| Subject: Ctrl + Alt + Del |
Author:
Bruno Dias
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Date Posted: 17/02/05 2:20:23
• 05-01-2005 •
Assento Parlamentar (CDU)
por Bruno Dias
(Deputado do PCP na Assembleia da República)
Ctr + Alt + Del
Ou a estória do cibernauta que mudou de sistema
A situação repetia-se, vezes sem conta. E logo nas piores alturas. Quando menos se esperava, a meio de um daqueles trabalhos urgentes, o maldito computador bloqueava, sem mais nem menos, impiedosamente. Uma desgraça.
O homem já se resignava, como quem se habitua a uma inevitabilidade: não tenho sorte nenhuma com os computadores, dizia ele. Encolhia os ombros, rogava uma praga e carregava nas teclas. Ctrl+Alt+Del. Sempre o raio do Ctrl+Alt+Del. E depois a sacramental pergunta no ecrã: pretende reiniciar o computador? Que remédio. Enter.
Mas já era demais. O nosso cibernauta já estava farto de tanto erro, de tanto bloqueio, tanto trabalho perdido. Tinha de haver uma solução, até porque isto de reiniciar o computador, está-se mesmo a ver no que dá: começamos de novo para voltar tudo ao mesmo.
Um dia perguntaram-lhe: «mas porque é que não mudas de sistema operativo? Com esse que tens não te safas…» De facto ele nunca tinha pensado nisso. Utilizava aquele sistema desde sempre, e nem sequer lhe tinha ocorrido que havia outras alternativas. Foi então que começou a ouvir falar do software livre.
Com a ajuda de um amigo mais esclarecido, lá fez a mudança. Desconfiou ao princípio, estranhou, era tudo diferente. E uma pessoa também se habitua às coisas, ou não?, tinha passado muito tempo com o sistema antigo. Mas às tantas este novo sistema, com os novos programas, ia dando provas. Mais fiável, trabalhando melhor, sem aqueles malfadados bloqueios nem as mensagens de erro.
Como é bom de ver, este novo sistema não estava na mão das multinacionais, dos tubarões do mercado. Daí que não tivesse aquele marketing todo do outro sistema, o tal que ainda era dominante. Não aparecia tanto, não era conhecido. Mas era (e é) radicalmente diferente.
Com outra filosofia, outros códigos, outro funcionamento.
Hoje o nosso amigo já diz que valeu a pena mudar.
Ora bem, como de certeza já percebeu, eu não estou aqui a falar só de computadores…
Olhando para a história deste nosso Distrito nestes 28 anos, é preciso pensar no que têm sido as políticas levadas a cabo por estes governos e maiorias sucessivamente no poder. Mais do que os 10 anos do cavaquismo, ou os 6 do guterrismo, o que está em causa são de facto 28 anos de políticas de direita, praticadas pelo PS e PSD, ora um, ora outro, ora um com o outro, ora um com o CDS, ora o CDS com o outro. E não temos saído disto.
Hoje, temos os mais de 42 mil desempregados (oficialmente registados) no Distrito de Setúbal. Os jovens à procura do primeiro emprego, os recém-licenciados sem trabalho – e desses não reza a estatística…
Hoje, temos a escalada das privatizações dos serviços públicos e das funções sociais mais importantes. Temos uma das mais graves situações do País em matéria de saúde. Temos a Serra da Arrábida de novo na berlinda, com a ameaça da co-incineração que regressa pela mão do PS.
Volta e meia, começa tudo do princípio. Novo governo, novas expectativas, novo ataque aos direitos, nova desilusão. E numa altura em que se vislumbram no horizonte novos personagens para uma história que corre o risco de se repetir, é preciso dizer muito claramente que cheques em branco é coisa que não passamos. Cada um que fale claro, e que diga ao que vem.
Pela nossa parte, não queremos mais do mesmo. E ficou à vista de todos que valeu a pena lutar (enquanto alguns assobiavam, olhando para o lado) pela saída deste Governo da direita. Eu repito: valeu a pena lutar. Conseguimos. Derrotámos este Governo. Agora, podemos derrotar esta política. Está ao nosso alcance – ao seu alcance – esse virar de página. Mais emprego, melhor saúde, melhor ensino. Porque as coisas não têm que ficar como estão.
No fundo, trata-se de perceber que esse tal “Ctrl+Alt+Del” já dura há demasiado tempo. No dia 20 de Fevereiro, em vez de reiniciar, melhor será mudar de programa.
in http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=341
para mais textos de candidatos por Setúbal: www.setubalnarede.pt
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