| Subject: Já admite que “haverá sempre necessidade de mudanças de propriedade... |
Author:
João Luís
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Date Posted: 12/07/05 22:02:44
In reply to:
paulo fidalgo
's message, "quem controla é o problema" on 11/07/05 23:40:48
1 - Responde o PF logo à cabeça do seu post “de facto assim será geralmente”, à minha pergunta “Mas quem controla os excedentes não é quem controla a “propriedade”?”
E o PF dá de imediato o exemplo da gestão privada do Amadora-Sintra…que em 1990 nem sequer estava construído…
Ora nós estávamos numa discussão sobre a Resolução Política do XIII Congresso de 1990, mais concretamente sobre as causas internas das crises registadas nos países socialistas.
Lembro-lhe em resumo, que a Resolução Política considera que nesses países socialistas se infringiram “cinco características fundamentais de uma sociedade socialista em construção e que se instituíram cinco traços negativos que estando inter-relacionados, se encontram na origem das gravíssimas crises verificadas.” Sendo estas:
“1º O poder dos trabalhadores, o poder popular, foi sempre considerado e afirmado como fundamental (…) na construção da sociedade socialista. (…). Verificou-se entretanto com a consolidação do Estado socialista (…) uma crescente degradação do carácter popular do poder. O poder popular efectivo foi sendo substituído por um poder político fortemente centralizado (…)
2º A democracia na sociedade socialista foi sempre considerada e afirmada como superior à democracia existente nos Estados capitalistas. (…) Verificou-se entretanto que a democracia política veio a sofrer graves limitações (…)
3º Foi sempre considerado e afirmado como fundamental na construção da sociedade socialista a propriedade social dos principais meios de produção (…). Verificou-se entretanto que, em numerosos casos, a edificação de uma economia socialista foi concebida e realizada com uma centralização excessiva da propriedade estatal (…). Por vezes com a eliminação de outras formas de propriedade e de gestão mais adequadas (…)
4º O papel dirigente do Partido Comunista (…) foi também considerado como fundamental na construção da sociedade socialista. Verificou-se entretanto que numa série de países a direcção do partido (…) veio a abafar a vida democrática interna do partido, instalando um sistema de centralismo burocrático (…)
5º Foi considerada na construção da sociedade socialista o importante papel desempenhado pela teoria, tanto para possibilitar o rigor das análises e orientações do Partido e do Estado, como para a intervenção dinâmica e criativa das massas quando ganhas pela teoria. Verificou-se entretanto que o marxismo-leninismo veio a impor-se (…) como doutrina do Estado. (…)
A não correcção atempada daqueles traços negativos veio a despoletar (…) situações de crise generalizada. (…)
2 – O PF nesta sua resposta mais uma vez reitera que “o cerne da questão é saber quem controla os excedentes”. Já admite que “haverá sempre necessidade de mudanças de propriedade. Isso não está em causa”, enfatiza, para logo a seguir desvalorizar ao admitir “no limite poderíamos até ter propriedade privada arrendada a empresas socialistas”…
E reduz a crise, nomeadamente da URSS, ao “capitalismo de Estado” que diz que “é a base “material” dos limites e da bancarrota da URSS. Do seu despotismo estatal.”
E insiste: “Sem que os comunistas rompam com este modelo (…) nunca mais os trabalhadores nos voltarão a dar confiança para sermos governo”.
Não sei a que comunistas se refere o PF dado que na Resolução Política se refere que “É porém certo que tanto no seu Programa e projecto próprio, como na sua prática e funcionamento interno, o PCP excluiu tais traços negativos que configuram um “modelo” que significa, não apenas um afastamento, mas o afrontamento do ideal comunista.”
3 – Receio, parafraseando a Resolução que também na sua análise a “repetição escolástica dos clássicos e de conceitos absolutizados” não permitirá “encontrar respostas criativas para as novas situações e problemas. A confusão entre informação e propaganda e o divórcio de ambas em relação à realidade, desarmaram os militantes, as massas e a juventude perante a ofensiva ideológica dos adversários. As deficiências no campo da teoria assumiram assim uma quota de responsabilidade em atrasos, erros e deformações verificadas.”
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