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Date Posted: 19:10:29 07/15/03 Tue
Author: Maura
Subject: Re: TAREFA 11
In reply to: Vera Menezes 's message, "TAREFA 11" on 21:13:55 07/14/03 Mon



Oi Vera e colegas,
Como alguém já mencionou neste fórum não é fácil identificar as metáforas. Vou tentar começando pelo poema
“Sofrimento” , de Albert Ehrenstein (1886-1950)
“Como estou atrelado
À carroça de carvão da minha dor!
Repelente como uma aranha
Rasteja sobre mim o tempo.
Cai-me o cabelo,
Encanece-me a cabeça para o campo,
Para lá do qual ceifa
O último segador.
O sono ensombra-me os ossos.
Morri no sonho já,
Erva nascia do meu crânio,
De negra terra era a minha cabeça.”
Nesse poema , há um eu , que se diz atrelado a uma carroça de carvão, cuja cor é negra como aquilo que transporta. Ou seja, pesa sobre este sujeito de que fala o poema uma atmosfera de negrume e escuridão, e sobre este ser o tempo passa , degradando-lhe a vida: caem-lhe os cabelos, e estes se tornam brancos. Enfim, a velhice e a perda de vitalidade atingem este ser que parece estar à beira da morte, ou marcado por ela.
As metáforas utilizadas são: VIDA É PESO(CARGA)__ “ há uma metáfora básica DIFICULDADES SÃO PESOS, através da qual alguém pode compreender as dificuldades da vida como “weighing one down” tanto que alguém possa carregá-las somente com a ajuda de família e amigos. (Pág. 25) __“Como estou atrelado/ À carroça de carvão da minha dor!” “Repelente como uma aranha /Rasteja sobre mim o tempo.” Aqui, parece que o “tempo já vivido” também é um “peso” sobre o eu lírico.

A metáfora básica PESSOAS SÃO PLANTAS( uma planta pode ser ceifada) parece explicar as passagens “Encanece-me a cabeça para o campo,/Para lá do qual ceifa/O último segador.” Essa metáfora parece estar coerente com “ uma Segunda classe de personificação de morte segundo a qual a função destas personificações não é acompanhar ou chamar alguém para a morte mas sim para efetuar a morte . Assim, um rígido ceifeiro pode personificar a morte derivando da metáfora PESSOAS SÃO PLANTAS.” (Pág.22).

E por fim, “O sono ensombra-me os ossos” parece referir-se à chegada da morte explicada pela metáfora MORTE É SONO__ “como morte é um tipo particular de partida, um modo de partir com nenhum retorno, então morte é um tipo particular de sono, um sono eterno do qual nós nunca despertamos. Quando o sono é concebido como descanso, morte pode ser um descanso final , um sono do qual nós não despertaremos.”(Pág. 18)

Meu segundo exemplo está no poema “Poema de Natal” de Vinícius de Moraes:
“... Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos__
(...) Uma prece por quem se vai__
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
(...) Pois para isso fomos feitos:
(...)Para ver a face da morte__
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente”.
De acordo com uma visão mais geral das metáforas do poema , podemos explicar as passagens ““... Assim será a nossa vida:/ Um caminho entre dois túmulos__através da metáfora básica VIDA É UMA VIAGEM e passagens como “(...)Para ver a face da morte__/De repente nunca mais esperaremos...”por meio de MORTE É PARTIDA, este local final é o destino final para onde alguém parte.
E finalmente , interpreto as passagens “De repente nunca mais esperaremos.../Hoje a noite é jovem; da morte, apenas /Nascemos, imensamente” como referindo-se a morte como “jovem” por ser uma noite de Natal ou seja, lembrar que a morte de Jesus Cristo permitiu o início de uma nova vida , a vida espiritual, a morte do “menino Jesus”, o que pode ser possível através das metáforas básicas “MORTE É O FIM DA VIAGEM DA VIDA , MORTE É PARTIDA (uma inferência de VIDA É ESTAR PRESENTE AQUI) e MORTE É NOITE ( de UMA VIDA É UM DIA) .
Pararei por aqui , mas já estou trabalhando em outros exemplos que enviarei depois,
Antes porém gostaria de saber como vocês traduziram a expressão “weighing one down”, citada por mim nesta mensagem.
Um abraço a todos,
Maura

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