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Subject: A metafísica e a moral: os dois fundamentos da revolução comunista proletária.


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Date Posted: 23/08/05 22:32:13
In reply to: paulo fidalgo 's message, "2 perguntas" on 23/08/05 10:40:30

Paulo Fidalgo.

Esclareço-o, na medida do possível, embora não haja muito para esclarecer, dado que as respostas às suas duas perguntas se encontram no texto. De qualquer modo, aqui vão, brevemente, os esclarecimentos possíveis.

O conceito “forças produtivas” é um conceito do Marx, não da economia clássica. Nalgumas definições, nomeadamente, nas mais estáveis, constantes dos textos referentes à crítica da economia política (“Contribuição para a crítica…” e “O Capital”), o conceito designa os “meios de produção” e a “força de trabalho”; noutros textos anteriores as designações são um pouco mais fluidas. Tomando como fidedigna a representação dos “meios de produção” e da “força de trabalho”, os factores produtivos em geral, verifica-se que o conceito designa objectos materiais, que de facto não estão além do mundo físico. Não é por essa razão, aliás, que o designo por conceito metafísico, porque a qualidade metafísica não lhe advém da natureza física dos objectos que designa, mas das propriedades que lhes são atribuídas.

O conceito é metafísico porque apesar de designar objectos materiais, tais objectos parecem existir por si e para si, provindo do nada ou da natureza, como se não fossem objectos produto de uma relação social determinada, e existindo em interacção (dado que é o seu uso interactivo que de facto lhes confere a qualidade de factores produtivos) igualmente fora de qualquer relação social; é-o também quando lhe atribuem necessidades de desenvolvimento, qualidades supostamente pertencentes apenas aos seres vivos, e, nas sociedades humanas, aos seres humanos; e é-o, ainda, quando o apresentam com capacidade de entrar em contradição com as relações de produção, quando tal capacidade, nas sociedades humanas, estaria reservada aos seres humanos e não às coisas. Mas as qualidades metafísicas do conceito não se ficam por aqui, porque também lhe são atribuídas capacidades transformistas, nomeadamente, quando o transformam no proletariado, ou, ainda, quando lhe atribuem pretensas capacidades de se transformar em novas forças produtivas e em novas relações de produção. Julgo que estes exemplos do uso que é feito comummente do conceito forças produtivas são suficientes para qualificá-lo de conceito metafísico, apesar da materialidade dos objectos que ele supostamente representa.

Mais uma vez, atribui-me uma afirmação que não proferi, engano só atribuível a deficiente leitura. Em lado algum denomino o “conceito de “exploração capitalista” como sendo “um juízo moral””. No exacto local que refere está o texto: “Neste caso, a contradição fundamental entre o proletariado e a burguesia seria a expressão da revolta do proletariado contra as “relações de produção” burguesas, contra o capitalismo, não já porque estas “relações de produção” entravassem o desenvolvimento das “forças produtivas”, mas porque a classe explorada do capitalismo não toleraria mais a exploração de que é alvo. Trata-se, então, de substituir como causa da revolução social uma contradição social por um mero juízo moral!”. Como pode confirmar por uma leitura mais atenta, o que aqui se refere como juízo moral é não tolerar a exploração de que é alvo. De qualquer modo, tudo o que podemos fazer acerca duma relação social que os homens estabeleceram independentemente da sua vontade – o salariato – e acerca do seu conteúdo é emitir juízos morais.

A exploração não constitui qualquer contradição causadora da revolução social; os explorados de qualquer época nunca foram os promotores de revoluções sociais que tenham constituído qualquer progresso social assinalável. Na sociedade capitalista, ao contrário do que sucedia noutras sociedades anteriores, a exploração resulta duma coerção meramente económica, pelo condicionamento que aparentemente o mercado impõe aos preços das mercadorias que os produtores se apresentam a vender, e que resulta numa troca desigual. Os proletários, ao contrário de todos os explorados anteriores, enquanto cidadãos livres, têm a possibilidade de lutar pelos seus interesses, nomeadamente, pela alteração do preço da mercadoria de que são vendedores e, através dela, pela alteração da proporção da distribuição do produto social, mas não têm qualquer interesse especial no desenvolvimento da produtividade nem da capacidade produtiva social. Este sempre foi um interesse dos proprietários ou usufrutuários mais dinâmicos dos factores produtivos, não dos explorados de qualquer época.

O marxismo, porém, transformou os proletários em interessados no desenvolvimento das “forças produtivas”, coisa da qual eles não são proprietários (recorde-se que venderam a força de trabalho, cujo uso, enquanto factor produtivo, é de propriedade do capitalista) e no desenvolvimento da qual não têm qualquer interesse especial. A partir dessa identificação arbitrária, transformou uma divergência de interesses acerca de preços de mercadorias numa contradição causadora da revolução social. O que podemos fazer acerca da exploração e da eventual vontade de acabar com ela é do domínio da moral; transformar um juízo moral em causa da revolução social julgo ser abusivo. Você está no seu direito de tecer sobre a exploração capitalista algo mais do que juízos morais, mas seria bom atentar em que nenhum dos intervenientes – proletários e burgueses – pré-determinou o estabelecimento da relação salarial de que são actores nem da indignidade que dela resulta. Transformar a indignidade dos termos da troca da mercadoria força de trabalho em capacidade revolucionária para acabar com a exploração julgo ser pretensão demasiada, que cai no domínio do idealismo, na sua vertente de futurologia voluntarista.

Convinha que você se entretivesse a ler um pouco o Marx, ao invés de recitar passagens mal compreendidas duma cartilha já gasta que dá pelo nome de marxismo-leninismo, para se abalançar a rebater as ideias que tenho apresentado sobre o logro da revolução comunista proletária. Assim, talvez pudéssemos avançar um pouco mais. Remeter-se a comentários despropositados e à colocação de dúvidas sobre questões tão evidentes, não ajuda à paciência. Não tenha receio, porque ninguém, muito menos eu, lhe levará a mal se continuar crente no marxismo e no comunismo. Cada um é livre de acreditar no que quiser e de ter as manifestações de fé que entender. Defender a sua fé no comunismo nos termos em que o faz é que me parece já um pouco ridículo.

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Subject Author Date
metafísica e moralpaulo fidalgo24/08/05 11:28:37
Uma colherada na sopa filosoficaPaulo J. N. Silva27/08/05 7:54:57


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