| Subject: O contrário de comunicação |
Author:
Fernando Redondo
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Date Posted: 19:08:47 02/07/04 Sat
In reply to:
José Casanova, Avante de 5/02/04
's message, "Vivinho da Costa" on 19:47:45 02/05/04 Thu
Este texto do Casanova é paradigmático em vários sentidos da incapacidade de comunicação dos dirigentes do PCP:
Este texto do Casanova é paradigmático, em vários sentidos, da incapacidade de comunicação dos dirigentes do PCP:
1. Trata-se de uma mera repetição das teses sobre a comunicação social, bastante primárias, que costumam ser enunciadas pelos dirigentes do PCP. Não contêm qualquer elemento novo o que fornece imediatamente um alibi para serem ignoradas pelos media.
2. Mesmo que as teses fossem "verdadeiras" nada obrigaria a enunciá-las sempre da mesma forma.
3. Todos sabemos que os principais meios de comunicação social pertencem ao Estado ou aos grupos privados. É um facto sem remédio. É nesse contexto que os partidos como o PCP têm que ser capazes de passar a sua mensagem usando a imaginação, a criatividade, explorando novos métodos, etc. Sobre isso Casanova nada diz pelo que o artigo se resume a um muro de lamentações.
4. Se se considera que nestas condições não somos capazes de fazer o trabalho político então o melhor é irmos todos para casa, dedicarmo-nos à pesca.
5. A prova de que não é impossível combater o quase monopólio dos meios de comunicação podemos encontrá-la ante do 25 de Abril. Apesar do bloqueio feroz da informação as forças democráticas conseguiram desprestigiar a “informação oficial” e veicular informação alternativa por meios informais.
6. A inoperância actual do PCP não é, no essencial, uma questão de estilo. O problema principal é o de não ter nada de significativo para dizer. O PCP não é, contrariamente ao que diz Casanova “o único partido nacional que, de facto, dá combate à política de direita e lhe contrapõe uma política alternativa”.
7. Antes do 25 de Abril a mensagem do PCP conseguia “furar” o bloqueio porque era clara e correspondia aos anseios de quase todos: derrubar a ditadura. Por isso era impossível estancá-la, ela impunha-se sempre através dos jornais clandestinos, do boca-a-boca, etc.
8. Nos dias de hoje nada de semelhante acontece. Desde o descalabro da União Soviética ninguém consegue perceber que tipo de sociedade alternativa o PCP propõe.
As tomadas de posição têm um carácter conjuntural e defensivo, de recusa mas não de construção.
9. Remetido a uma posição de apoio aos descontentamentos aparece cada vez mais como uma organização vocacionada para criticar sem critérios muito sólidos (casos como o da defesa dos taxistas em relação ao PEC são o caminho directo para a perda de credibilidade).
10. O exemplo mais gritante da falta de critério consiste na prática repetida de certos tiques como o de classificar cada governo como pior do que o anterior. Há muitos anos que esta fórmula é repetida ao ponto de se ter convertido numa autentica anedota.
11. Em suma, é nestas condições e com estas pessoas que temos que desenvolver a nossa actividade política. Por isso deixemo-nos de lamurias e usemos a imaginação para passar a nossa mensagem. Em vez de arranjarmos desculpas para a inoperância, em vez de acusarmos os media, em vez de culpabilizarmos os cidadãos por não nos seguirem, pensemos antes se estamos a trabalhar correctamente e dar resposta credível aos problemas da sociedade.
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