Author:
Ruben de Carvalho, DN, 24/07/05
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Date Posted: 24/07/05 10:26:29
In reply to:
Paulo Sucena, Público, 23/07/05
's message, "Com imensa amargura" on 23/07/05 15:50:01
A impossível estabilidade
Ruben de Carvalho, DN, 24/07/05
Portugal percorreu nas últimas décadas um sinuoso percurso ideológico de associação de estabilidade governativa a apoios parlamentares de maiorias absolutas unipartidárias.
Uma conclusão desde já se impõe, proveniente aliás de situações inteiramente opostas nem uma maioria absoluta assegura automaticamente estabilidade governativa nem a estabilidade governativa é exclusivamente obtida mediante tal maioria.
As circunstâncias apontam duas evidências.
Por um lado, uma maioria absoluta parlamentar não significa só por si qualquer tipo de coesão interior que propicie estável governação. O caso do PS é exuberante o seu único factor aglutinador tem sido, ao longo dos anos, exactamente o anseio de conquista do poder, de preferência com maioria absoluta. Mas o problema é que a coesão - política, ideológica, mesmo histórica - é mínima: ao conquistar o poder, é exactamente o essencial factor unificador que desaparece e a suposta estabilidade nem aparece.
Em contrapartida, assiste-se por esse mundo à eficaz sobrevivência e actuação de executivos minoritários sustentada em acordos parlamentares interpartidários. Em geral, dois factores caracterizam tais situações uma consistente base programática para os acordos estabelecidos e uma prática do Executivo respeitando-os e aplicando-os. O que habitualmente implica políticos consistentes e experientes.
A maioria absoluta de Sócrates seria teoricamente um elemento de estabilidade; mas nenhuma estabilidade resiste à confusão dos protagonistas e à negação da política em nome da qual foi pedida.
Em três meses já se percebeu.
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