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Subject: Muito engraçado.


Author:
observador curioso
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Date Posted: 7/01/05 18:10:32
In reply to: Luis Laranja 's message, "Re: Posso meter uma colherada?" on 7/01/05 18:00:10

Perdoar-me-à V. Ex.ª de me meter em tão elevada conversa sem ter sido para tal convidado. Apenas um breve comentário: Vejo que para si o sistema capitalista é o melhor para a humanidade. Pois para mim e para muitos milhões de seres humanos não é. Por outro lado o sistema de mercado não surgiu com o capitalismo liberal do sec. XIX. Já existia. Recorda-se V. Ex.ª das repúblicas italianas da renascença?
Tenha V. Ex.ª um excelente fim de semana.


>Senhor Statter.
>
>Julgo que o exemplo apresentado por V. Ex.ª pode ser
>revelador de muitas coisas, mas não de que o
>capitalismo não eleva o nível de vida das gentes a
>quem dá trabalho e dos povos das sociedades onde se
>transformou em modo de produção dominante.
>
>Faláva com o Senhor Blanch acerca dos males que ele
>via na globalização e na deslocalização de empresas
>(entendidas como perversões do capitalismo), e era
>nesse sentido que me referia aos benefícios do
>capitalismo para os pobres que sempre viveram na
>miséria (relativa, é claro, e de que eles próprios
>poderão eventualmente não desejar sair).
>
>Sendo um sistema económico-social baseado em
>determinados ingredientes - a troca intermediada pelo
>dinheiro e a acumulação - que provocou uma revolução
>económica e social como a História não conheceu antes,
>os seus benefícios são inquestionáveis, de qualquer
>que seja o ângulo por que seja analisado. Os clamores
>que contra ele se ouvem, nomeadamente por parte dos
>crentes no comunismo, são por isso destituídos de
>qualquer fundamento.
>
>Como V. Ex.ª facilmente compreenderá, uma coisa é o
>capitalismo e a riqueza que ele pode criar; outra, bem
>diferente, é a capacidade das elites empresariais para
>o organizarem e gerirem; e outra, ainda, é a
>distribuição do produto e do excedente realizado, que
>cai na esfera do político.
>
>No exemplo que V. Ex.ª referiu poderíamos ainda
>apontar outros factores, como as condições ambientais
>e culturais, perturbadoras, ou não, da transformação
>de populações não urbanas em trabalhadores fabris
>industriais, a corrupção e o peculato, as guerras
>civis e a instabilidade política, etc., para explicar
>não o eventual fracasso do capitalismo, mas o seu não
>desenvolvimento. No caso concreto, julgo que os
>factores serão de todas as ordens. Mas daí a poder
>culpar-se o capitalismo pela deterioração dos índices
>da mortalidade infantil, da esperança média de vida e
>do rendimento per capita, julgo ir um abismo.
>
>O capitalismo, é claro, porque baseado na troca
>desigual, produz ritmos de desenvolvimento diferentes.
>Se as diferenças forem de molde a produzir a
>insolvência das sociedades menos desenvolvidas, o
>próprio sistema acabará por perecer. Por isso, é do
>seu próprio interesse o desenvolvimento geral, desde
>que se mantenham as diferenças relativas (de modo a
>viabilizar a troca desigual).
>
>O problema é que as diferentes sociedades não mostram
>idêntica ou aparentada capacidade de desenvolvimento,
>mesmo quando não lhes faltam os recursos, e se não for
>a globalização e a deslocalização muitas sociedades
>continuarão atrasadas e caminharão para a insolvência.
>
>Daí que o dilema que se coloca hoje à humanidade não
>seja acabar com o capitalismo, como pregam os
>comunistas (como se o sistema de que são defensores
>constituísse qualquer alternativa válida ao
>capitalismo), mas levá-lo para países e regiões em que
>não é dominante ou não está desenvolvido, e que sem
>ele não passarão da cepa torta. E isto para que umas
>regiões não sejam meras estâncias balneares onde os
>ricos capitalistas (e os seus assalariados) vão passar
>férias, e os trabalhadores locais passem a ser mais do
>que meros criados de servir, como acontece actualmente.
>
>Bastaria o cataclismo do recente maremoto no sudeste
>asiático para reflectirmos na falta que ainda faz a
>esses países e regiões um pouco mais de
>desenvolvimento capitalista.
>
>Tenha V. Ex.ª um resto de dia proveitoso.

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Re: Muito engraçado é cada poder dizer as asneiras que lhe apeteça.Luis Laranja 7/01/05 18:36:41


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