Author:
João Morgado Fernandes
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Date Posted: 24/08/05 10:14:56
In reply to:
Jerónimo de Sousa
's message, "Sobre a reunião do Comité Central" on 23/08/05 19:45:32
Editorial
A esquerda três em um
Soares e Cavaco vão envolver-se num combate essencialmente ideológico. À partida, o antigo presidente surge em vantagem. Resta saber se o 'excesso' de apoios à esquerda não hipotecará o centro
João Morgado Fernandes, DN, 24/08/05
O PCP sempre teve das eleições presidenciais uma visão muito pragmática. De cinco em cinco anos, os comunistas ajudam a eleger um candidato de esquerda, mas, pelo caminho, aproveitam a campanha eleitoral, nomeadamente os preciosos tempos de antena e debates na televisão, para fazer passar a mensagem do PCP. O pragmatismo vai até à boca das urnas, com a desistência do candidato próprio quando isso se torna necessário, nem que seja preciso "engolir sapos", como Cunhal fez com Soares.
Nesse quadro, a escolha do candidato às eleições de Janeiro não poderia ter sido melhor Jerónimo de Sousa saiu-se muito bem da primeira experiência, em 1996, e o seu desempenho nas últimas eleições legislativas surpreendeu pela positiva. O facto de se tratar do secretário-geral do partido garante ganhos a dois níveis: na pureza da mensagem (quem melhor para defender as ideias do PCP que o seu secretário-geral?), e na própria oportunidade de exposição do líder, contribuindo para a sua afirmação pública.
A esta primeira candidatura da esquerda deverá juntar-se, nos próximos dias, uma patrocinada pelo Bloco de Esquerda, com objectivos muito semelhantes à do PCP.
Conforme o DN adianta hoje, a candidatura de Cavaco parece irreversível, sendo que Mário Soares já tem até uma data indicativa para a oficialização, no início de Setembro.
No espectro partidário com representação parlamentar, apenas o CDS poderá abster-se de apresentar candidato, já que o seu pragmatismo deverá passar por um apoio explícito a Cavaco.
Soares e Cavaco têm mais em comum do que parece. Emanam de um bloco central que tem a Europa como referência e não terão para o País soluções tão diferentes como os seus apoiantes imaginam.
Assistiremos assim, em Janeiro, a um combate essencialmente ideológico, em que Mário Soares tentará fazer o pleno da esquerda, enquanto Cavaco partirá do pleno da direita para obter votos ao centro.
Tendo em conta os resultados das legislativas, Soares parte com vantagem. Resta saber se, com tanta esquerda ao seu lado, não deixará escapar o centro.
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