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Guilherme Statter
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Date Posted: 20/01/05 12:47:53
In reply to:
João Carlos
's message, "Re: União Europeia-uma fatalidade?" on 19/01/05 22:57:25
A ver se a gente se entende...
Em primeiro lugar sou dos que pensam que nestas coisas da sociedade humana não há "fatalidades". As coisas acontecem porque as pessoas, mais ou menos organizadas, as fazem acontecer.
Embora se possa defender a tese oposta - de que a própria estrutura de classes de qualquer sociedade (e a forma como cada sociedade se organiza para explorar os recursos naturais ao seu dispôr) - acaba por "determinar" o seu percurso histórico.
Dito isto, a mim parece-me evidente que o estarmos numa União Europeia, não é nenhuma fatalidade.
Estamos lá porque os dirigentes deste país assim o decidiram e os países que já lá estavam nos aceitaram.
Depois há os que são a favor de lá estarmos (eu, por exemplo...) e os que são contra. E cada um vai tentando vender o seu "peixe" como sabe e pode.
Quanto ao estudo para que o sr. João Carlos nos desafia, eu por mim - com os parcos recursos de que disponho - vou tentando perceber. E nessa tentativa utilizo "meia-dúzia" de critérios e instrumentos analíticos (mais ou menos mal-amanhados...):
1. Estrutura da economia e da sociedade (divisão por sectores de actividade, demografia, escolaridade, saúde, estrutura familiar, cultura, prácticas laborais, tradições...
2. Estrutura do meio físico ambiente (geografia, geologia, clima, solos, comunicações, o mar...)
3. Estrutura das nossas relações com o exterior (o que exportamos, o que importamos... para onde, de onde...)
4. Estrutura do sistema global ("geoestratégia", nós e o "resto do mundo"...)
E é com base nesse tipo de reflexões que eu defendo a ideia que estamos melhor na UE do que fora dela...
Mas não é fatal e nada garante que "amanhã" não seja melhor sair. Em todo o caso, como estas coisas - a nível estrutural - demoram sempre MUITO tempo a alterar-se, duvido que a questão de termos, alguma vez, alguma vantagem em saír da UE se venha a pôr nas próximas décadas.
Para concluir, deixe-me chamar a atenção para uma sua afirmação:
Bem, mas então expliquem-me lá uma coisa, Portugal passa a ter mais recursos naturais pertencendo à UE? Passamos a ter por nossos o que aos outros pertence? É evidente que não!.
É que uma das ideias subjacentes à estória da "cidadania europeia" é justamente que o sr. João Carlos passe a ser tão proprietário dos recursos naturais do Vale do Loire como qualquer Jean Pierre dos recursos naturais do Vale do Tejo.
Em todo o caso, lembro-lhe que a dimensão relativamente colossal da dívida externa de Portugal faz com que nós, os Portugueses, já não sejamos donos de quase coisa nenhuma.
Nas "nossas costas" (ou à socapa...) já venderam "quase tudo" (claro que estou a exagerar...)
Digamos que estamos refens da UE.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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