| Subject: Re: Caro Marcos Perestrello |
Author:
Jorge Cordeiro
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Date Posted: 25/04/05 8:41:34
In reply to:
Marcos Perestrello
's message, "Caro Jorge Cordeiro" on 25/04/05 8:38:28
Lisboa, 22/04/05
Caro Marcos Perestrello
Na sequência e em resposta ao Fax por si enviado que agradecemos, queremos, com igual franqueza, deixar em definitivo sublinhada a nossa avaliação e resposta.
1. A disponibilidade manifestada pelo PCP para o exame das possibilidades de reedição de uma coligação em Lisboa, expressa na iniciativa da promoção de um encontro com esse objectivo, traduziu um empenhamento sério na construção de uma solução capaz de assegurar uma viragem na gestão municipal conduzida nos últimos quatro anos. Empenhamento este que explica que, mesmo num quadro em que repetidas declarações de responsáveis do Partido Socialista e os passos dados na concretização pública da sua reduzida possibilidade de construção, em base aceitável de uma nova coligação, dela não tivéssemos desistido sem esgotar todas as possibilidades. Fizemo-lo sobretudo a pensar na cidade e numa experiência de dez anos que, com erros e omissões, avaliamos positivamente.
2. Foi sublinhado pelo PCP, nos dois encontros realizados, que a concretização de uma coligação era inseparável da verificação de algumas condições mínimas e indispensáveis: a clara disposição para inverter o rumo da actual gestão e relançar um projecto para a cidade assente em critérios democráticos, transparentes e participativos, que pressupõe desde logo a rectificação de decisões comprometedoras da actual maioria; o reconhecimento do papel determinante do PS e PCP para a sua viabilização e construção; o respeito pelo percurso, presença e património de intervenção do PCP nas autarquias da cidade construído ao longo de mais de 30 anos.
3. Com toda a clareza, e igual franqueza, sublinhámos que a reedição de uma coligação em Lisboa, pelo seu significado e dimensão nacional, e num quadro de distintos projectos autárquicos nacionais e bem diferenciadas concepções de poder local (como a prevista adulteração da lei eleitoral para as autarquias agendada para o próximo dia 28 revela) era inseparável de nela não haver uma posição de hegemonia e de comando, condição que justificou e viabilizou as condições anteriores.
4. A concepção de uma coligação baseada no reconhecimento recíproco do papel dos dois principais partidos é, a nosso ver, condição essencial ao êxito da coligação e uma garantia de desenvolvimento da sua actividade de acordo com os seus principais objectivos e programa. E em nada contraditório com o possível e desejável alargamento a outros partidos, designadamente ao Bloco de Esquerda e ao Partido Ecologista “Os Verdes”.
5. A construção de uma coligação, recusando quaisquer concepções que visem transformar o PCP em força de apoio a projectos e objectivos eleitorais de outros, é não apenas uma questão de respeito pelo percurso de intervenção autárquica do Partido e da CDU na cidade, mas também condição de construção e concretização de um projecto político com o qual se possa identificar e acompanhar.
6. Os princípios agora enunciados pelo PS não correspondem às considerações que claramente expusemos como elementos irrenunciáveis à reedição da Coligação e que nos pareceu terem sido admitidas pela vossa parte na passada quarta-feira. São inteiramente legítimas as pretensões do PS em poder dispor de uma hegemonia de posições e de um papel determinante na coligação. Como são inteiramente legítimas e compreensíveis as razões que levam o PCP a considerar que a sua subalternização na Coligação não dará as garantias julgadas suficientes de concretização de um projecto político alternativo para a cidade, razão primeira e determinante para a existência da coligação.
7. A impossibilidade real de uma coincidência de opiniões em questões essenciais, agravada pela escassez de tempo para um processo mais demorado que eventualmente a pudesse resolver, leva-nos a considerar esgotado um processo de diálogo que a continuar só se poderia traduzir num acumular de atrasos prejudicial para ambos os partidos e favorecedor da dinâmica da candidatura do PSD que se deseja ver derrotado. Perante a não aceitação por parte do PS de questões que estiveram na base do pressuposto de uma nova reunião, não vemos por isso razões para a sua realização que, à partida e tendo em conta o conteúdo da vossa resposta, se sabe não conduziria à solução desejada.
Com estima e saudações democráticas.
Pelo Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português
Jorge Cordeiro
In http:/forumcidade.blogspot.com (da Comissão Concelhia de Lisboa do Partido Socialista)
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