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Guilherme Statter
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Date Posted: 7/01/05 12:28:30
Um dos êrros mais tristes daquilo a que poderemos chamar de "vulgata marxista" terá sido o não atribuir qualquer valor à função laboral de coordenação das actividades de produção. Como se uma qualquer equipa de produção fabril (de maiores ou menores dimensões, constituída por dezenas ou centenas de trabalhadores ou operários) fosse suposta trabalhar "sózinha" ou em "auto-gestão". E, por tabela, devessemos confiar numa espécie de "espírito santo da sincronização" para que as diversas tarefas convergentes num qualquer processo produtivo ocorressem todas, quando e da maneira mais adequada.
Por tabela, aquilo a que os estudiosos "ocidentais" (mesmo ou em particular os supostamente de esquerda) chamam de "empreendedorismo" ou "espírito empresarial", foi (em termos de análise e discussão) remetido para a função de "exploração" (e por conseguinte e prioritariamente "apropriação do sobretrabalho dos explorados").
Ou seja, por definição ab initio os empresários são "exploradores" e os trabalhadores são "explorados"...
Foi com base nessa "corrente ideológica" que muitos "movimentos de libertação" em África acabaram por "matar a galinha dos ovos de ouro", expulsando ou forçando à emigração milhares dos quadros e empresários, industriais e agrícolas de origem europeia (mas não só...) que por lá viviam.
O caso do Zimbabue é a esse respeito paradigmatico.
Ou seja, os zimbabueanos deixaram de ser "explorados". Mas a verdade é que agora passam fome e estão sempre à espera das dávidas de comida da chamada comunidade de dadores. Antes até exportavam comida... Mas os seus novos e novíssimos senhores (que, como é evidente "não exploram", claro... Tal como os "nossos" aristocratas do Velho Regime europeu também "não exploravam"), mas esses novos e novíssimos senhores, dizia, lá vão levantando o punho esquerdo e – ironia suprema – gritando (em Portugês...), "Aluta Continua".
A discussão do papel dos empreendedores e empresários por esse mundo fora (designada e significativamente, na CHINA...) deveria constituir tema para reflexão sobre o seu posicionamento (de classe, lá vem à colação a grelha de leitura do posicionamento de classes do Erik Olin...) relativamente ao processo global de produção.
A partir dessa discussão talvez se viessem a encontrar algumas coerências em termos de "estratégias políticas" e "compromissos históricos"... Mas para isso é preciso alguma (enfim, QB...) abertura de espírito. Aqui e agora, em Portugal.
E talvez - e sobretudo - se encontrassem algumas das causas para o nosso "eterno atrazo" (é o que eles dizem...).
Com mais umas eleições à porta. E o pessoal a ter já que ouvir demagogias eleitoralistas. Como acenarem-nos com a Irlanda (a da "flexibilização laboral" e do "défice orlamental equilibrado"... dizem-nos), sem nos explicarem os "comos" e os "porquês" do seu "milagre"...
E uma sra. Ministra que diz que não vai ao Parlamento porque já falou com os jornalistas.
Mas quem me mandou a mim voltar para este jardim à beira mar plantado?!?
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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