VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12[3]4 ]


[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Date Posted: 16:55:04 05/11/09 Mon
Author: Eduardo Ferreira
Subject: Resumo Barcelos (2006)

RESUMO: Narrativas, crenças e experiências de aprender inglês

Ana Maria Ferreira Barcelos (2006)

Telles (2002) afirma que a utilização de narrativas em pesquisas vem crescendo no Brasil e no mundo em vários campos, em parte devido às suas qualidades históricas e seu potencial para caracterizar a experiência humana. Em LA o interesse é mais recente e marca a volta do interesse pelos aprendizes que agora são vistos como “pessoas completas com dimensões comportamentais, cognitivas, afetivas, sociais, experienciais, estratégicas e políticas” (Larsen-Freeman, 1998).
A pesquisa narrativa é eficiente no trabalho com crenças por adequar-se à investigação do pensamento e das experiências de professores e alunos e promover a consciência dos seus papéis no processo de ensinar/aprender línguas.
Através de estórias de aprendizagem, Barcelos focaliza neste trabalho as crenças de alunos dos cursos superiores de Letras e Secretariado Executivo a respeito dos lugares onde se aprende línguas no Brasil e a influencia dessas experiências em suas crenças e em sua aprendizagem de inglês na universidade. A autora acredita que por meio das narrativas, nós refletimos sobre nossas experiências e as reconstruímos baseados em novas percepções e experiências. A narrativa é um instrumento ou método que por excelência, captura a essência da experiência humana e consequentemente da aprendizagem e mudança humana.
No que se refere à área de formação de professores Barcelos cita Johnson e Golombek (2002) segundo os quais a pesquisa narrativa permite que os professores organizem e articulem seus conhecimentos e crenças sobre o ensino, revelando assim as experiências que guiam seu trabalho. Como exemplo, ela comenta o estudo de Sakui (2002) que investigou a relação entre sua aprendizagem e sua prática como professora de inglês através de narrativas em diários.
Atualmente, vários estudos têm utilizados narrativas e estórias de vida como instrumentos na investigação das crenças. Barcelos destaca os trabalhos de Leppaänen e Kalaja (2002), Paiva (2005) e Malcolm (2004), que lidam com análise de crenças de aprendizagem de línguas. Leppänen e Kalaja (2002) fizeram uma análise sócio-psicológica discursiva de dados coletados a partir de autobiografias escritas por aprendizes de inglês na Finlândia. Paiva (2005), através da análise de narrativas de alunos de Letras, observou que muitas vezes os alunos desenvolvem autonomia mesmo em face às dificuldades, inclusive de ordem financeira. Malcolm (2004) observou que por influência de experiência o aprendiz estudado modificou suas crenças quanto à importância da leitura, tradução e vocabulário.
Seguindo os parâmetros da pesquisa naturalística, Barcelos analisou as narrativas de 53 alunos dos cursos de Letras e Secretariado Executivo, norteada pelas seguintes perguntas de pesquisa: (1) Quais crenças subjazem às experiências desses alunos em relação ao lugar de se estudar inglês no Brasil? (2) Como essas experiências moldam suas crenças? (3) Como eles caracterizam sua experiência de aprender língua?
A análise das narrativas confirma a crença consolidada de que não se aprende inglês na escola pública. A maioria dos alunos caracterizou a experiência de aprendizagem nesse espaço como ruim e desmotivante devido a fatores como problemas pedagógicos, (des)motivação, (não) uso da língua e despreparo dos professores. Os principais problemas apontados pelas narrativas dos alunos foram: a) ensino voltado à repetição de aspectos gramaticais; b) ensino centrado na gramática; c) não utilização de formas alternativas de ensinar; d) crítica ao professor da escola pública e comparação com os professores dos cursos de línguas; e) Inglês é caracterizado como mais uma matéria; f) pouco ou nenhum contato com a língua-alvo; g) aulas em Português; h) falta de material; i) memorização como recurso pedagógico. Um único aluno relatou o aprendizado de inglês como positivo na escola pública. Isso porque teve um bom professor e o contato com letras de música ajudou-o na aquisição de vocabulário.
O curso de inglês é visto pela maioria como um investimento garantido e necessário, que desperta a motivação para o aprendizado, mas de difícil acesso, principalmente devido a seu custo. A competência dos professores não é questionada e estes são vistos como padrão de correção dos professores da escola pública. Os materiais didáticos são considerados ótimos e o número reduzido de alunos favorece o aprendizado.
A autora observou que as experiências de aprendizagem dos alunos moldam suas crenças e suas experiências na universidade. Devido à experiência em escola pública, estudar inglês na universidade é encarado como um desafio para alguns, e outros se sentem inferiores aos colegas que tiveram experiências em cursos de idiomas. Apesar de não terem problemas para o aprendizado e serem motivados, o caminho que tiveram que percorrer tornou o processo mais doloroso e difícil; isso é refletido nos conselhos que eles dão a outros alunos.
A pouca condição financeira é fator determinante na percepção da aprendizagem como luta e trabalho duro, e de certa forma contribuiu para o desenvolvimento de uma atitude autônoma, à medida que leva os alunos a encontrarem formas alternativas de aprender inglês. Barcelos faz menção ao papel do aluno que só estudou na escola pública como vítima ou mártir na caracterização de aprendizagem como sofrimento de Leppänen e Kalaja (2002); mas identifica também aqueles que se vêem como heróis, por terem sobrevivido à experiência da escola pública e agora estudar numa universidade.
Os alunos não acreditam que a escola pública seja o lugar onde se aprende inglês, entretanto as adversidades que enfrentam nesse espaço servem às vezes para promover autonomia e responsabilidade pela sua própria aprendizagem. O desejo de falar a língua, expresso por muitos deles nas narrativas, nos leva a repensar o ensino voltado para leitura nas escolas.
Barcelos chama os profissionais de ensino de línguas para se comprometerem com a educação pública de qualidade para que se cumpra o direito dos alunos de ter acesso à cultura e à educação através da aprendizagem de uma LE. Para mudar o quadro de desvalorização da língua inglesa na escola regular, é fundamental o engajamento dos professores nas questões políticas que permeiam este espaço.
Concluindo, ela ressalta que um estudo como este traz implicações para professores no sentido de proporcionar-lhes um maior conhecimento das crenças e expectativas dos seus alunos; e os próprios alunos, ao lerem as histórias dos colegas são levados a refletir sobre sua própria aprendizagem, crenças e experiências. Barcelos ainda sugere que um estudo longitudinal utilizando narrativas de um mesmo participante no decorrer do seu processo de aprendizagem pode revelar o que contribui para mudanças no seu sistema de crenças.

Eduardo Ferreira dos Santos

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT-8
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.