| Subject: Re: Demagogias E Transformações De Hoje |
Author:
Luis Blanch
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 7/01/05 17:12:57
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Demagogias Eleitoralistas" on 7/01/05 12:28:30
Em geral, as mudanças na força de trabalho são profundas mas não serão fundamentais. Mesmo considerando que nos países ricos existe bastante miséria, sobretudo nos desempregados, nos trabalhadores precários e nos emigrantes ,hoje o proletariado já tem coisas a perder "para além das suas grilhetas".
De facto, muitos já temem perder as suas casas e os seus carros. O que os une ,potencialmente , é ,como sempre ,o seu papel na produção. Privados do comando sobre os seus meios de produção ,não têm qualquer tipo de controlo sobre o objectivo, o sentido e mesmo a organização do seu trabalho. Este é o cerne do problema.
Podemos perguntar se os modernos artifices não recuperam com o computador as suas ferramentas.
Tomemos o exemplo dos informáticos, dos programodores que são figuras-chane na indústria da informação.São trabalhadores qualificados e geralmente bem pagos. No entanto só uma minoria ,os "analistas simbólicos" que inventam programas e que ajudam a manter o poder instituído sobre a força de treabalho ,a expandir a sua rede financeira e a reforçar o seu domínio sobre os media detêm algum poder.
A grande maioria encontra-se a desempenhar o seu trabalho assalariado sob as ordens de cima.
Enquanto se intensifica a luta de classes,e se desmorona o mito triunfante da classe média, aqueles técnicos bem como os sectores intermédios da produção, (inspectores controladores et.) terão de decidir se alinham com "os de cima ou os de baixo",com ou sem a esperança de se colarem aos privilégios,se alinham de facto com as classes que querem destruir o sistema e são agentes da transformação social. É uma questão decisiva,Guilherme Statter.
>Um dos êrros mais tristes daquilo a que poderemos
>chamar de "vulgata marxista" terá sido o não atribuir
>qualquer valor à função laboral de coordenação das
>actividades de produção. Como se uma qualquer equipa
>de produção fabril (de maiores ou menores dimensões,
>constituída por dezenas ou centenas de trabalhadores
>ou operários) fosse suposta trabalhar "sózinha" ou em
>"auto-gestão". E, por tabela, devessemos confiar numa
>espécie de "espírito santo da sincronização" para que
>as diversas tarefas convergentes num qualquer processo
>produtivo ocorressem todas, quando e da maneira mais
>adequada.
>Por tabela, aquilo a que os estudiosos "ocidentais"
>(mesmo ou em particular os supostamente de esquerda)
>chamam de "empreendedorismo" ou "espírito
>empresarial", foi (em termos de análise e discussão)
>remetido para a função de "exploração" (e por
>conseguinte e prioritariamente "apropriação do
>sobretrabalho dos explorados").
>Ou seja, por definição ab initio os empresários
>são "exploradores" e os trabalhadores são
>"explorados"...
>Foi com base nessa "corrente ideológica" que muitos
>"movimentos de libertação" em África acabaram por
>"matar a galinha dos ovos de ouro", expulsando ou
>forçando à emigração milhares dos quadros e
>empresários, industriais e agrícolas de origem
>europeia (mas não só...) que por lá viviam.
>O caso do Zimbabue é a esse respeito paradigmatico.
>Ou seja, os zimbabueanos deixaram de ser "explorados".
>Mas a verdade é que agora passam fome e estão sempre à
>espera das dávidas de comida da chamada comunidade de
>dadores. Antes até exportavam comida... Mas os seus
>novos e novíssimos senhores (que, como é evidente "não
>exploram", claro... Tal como os "nossos" aristocratas
>do Velho Regime europeu também "não exploravam"), mas
>esses novos e novíssimos senhores, dizia, lá vão
>levantando o punho esquerdo e – ironia suprema –
>gritando (em Portugês...), "Aluta
>Continua".
>
>A discussão do papel dos empreendedores e empresários
>por esse mundo fora (designada e significativamente,
>na CHINA...) deveria constituir tema para reflexão
>sobre o seu posicionamento (de classe, lá vem à
>colação a grelha de leitura do posicionamento de
>classes do Erik Olin...) relativamente ao processo
>global de produção.
>A partir dessa discussão talvez se viessem a encontrar
>algumas coerências em termos de "estratégias
>políticas" e "compromissos históricos"... Mas para
>isso é preciso alguma (enfim, QB...) abertura de
>espírito. Aqui e agora, em Portugal.
>E talvez - e sobretudo - se encontrassem algumas das
>causas para o nosso "eterno atrazo" (é o que
>eles dizem...).
>Com mais umas eleições à porta. E o pessoal a ter já
>que ouvir demagogias eleitoralistas. Como acenarem-nos
>com a Irlanda (a da "flexibilização laboral" e do
>"défice orlamental equilibrado"... dizem-nos), sem
>nos explicarem os "comos" e os "porquês" do seu
>"milagre"...
>
>E uma sra. Ministra que diz que não vai ao Parlamento
>porque já falou com os jornalistas.
>Mas quem me mandou a mim voltar para este jardim à
>beira mar plantado?!?
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
| |