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Subject: Re: Posso meter uma colherada?


Author:
Luis Laranja
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Date Posted: 7/01/05 18:00:10
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Posso meter uma colherada?" on 7/01/05 15:58:22

Senhor Statter.

Julgo que o exemplo apresentado por V. Ex.ª pode ser revelador de muitas coisas, mas não de que o capitalismo não eleva o nível de vida das gentes a quem dá trabalho e dos povos das sociedades onde se transformou em modo de produção dominante.

Faláva com o Senhor Blanch acerca dos males que ele via na globalização e na deslocalização de empresas (entendidas como perversões do capitalismo), e era nesse sentido que me referia aos benefícios do capitalismo para os pobres que sempre viveram na miséria (relativa, é claro, e de que eles próprios poderão eventualmente não desejar sair).

Sendo um sistema económico-social baseado em determinados ingredientes - a troca intermediada pelo dinheiro e a acumulação - que provocou uma revolução económica e social como a História não conheceu antes, os seus benefícios são inquestionáveis, de qualquer que seja o ângulo por que seja analisado. Os clamores que contra ele se ouvem, nomeadamente por parte dos crentes no comunismo, são por isso destituídos de qualquer fundamento.

Como V. Ex.ª facilmente compreenderá, uma coisa é o capitalismo e a riqueza que ele pode criar; outra, bem diferente, é a capacidade das elites empresariais para o organizarem e gerirem; e outra, ainda, é a distribuição do produto e do excedente realizado, que cai na esfera do político.

No exemplo que V. Ex.ª referiu poderíamos ainda apontar outros factores, como as condições ambientais e culturais, perturbadoras, ou não, da transformação de populações não urbanas em trabalhadores fabris industriais, a corrupção e o peculato, as guerras civis e a instabilidade política, etc., para explicar não o eventual fracasso do capitalismo, mas o seu não desenvolvimento. No caso concreto, julgo que os factores serão de todas as ordens. Mas daí a poder culpar-se o capitalismo pela deterioração dos índices da mortalidade infantil, da esperança média de vida e do rendimento per capita, julgo ir um abismo.

O capitalismo, é claro, porque baseado na troca desigual, produz ritmos de desenvolvimento diferentes. Se as diferenças forem de molde a produzir a insolvência das sociedades menos desenvolvidas, o próprio sistema acabará por perecer. Por isso, é do seu próprio interesse o desenvolvimento geral, desde que se mantenham as diferenças relativas (de modo a viabilizar a troca desigual).

O problema é que as diferentes sociedades não mostram idêntica ou aparentada capacidade de desenvolvimento, mesmo quando não lhes faltam os recursos, e se não for a globalização e a deslocalização muitas sociedades continuarão atrasadas e caminharão para a insolvência.

Daí que o dilema que se coloca hoje à humanidade não seja acabar com o capitalismo, como pregam os comunistas (como se o sistema de que são defensores constituísse qualquer alternativa válida ao capitalismo), mas levá-lo para países e regiões em que não é dominante ou não está desenvolvido, e que sem ele não passarão da cepa torta. E isto para que umas regiões não sejam meras estâncias balneares onde os ricos capitalistas (e os seus assalariados) vão passar férias, e os trabalhadores locais passem a ser mais do que meros criados de servir, como acontece actualmente.

Bastaria o cataclismo do recente maremoto no sudeste asiático para reflectirmos na falta que ainda faz a esses países e regiões um pouco mais de desenvolvimento capitalista.

Tenha V. Ex.ª um resto de dia proveitoso.

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Replies:
Subject Author Date
Muito engraçado.observador curioso 7/01/05 18:10:32
Re: Posso meter uma colherada?Guilherme Statter 7/01/05 19:15:36


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