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Subject: Conto de Verão


Author:
João Miguel Tavares
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Date Posted: 12/08/05 19:18:21
In reply to: Nuno C. Costa - Oeiras 's message, "A Ota e o TGV" on 2/08/05 19:28:51

Não se pode dizer que Miroslav Pielsen fosse um homem corrupto. Ele apenas conhecia, com exactidão, certos declives obscuros do ordenamento jurídico do País, e demonstrava uma habilidade invulgar para aproveitar a elasticidade dos tribunais na interpretação das leis. Nada lhe dava mais prazer do que isto provar que um negócio eticamente reprovável era, afinal, legalmente possível. Graças a este talento, Miroslav Pielsen conquistou uma posição de relevo no Banco da Patagónia e, mais tarde, com a ascensão do seu partido ao poder, um lugar de ministro no Governo do País.

Foi aí que ele efectuou o Grande Feito da sua vida. Afirmação que deve ser entendida da seguinte forma foi aí que concretizou um negócio inadmissível aos olhos de todos - "uma vergonha pública", chegou a ser escrito - sem, no entanto, quebrar qualquer lei do País e, portanto, sem ter de responder por isso. Miroslav Pielsen começou a trabalhar no Grande Feito ainda no Banco da Patagónia. Em resumo, foram estes os três passos do negócio: 1) O Banco da Patagónia comprou terrenos baratos nos arredores da capital do País. 2) O ministro convenceu o Governo da necessidade de realizar uma grande obra pública naqueles terrenos. 3) O Banco da Patagónia foi uma das instituições escolhidas para financiar a obra. Após sair do Governo e regressar ao Banco da Patagónia, agora como administrador, Miroslav Pielsen, em momentos mais libertos, explicava como tinha conseguido que o Banco emprestasse dinheiro a outros para comprarem o que era seu, ganhando duas vezes, primeiro com a venda e depois com os juros. Sempre que lhe falavam em "princípios" respondia assim: "Princípios? Estão muito desvalorizados face ao dólar."

Não se pode dizer que Miroslav Pielsen fosse um homem corrupto. Nunca deixou de pagar os impostos. Nunca, em toda a sua vida, quebrou uma única lei. Na verdade, Miroslav Pielsen considerava-se um cidadão exemplar.
João Miguel Tavares

jmtavares@dn.pt

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