| Subject: POUCAS Laranjas para Tão pouco sumo |
Author:
Luis Blanch
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 6/01/05 10:41:24
In reply to:
Luis Laranja
's message, "Re: Quais as grandes linhas de um Projecto de Esquerda..." on 5/01/05 19:17:25
Não ,as formas de organização da sociedade não resultam de interrelações aleatórias nem do capricho dos seus actores ,nem anda ao sabor do acaso e do imediatismo desses intervenientes.
A história , muito embora não tenha um desenvolvimento linear , integra-se num processo que ,de facto ,obedece ao desenvolvimento económico e social e onde os seus actores ,sendo condicionados por esse desenvolvimento, são parte activa mas não arbitrária das alterações em curso na humanidade.
Todas as etapas da história têm sido marcadas por ,pelo menos , um denominador comum- é o seu carácter não aleatório; o movimento social só se tem proposto, na esteira de Marx ,aquilo que está em condições de resolver.
Muitos ,dos poucos "fracassos" históricos ,decorrem da precipitação em querer acelerar artificialmente a história.
O sistema capitalista , de facto ,
trouxe em si uma grande capacidade de revolucionar as técnicas e, no seu conjunto foi portador de grandes potencialidades de crescimento.
Hoje, porém e mais do que nunca entrou numa espiral de contradições que o levaram a um darwinismo do próprio sistema , a arruinar o seu tecido empresarial e a romper as fronteiras com mega empresas que esmagam todas as economias mais débeis ,arrastando os povos para relevantes tensões e crises sociais.
O capitalismo entrou numa grande crise de sustentabilidade ...
>É-me difícil entender como os utopistas, idealistas de
>alto coturno, ainda não compreenderam que as formas de
>organização que as sociedades vão engendrando não
>resultam de esquemas prévios, muito menos de esquemas
>racionais, todos certinhos, direitinhos, mas de
>miríadas de interrelações aleatórias que vão sendo
>experimentadas por actores cuja representação que
>delas têm são arqui-parcelares, restritas aos seus
>interesses imediatos e nunca às formas que virão a
>assumir com o desenrolar dos tempos.
>
>Esta tradição, pré-marxista, mas a que o Marx
>emprestou uma certeza pseudo científica com os seus
>esboços da organização social comunista que
>pretensamente sucederia ao capitalismo, tem-se
>revelado uma entretenha altamente interessante, por
>exemplo, como alternativa aos jogos de paciência ou ao
>preenchimento dos passatempos de palavras cruzadas,
>mas o seu contributo para a transformação social é
>ainda mais irrisório do que o daqueles que crêem na
>profecia marxista.
>
>Os grandes contributos sociais do capitalismo - o
>desenvolvimento da troca intermediada pelo dinheiro e
>a acumulação possibilitada pela troca desigual - ainda
>não esgotaram as suas possibilidades de
>desenvolvimento, mas será delas, e não das mentes de
>quaisquer iluminados, que surgirão as novas formas de
>organização social.
>
>Mais interessante do que os esquemas ou antevisões da
>sociedade vindoura, parecer-me-ia mais útil a reflexão
>sobre a intervenção social concreta possível, a
>começar sobre essa designação arcaica e equívoca de
>"esquerda".
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
| |