

Universidade de Brasília
PGLA – Programa de Pós-Graduação/Mestrado em Lingüística Aplicada
Disciplina: Tópicos Especiais em Lingüística Aplicada: Crenças de Aprendizagem e
Ensino de Língua
Docente: Profª Drª Mariney Pereira
Discente: Mestrando Liberato Santos
Data: 11 de maio de 2009

Resumo do texto de Ana Maria Ferreira Barcelos, “Narrativas, crenças e experiências de aprender inglês” (2006).

[...] o interesse por narrativas e histórias como instrumento e como abordagem de pesquisa na análise de aspectos do processo de ensino e aprendizagem de línguas vem crescendo no Brasil e no mundo. Na Lingüística Aplicada, esse interesse [...] se encontra dentro de um movimento maior de estudos que tem como foco as experiências e narrativas de aprendizes e professores de línguas [...] como forma de conhecer melhor [...] seus anseios, dificuldades e crenças no processo [de] ensino e aprendizagem de línguas [...] e, se possível, [...] tomar a aprendizagem em suas próprias mãos e assumir o papel de agentes desse processo.

NARRATIVAS: Segundo Beattie (2000), narrativas mostram as maneiras únicas de cada um lidar com seus dilemas e desafios. Elas são os referenciais através dos quais refletimos sobre nossas experiências e as reconstruímos baseados em novas percepções e experiências. [...]. Segundo Clandinin e Connelly (2000), O TERMO ‘EXPERIÊNCIA’ É CHAVE NA PESQUISA NARRATIVA. Para esses autores, que têm na filosofia e nos estudos de John Dewey a base para seus trabalhos, “educação e estudos educacionais são uma forma de experiência” (p.18). [...] Experiência é uma questão de ajustamentos e reajustamentos de coordenações de atividades ao invés de um estado de consciência. Cada ação é uma resposta a ações prévias e testes de hipóteses. NESSA INTERAÇÃO, NOSSAS CRENÇAS TÊM UM PAPEL IMPORTANTE – elas são hipóteses que nós testamos e avaliamos e que levam (ou não) a mudanças em nossas ações. Essa adaptação contínua é direcionada e adequada a cada contexto específico onde cada pessoa vive (Campbell, 1995).

Para Dewey (1938), ensino e aprendizagem são “processos contínuos de reconstrução de experiências” (p.111). A experiência não é um estado mental, mas a interação e adaptação dos indivíduos a seus ambientes, valendo-se dos PRINCÍPIOS DA CONTINUIDADE E DA INTERAÇÃO. O primeiro diz respeito à conexão entre experiências passadas e futuras, já que a aprendizagem é um reflexo das continuidades que estabelecemos dentro de nossa experiência. O segundo refere-se à transação entre o indivíduo e o ambiente [e] envolve a influência recíproca de todos os elementos. [...] ao interagir com os outros e com o ambiente, o indivíduo não só molda, como também é moldado por essa interação (Eldridge, 1998, p.24). [...]Esse dois princípios enfatizam o caráter ativo dos seres humanos. SER ATIVO SIGNIFICA ser capaz de resistir, responder, mudar, lutar, ajustar-se ao ambiente e aos outros.

[...] Para os autores, “A experiência acontece narrativamente. A Pesquisa Narrativa é uma forma de experiência narrativa. Portanto, a experiência educacional deve ser estudada narrativamente” (p.19).

NARRATIVAS E CRENÇAS: As narrativas constituem-se em um método bastante adequado para investigar crenças [já que] as narrativas incorporam as atitudes e crenças das pessoas. Isso se dá porque “as estórias vão ao âmago do significado das pessoas através da explicação da natureza da realidade de um indivíduo” [...] Assim como as crenças, as narrativas nos ajudam a interpretar o mundo e a dar sentido aos fatos (Gudmundsdottir, 1995, p.405). Em outras palavras, a narrativa é um modo de se olhar ou investigar as experiências e as crenças, que por sua vez nascem de nossas experiências. [...] [As] experiências dos alunos vão moldar suas crenças sobre escola pública e curso de idiomas, o valor atribuído a cada um, bem como suas percepções, julgamentos e avaliações de suas experiências posteriores, ilustrando o princípio da interação e continuidade, mencionados anteriormente. [Como exemplo,] De acordo com Oliveira e Mota (2003, p.131) “Os alunos da EP [escola pública], ao entrarem em contato com enunciados que vinculam o sentido que os professores da EP não são capacitados a lecionarem inglês, são constituídos de forma a não aceitarem as ações de seus professores, ou mesmo questionarem suas afirmações baseando-se em explicações dadas por professores de instituições privadas.”. [...] as experiências descritas [...], bem como as crenças desses alunos em relação aos dois lugares formais de se aprender línguas no Brasil, moldam as suas crenças e suas experiências na universidade. Em suas narrativas é possível perceber que, ao ingressarem na universidade, o que vivenciaram no passado afeta como se percebem como aprendizes e como essas experiências prévias tingem suas primeiras experiências na aprendizagem de línguas na universidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: O que a análise das narrativas dos alunos nos diz sobre suas experiências e crenças a respeito de aprendizagem de línguas? Em primeiro lugar, as narrativas sugerem que esses alunos não acreditam que a escola pública seja o lugar onde se aprende inglês [... e] confirmam os resultados do estudo de Grigoletto (2003), em que para os alunos a aprendizagem de inglês acontece fora da escola pública, mas não estão de acordo com o estudo de Coelho (2005), em que alunos afirmam que a escola pública é o local (às vezes, o único) que eles têm para aprender inglês. [...] Em segundo lugar, as narrativas dos alunos sugerem suas crenças no CI como o lugar ideal para se aprender inglês, pois suas experiências nesse local são caracterizadas como boas e como causa de sua aprendizagem de línguas.

Dessa forma, cabe perguntar: quais implicações esses resultados trazem para professores, pesquisadores e alunos? Os professores podem se beneficiar da utilização das histórias de aprendizagem de seus alunos para conhecê-los melhor em suas crenças e experiências. Além disso, outros alunos podem trocar idéias e refletir sobre suas experiências ao ler as histórias de seus colegas. Esse procedimento pode ser adotado por professores que queiram promover a aprendizagem reflexiva (Barcelos, 2001) e ajudar os alunos a refletir sobre sua própria aprendizagem e sobre suas crenças e experiências. Entretanto, é preciso destacar que somente o contar e escrever histórias não são suficientes. Esse é apenas um primeiro passo na conscientização de professores e alunos de suas narrativas de aprendizagem – um passo importante, mas que não exclui outras ações que devem ser tomadas, tais como o investimento e engajamento político com a escola regular e junto às associações de professores de línguas para mudar o quadro atual de desvalorização da língua inglesa como disciplina.

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