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Subject: quem controla é o problema


Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 11/07/05 23:40:48
In reply to: João Luís 's message, "Mas quem controla os excedentes não é quem controla a "propriedade"?" on 11/07/05 20:12:49

de facto assim será geralmente;

contudo, o hospital amadora sintra é propriedade do Estado e os excedentes, o lucro, são controlados pelos Mellos.

Portanto há a posse formal mas há também a posse útil dos excedentes.

A situação dos rendeiros, que alugam a propriedade agrícola para dela extrairem excedentes, que eventualmente acumulam é, exactamente, uma situação do mesmo tipo.

Aliás, para o marxismo moderno (Ellen Maiksens Wood), na esteira de Marx nos Grundrisse e no Capital, o capitalismo inicia-se com os rendeiros da agricultura inglesa a partir do século XVII ( e não dos burgueses comerciantes das cidades, como é tradicional dizer-se; neste ponto de vista, o capitalismo não é um mero processo de «comercialização»).

Aquilo que o movimento comunista «oficial» designou por propriedade "social" nunca passou de outra coisa do que propriedade estatal, onde os excedentes são controlados pelo Estado, sem qualquer participação relevante dos produtores directos. Com excepção dos kalkhoses (e no caso português, com excepção da Reforma Agrária).

A ênfase na mudança de propriedade apenas é, totalmente, insuficiente para formular-se uma nova iniciativa de mudança real.

Haverá sempre necessidade de mudanças de propriedade. Isso não está em causa. Mas o cerne da questão é saber quem controla os excedentes. No limite poderíamos até ter propriedade privada arrendada a empresas socialistas. Não controlavam a propriedade física, a raiz, a «nua propriedade», mas apropriar-se-iam dos execedentes. Isso não deixaria de permitir considerar tal solução como fundamentalmente socialista.

Quando a propriedade é do Estado e os respectivos operários são assalariados (por definição, o salário, em termos marxistas, nada tem que ver com os excedentes produzidos e é até, fundamentalmente, uma categoria deles dissociada) a situação nada tem que ver com socialismo, mas sim com capitalismo de Estado.

O capitalismo de Estado pode apresentar potencialidades de evolução para o socialismo. Isso é verdade. Mas também mostra potencialidades para evoluir para o capitalismo privado. Como o mostra a URSS e o caso das nacionalizações portuguesas.

Hoje vários marxistas modernos reconheçem que nesta matéria do capitalismo de Estado e da diferença que ele comporta em relação ao socialismo, se encontra muita ambiguidade em Lenine e na vanguarda vermelha bolchevique.

A vanguarda indiscutivelmente comunista da rússia soviética.

Isso é tão só o resultado de um estudo aprofundado das questões do poder, da propriedade e do controlo dos excedentes, não terem sido devidadamente equacionadas por eles - Por Lenine, Preobrajensky e Bukharine. Mas nunca podemos criticar os nossos extraordinários camaradas do passado por não terem ido suficientemente longe quando, nós, ainda vegetamos no mais miserável primarismo do pensamento. A nossa obrigação é a de retomarmos o marxismo no ponto em que eles o deixaram para nós o fazermos avançar. E eles deixaram-nos uma herança prodigiosa!

É também cada vez mais uma evidência que o capitalismo de Estado é a base «material» dos limites e da bancarrota da URSS. Do seu despotismo estatal.

Sem que os comunistas rompam com esse modelo e o superem nunca mais os trabalhadores nos voltarão a dar confiança para sermos governo e dirigirmos uma revolução.

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Replies:
Subject Author Date
controlar o excedente e a sua distribuicaoPaulo Silva12/07/05 0:47:38
Controle dos meios pelo estado e controle do estadoGonçalo Valverde12/07/05 18:45:09
Já admite que “haverá sempre necessidade de mudanças de propriedade...João Luís12/07/05 22:02:44


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