| Subject: anti-visitante 1 |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 10/08/05 10:51:56
In reply to:
Visitante
's message, "Onde mora o marxismo? Resposta a PF" on 9/08/05 17:42:21
1 – de todo este longo texto fica outra vez a ideia (o idealismo diria o visitante) que ter ideias é ser idealista. O idealismo, é o primado do espírito, absoluto, universal ou transcendente, prévio à materialidade. O marxismo é anti-idealista e é materialista. Mas considera as ideias, a sua base histórica, social e sensorial, como pertencendo igualmente ao mundo material, no sentido que são produto do cérebro, e da relação que estabelece com outros cérebros e com a natureza.
A certa altura pressente-se que a arremetida contra o suposto idealismo dos comunistas é sobretudo contra o facto das ideias representarem de forma incompleta, deformada ou errada a realidade. Neste ponto de vista, teríamos então a noção de que idealismo é ter ideais erradas. O que sendo um tanto heterodoxo face à nomenclatura vigente, poderia servir de base para algum debate.
Outra coisa própria do idealismo em geral é o afunilamento da explicação da história e da economia para o papel das ideias, como se aquelas, a história e a economia, fossem o produto do espírito e não o contrário. Há por aí muita argumentação vulgar que de facto sustenta a explicação dos insucessos, incluindo as derrrotas dos trabalhadores e dos comunistas, como assentando apenas ou quase em ideias erradas. E isso, não sendo marxismo, apresenta-se como tendo uma aparência do dito que dá ao flanco aos ideólogos do estilo do visitante.
Mas há igualmente um grave desvio no marxismo prático, e que consiste em vulgarizar o materialismo e colapsar a importância das ideias. É o que podemos chamar de teologia das condições objectivas, supostamente incontornáveis e que portanto, o que teríamos de fazer, seria esperar pelo amadurecimento das condições objectivas, porque desse modo a revolução viria automaticamente. Desse ponto de vista, todo o enfoque nas condições subjectivas seria uma forma de idealismo.
Contra este ponto de vista determinista, fatalista e paralisador, mecanicista e que representa no campo da IIIª Internacional a subsistência de todo o espírito e matriz da IIª, ergueram-se marxistas de enorme acutilância como Lukacks e Gramsci.
Gramsci disse nos anos 20, contra os mecanicistas, que o homem é sobretudo o produto da história mais do que da sua natureza (biológica, animal). Isto é, o homem e o movimento dos homens representam antes de tudo, um processo de consciencialização. De tomada de consciência, passe a redundância. A consequência principal desta constatação é que o espaço de acção consciente, livre e libertadora, está precisamente no apuramento dessa consciência, dessas condições subjectivas, pois que são estas que mostram antes de tudo plasticidade e capacidade de evolução, mais do que as ditas incontornáveis condições objectivas. No fundo, a falta de condições objectivas tantas vezes evocada como explicação para a inércia, deixa nesta abordagem de servir de desculpa para não se batalhar por novas ideias e por uma nova consciência, onde a ideia comunista ocupará sempre um lugar orientador desse ganho de consciência.
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