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Date Posted: 12:02:08 07/01/03 Tue
Author: Pedro
Subject: Re: Semana 9 - Sobre língua ser poder
In reply to: Neuda Lago 's message, "Semana 9 - Sobre língua ser poder" on 17:13:26 06/29/03 Sun

Cara Neuda,colegas e Prof. Vera,

A vontade de voltar a participar desse rico colóquio, já que tinha lido sua mensagem domingo à noite, me fez comentá-la na "fala" de Sônia, que está embebida do mesmo espírito do editorial (espírito da "materia") que voxcê trouxe para nós. Obrigado pela matéria, inclusive eu, alertado por você a respeito dela, corri para lê-la e a recortei e guardei.

Vou transcrever, se não se importa, o que escrevi para Sônia:

"Sonia, Prof.a Vera e colegas virutais,

fiquei com a língua coçando ... ou o dedo temendo de
vontade de digitar uma mensagem sobre sua admoestaçào
de lermos a notícia que você pinçou, ainda no domingo;
Porém, nao me tinha qualificado para o jogo (nosso
Fórum), então tive de cumprir o "silêncio obsequioso"
determinado pereviamente pela disciplina de trabalho
no ambiente virtual ...agora posso. E então ...

Hoje se fala de convergência da mídia: o que significa
exatamente sso? significa que a mercadoria
"propaganda" vem pronta de uns poucos lugares do
mundo, das capitais da Tríade (USA,Alemanha e japão)?
Assim, como fica a questão de poder, de fato,
veicular, divulgar a verdade dos fatos.

Antes de veicular a verdade, devemos-nos perguntar se
conseguimos penetrar a capa ideológica que nos impede
de ver a ralidade, desvelar os fatos, isto é, tirar o
véu que os cobre (uma metáfora) ou se isso já exige um
trabalho consciente e árduo (outra metáfora, o
trabalho, e o trabalho como castigo, comerás o pão com
o suor do teu rosto, a espada cintilante do Arcanjo
contra Adão e Eva que tinham experimentado da arvore
do bem e do mal: a ciência? Parábola carregada de
simbolismos e de metáforas..

"(...)Veículos de comunicação têm a função de unir as
pessoas, de fazer circular a informação, tornando-a
acessível e democrática sem, entretanto, deixar de
lado a preocupação com a compreensão do mundo."
Espera-se isso deles, efetivamente fazem isso, e se
não fazem, por que não o fazem?

“Todos os jargões e metáforas não conhecidos do grande
público devem ser evitados. Devem ser usados apenas
quando acompanhados de explicação”, dizem os manuais
de redação e estilo dos grandes jornais brasileiros.

Eu tendo a concordar inteiramente com essa orientação,
exatamente porque vejo a metáfora como um instrumentos
da argumentação que expressa a realidade exterior
(objetiva, nesse sentido; e nós pelo intelecto,
mediatizado pela percepção sensorial/sensível/experimental, podemos alcançar essa sua realidade objetiva), a metáfora, muito usada pelos falantes médios da língua, não a entendendo evidentemente como metáfora, mas como a própria
realidade, e esse é um problema epistemológico
séríssimo, a metáfora não é um instrumento indicado
para informar leitores e para que possamos
entender-nos sem ambiguidades. Infeizmente, estou na
contracorrente metáfora) dos colegas viruais que
concordam (não sei se todos concordam, por isso pus
esta oração subordinada relativa como restritiva e não
explicativa, sem vírgula separando-a da pricipal),
dizia, divirgo frontalmente dos colegas que concordam
absolutamente com as proposições de Lakoff e Johnson.

A prática, entretanto, revela uma situação bastante
diferente. Entrevistados usam e abusam de jargões para
explicar temas distantes dos leitores. Jornalistas
despreparados e mal informados “compram” essa idéia e,
muitas vezes, reproduzem discursos sem ter uma noção
clara sobre o que estão escrevendo. Parece-me ser a
legitimação de um poder dominante – políticos,
delegados, professores, pesquisadores, médicos –
através de um discurso nem sempre compreendido pelo
público"

Não teria coragem de concordar com você [istoé, com Sônia] que há jornalistas despreparados. Se existem, eles causam mal menor. O problema é o discurso bem articulado de jornalistas bem preparados e sintonizados com a ideologia da classe dominante. Aí, língua não é instrumento democratico, pelo contrário, a língua é instrumento eficaz de defender interesses das elites, exatamente contra as necessidades prementes da população em geral, que não tem escapatória, nem atravessar as fronteiras nacionais e buscar um outro "rincào" podem (presumivelmente, nos países mais ricos). A polícia de fronteiras barra o excesso dos que querem passar o "novo muro de Berlim"(esta é uma metáfora perigosa, e eu arrisco usá-la! e tomar paulada de todo lado). A gllbalização tem um limite objetivo além do qual ela não vai, além do qual ela deixa de interessar às elites a quem a acumuaçào de capital interessa. Então, eu pergunto a "minha" Ciência, minha no sentido que nela investi toda uma vida, a Economia, é ciência ou um discurso
ideológico manipulador. Acho que atualmente é um discurso manipulador, ou seja, é ideologia, no sentido de percepção falseada da realidade social; mas pode tornar-se (a esperança é a última que morre!), por nosso esforço, individual e coletivo, se desmontarmos a linguatgem figurada, as historinhas, os contos da carochinha, como o mercado funcionando como uma "mão invisível", e particularmente as metáforas, e usarmos termos adequados e próprios, inteligíveis à populaçào, nosso jargão (o economês), "descronstruido" e reabilitado, pode ser um meio importante, acionado junto com outros talvez mais imporantes, para a populaçãoo libertar-se da opressão e da alienação, cuja expressão mais concreta é a exploração no sitema produtivo, baseado na propriedade privada dos meios de produção.

A língua das elites, então, permeada de metáforas,alcança o seu objetivo, de esconder a verdade, dissimulá-la, e apresnetar osinteresses da calsse dominante como sendo interesses gerais de toda gente. Ela, como Mefistófeles,
definitivamente não está comprometida com a verdade, ela éo Mefistófeles, a encarnação da Mentira.
>
Abraços, e desculpe a veemência ... que beira às vezes a demência ... um locuco saiu com um lanterna por aí
proclamando ...Deus morreu ... a santa demência de Nietzsche? Nietzsche apropriado pelo Nazismo, imagina só que ironia! Talvez porque ele se expressou por parábolas Ässim falou Zaratustra", sua obra prima. Não vou reler o que escrevi ... também foi Pilatos quem disse, " o que escrevi, escrevi" ... Paz, como diz a Prof.a Vera.
Paz, Pedro.

Sim, "Em alguns casos, trata-se de uma necessidade. O jargão, no mínimo, economiza palavras, concentrando carga informativa em termos específicos.

Sim, "Em determinadas áreas científicas, os próprios objetos
de estudo não passam de jargão. É o caso, por exemplo, da linguística, com seus morfemas, sintagmas e lexemas, e da física de partículas, com seus quarks, glúons e léptons. No limite, sem o jargão, os fenômenos estudados não podem nem ser enunciados."

Porém, "Reconhecer a importância e a necessidade do jargão em certas situações não significa chancelar seu uso indiscriminado."e muito menos como instrumendto ieolgócio, entendida ideolgia no sentido que enunciei acima, descrição falseada/falsificada/distorcida da realidade social.
Um abraço, Pedro

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