| Subject: Re: União Europeia |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 19/01/05 9:55:15
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: União Europeia-uma fatalidade?" on 18/01/05 19:25:14
Claro que dizer que globalmente a adesão de Portugal à Comunidade Europeia representou e representa uma etapa necessária para projectar Portugal num determinado tipo de modernidade ,ou de uma opção histórica,ou um meio circunstancial para a salvação económica ,são todas meias verdades de que todos temos consciência.
O que me parece pouco questionável é que,passados 5 séculos, enterrado o império colonial e o canto das sereias do Portugal repartido pelos 5 continentes, encontramo-nos connosco próprios ,com o nosso território europeu e regeitamos a política suicida do "orgulhosamente sós" . Encaminhando-nos para a Europa ,correspondemos ao nosso destino histórico.
Cabe porém aos portugueses,no quadro do novo "paradigma" europeu optar por uma Europa das regiões e dos cidadãos, de uma Europa das pátrias (cada vez mais diluída)de uma Europa que enfatize o aprofundamento das políticas sociais e do emprego e menos dos Estados e das multinacionais..
Sendo mínimamente pragmáticos e fazendo uma análise prospectiva ao nosso figurino económico ,perguntemo-nos: Que recursos naturais,que recursos humanos, que definição estratégica para um desenvolvimento autónomo "independente" ?
>Também não sou economista... Mas mesmo assim cá me vou
>atrevendo a botar uns palpites sobre matérias que
>normalmente os economistas reclamam como sendo do seu
>(mais ou menos) exclusivo foro.
>Devo dizer à partida algo que já tenho aqui explicado
>noutras ocasiões: No caso da União Europeia sou
>declaradamente a favor de uma União política de tipo
>federal.
>E nisso sou claramente contra as posições do PCP, do
>PCF e do PCG (e doutros PC's...).
>
>Mas no que respeita às questões levantadas por João
>Carlos, parece-me evidente que não é uma fatalidade
>(nem foi... contra o que disseram ontem
>os srs. Mário Soares e Freitas do Amaral. Em todo o
>caso, eles é que estiveram no Governo e certamente
>sabem muito melhor do que eu o estado em que estava o
>Estado...).
>Em todo o caso deve ter-se presente que mesmo países
>como a Noruega - que estão de fora - acabam por estar
>"presos" à União Europeia por uma série de acordos. E
>se não tivessem interesse nisso, não estavam. E estão
>sujeitos a muitas das regras da UE sem terem voto
>na matéria.
>Dito isto - da "não fatalidade" - quer-me parecer que
>hoje, com a dimensão planetária dos agentes
>económicos, Portugal só tem a ganhar se estiver
>integrado num entidade operacional com muito maiores
>dimensões. Já já vai o tempo do Marquês de Pombal o
>qual - para citar uma historiadora francesa - dirigia
>um comércio de ambito tri-continental e podia assim
>encarar o resto da Europa de igual para igual.
>Conta-se, a esse respeito que um dia,
>por ocasião de uma qualquer recepção, o embaixador de
>Espanha - para sublinhar a pequena dimensão de
>Portugal em comparação com a Espanha - terá perguntado
>"se atirar a uma lebre no Alentejo, onde é que a vai
>apanhar?". A isso o Marquês terá respondido, sem
>pestanejar, "à India"....
>E até nem é uma questão de "colónias" ou "Império"!!!
>A Suiça nunca teve "império" e tem do mundo uma visão
>planetária. A única que cada vez mais interessa ou é
>relevante.
>Por outras palavras, a União Europeia não é, nem deixa
>de ser, um problema estrutural da nossa sociedade.
>O problema estrutural "numero um" da nossa
>sociedade é a crónica (por isso é que é estrutural...)
>falta de formação científica e tecnológica da
>esmagadora maioria dos nossos concidadãos.
>Sair hoje (ou "amanhã", se o Tratado Constitucional
>vier a ser aprovado...) não era certamente uma
>catástrofe nacional. Mas era capaz de ser pior...
>Refiro só as consequências no campo da Política e da
>Economia.
>No campo das alianças políticas lá voltávamos aos
>braços dos nossos queridos Ingleses... A mais antiga
>aliança do mundo, gostam "eles" de dizer. E, claro,
>que só faríamos o que lhes interessasse a eles. Aos
>"britânicos". Com nos séculos XVII, XVIII e XIX (com o
>relativo interregno do Marquês de Pombal).
>No campo das reciprocidades económicas, lá teríamos
>que voltar para África ("para Angola e em força", como
>dizia o Salazar) ou para o Brasil. Só que agora já
>teria que ser numa base de muito respeitinho pelas
>soberanias nacionais dos "PALOPs" (que raio de
>sigla...). E era se eles quisessem!!! E sempre em
>"parceria" com outros países de MUITO maior dimensão.
>Desde a própria UE, à China. No caso do Brasil,
>passariam ali a ser nossos concorrentes... Não
>precisam do nosso eventual "saber fazer" para nada.
>Embora tivessemos sempre algumas vantagens
>competitivas que não interessa aqui esmiuçar.
>De resto acho que sim, que "isto" da nossa integração
>na UE deveria ser tema de muita e detalhada
>discussão...
>Mas, convem ter presente, que quem mais tem a
>perder com a construção de uma Europa Federal, são as
>burocracias (e os Partidos estatais
>estabelecidos.
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
>
>meu apelido) sou Lusitano/Português de há não sei
>quantas gerações... Mais concretamente do Ribadouro,
>que era assim que antigamente se chamava a região
>entre Trás-os-Montes e a Beira Alta.
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