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Subject: anti-vistante -2


Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 10/08/05 12:10:18
In reply to: Visitante 's message, "Onde mora o marxismo? Resposta a PF" on 9/08/05 17:42:21

2 – o nosso visitante acha que as forças produtivas “dependem” “com toda a propriedade” da relação social estabelecida por pessoas concretas na produção”. Também “dependem” poderíamos concordar. Isto é, a máquina a vapor sucedeu nos alvores do capitalismo (modo de produção que envolve uma relação de produção) e se alguma coisa em esboço teve lugar na cabeça de algum sábio em épocas anteriores (Arquimedes?), isso não passou de curiosidade excêntrica. Tudo depende do conceito de dependência e determinação. Da força mecânica ou meramente condicionadora ou em qualquer outro grau de associação.

O nosso visitante acha mal que se chame à força de trabalho força produtiva. Acha que a nomenclatura – que não foi criada por Marx – está errada e é confusa. Tudo bem, essa é uma discussão menos filosófica. Que nos proponha então uma nova.

O nosso visitante acha que Marx e os comunistas em geral terão inventado a ideia de que as forças produtivas engendram ou produzem relações de produção. Se a história for olhada com distanciamento, sabemos que a determinadas formações económicas correspondem a instrumentos particulares de produção e a uma dada demografia da força de trabalho. Essa associação não deve ser contudo usurpada pelo desvio tecnocrático que nos quer fazer dar o salto lógico de considerar que a história é um produto da tecnologia. Que é portanto uma tecnocracia. Que Marx era antes de tudo uma espécie de tecnocrata antes de tempo.

Esse desvio que prioriza o desenvolvimento técnico em detrimento do desenvolvimento de relações de produção mais avançadas foi e é fonte de confronto entre a social-democracia e o marxismo e no campo marxista muitos comunistas adoptam um ponto de vista social-democrata nesta matéria. Por exemplo, é conhecida a mania do desenvolvimento das forças produtivas na retórica do PCUS e de Estaline e em períodos mais recentes, com evidente conservadorismo na relação assalariada de produção. Isso foi e é motivo de enormes divisões entre comunistas, pois que para muitos, incluindo eu, esse ponto de vista tecnocrático, social-democrata, é inaceitável e fonte de muitos males.

O que os materialistas históricos sublinham é que as forças produtivas encontram maior espaço de desenvolvimento quando enquadradas por determinadas relações de produção. E se a pressão de crescimento ou de desenvolvimento (que pode ser exercida negativamente pelo crescimento de necessidades não satisfeitas) das forças produtivas fica contida ou impedida de prosseguir, essa crise suscita o aparecimento de novas relações mais favoráveis.

Os marxistas vão até mais longe pois dizem que a dialéctica de desenvolvimento de uma nova formação económica está mais dependente da amplitude espacial das novas relações de produção do que do mero desenvolvimento tecnológico. Para não dizer até que são as novas relações de produção que acabam por pressionar o desenvolvimento tecnológico. Neste sentido, com Ellen Maiksens Wood, podemos dizer que não foi a revolução industrial que gerou o capitalismo, mas foi o capitalismo que deu origem à revolução industrial inglesa no século XVIII e XIX. Este ponto de vista está fortemente ancorado nas observações acerca do capitalismo agrário inglês no século XVII, inicialmente compaginado por Marx nos Grundrisse, e recentemente aprofundado por EMW no seu “The Origins of Capitalism”.

O visitante acha que os comunistas dão total primazia às forças produtivas e parte dessa deformação para argumentar. É um bocado como o cavaleiro da triste figura atacar moinhos de vento. Mas não deixa de ser uma discussão muito antiga e já um bocado fastidiosa…

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Replies:
Subject Author Date
anti-visitante - 3paulo fidalgo10/08/05 13:09:40
    No remanso do descanso, mais umas achas para a fogueiraVisitante21/08/05 1:21:31


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