Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 18/01/05 19:25:14
In reply to:
João Carlos
's message, "União Europeia-uma fatalidade?" on 18/01/05 12:33:50
Também não sou economista... Mas mesmo assim cá me vou atrevendo a botar uns palpites sobre matérias que normalmente os economistas reclamam como sendo do seu (mais ou menos) exclusivo foro.
Devo dizer à partida algo que já tenho aqui explicado noutras ocasiões: No caso da União Europeia sou declaradamente a favor de uma União política de tipo federal.
E nisso sou claramente contra as posições do PCP, do PCF e do PCG (e doutros PC's...).
Mas no que respeita às questões levantadas por João Carlos, parece-me evidente que não é uma fatalidade (nem foi... contra o que disseram ontem os srs. Mário Soares e Freitas do Amaral. Em todo o caso, eles é que estiveram no Governo e certamente sabem muito melhor do que eu o estado em que estava o Estado...).
Em todo o caso deve ter-se presente que mesmo países como a Noruega - que estão de fora - acabam por estar "presos" à União Europeia por uma série de acordos. E se não tivessem interesse nisso, não estavam. E estão sujeitos a muitas das regras da UE sem terem voto na matéria.
Dito isto - da "não fatalidade" - quer-me parecer que hoje, com a dimensão planetária dos agentes económicos, Portugal só tem a ganhar se estiver integrado num entidade operacional com muito maiores dimensões. Já já vai o tempo do Marquês de Pombal o qual - para citar uma historiadora francesa - dirigia um comércio de ambito tri-continental e podia assim encarar o resto da Europa de igual para igual.
Conta-se, a esse respeito que um dia, por ocasião de uma qualquer recepção, o embaixador de Espanha - para sublinhar a pequena dimensão de Portugal em comparação com a Espanha - terá perguntado "se atirar a uma lebre no Alentejo, onde é que a vai apanhar?". A isso o Marquês terá respondido, sem pestanejar, "à India"....
E até nem é uma questão de "colónias" ou "Império"!!!
A Suiça nunca teve "império" e tem do mundo uma visão planetária. A única que cada vez mais interessa ou é relevante.
Por outras palavras, a União Europeia não é, nem deixa de ser, um problema estrutural da nossa sociedade.
O problema estrutural "numero um" da nossa sociedade é a crónica (por isso é que é estrutural...) falta de formação científica e tecnológica da esmagadora maioria dos nossos concidadãos.
Sair hoje (ou "amanhã", se o Tratado Constitucional vier a ser aprovado...) não era certamente uma catástrofe nacional. Mas era capaz de ser pior...
Refiro só as consequências no campo da Política e da Economia.
No campo das alianças políticas lá voltávamos aos braços dos nossos queridos Ingleses... A mais antiga aliança do mundo, gostam "eles" de dizer. E, claro, que só faríamos o que lhes interessasse a eles. Aos "britânicos". Com nos séculos XVII, XVIII e XIX (com o relativo interregno do Marquês de Pombal).
No campo das reciprocidades económicas, lá teríamos que voltar para África ("para Angola e em força", como dizia o Salazar) ou para o Brasil. Só que agora já teria que ser numa base de muito respeitinho pelas soberanias nacionais dos "PALOPs" (que raio de sigla...). E era se eles quisessem!!! E sempre em "parceria" com outros países de MUITO maior dimensão. Desde a própria UE, à China. No caso do Brasil, passariam ali a ser nossos concorrentes... Não precisam do nosso eventual "saber fazer" para nada. Embora tivessemos sempre algumas vantagens competitivas que não interessa aqui esmiuçar.
De resto acho que sim, que "isto" da nossa integração na UE deveria ser tema de muita e detalhada discussão...
Mas, convem ter presente, que quem mais tem a perder com a construção de uma Europa Federal, são as burocracias (e os Partidos estatais estabelecidos.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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