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Kátia Catulo, DN, 17/07/05
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Date Posted: 17/07/05 8:30:40
In reply to:
Ash
's message, "A Falencia do Estado" on 13/07/05 17:56:43
Alkatiri critica ONU em Timor
Kátia Catulo, DN, 17/07/05
Uma administração pública fragmentada, exército, polícia e justiça desestruturados é o diagnóstico que o primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri fez ontem do seu país no último dia dos Encontro da Arrábida dedicados a "Timor, cinco anos depois". E, para o chefe do Governo de Díli, a grande responsável por tudo isso é só uma as Nações Unidas.
A primeira missão da ONU em 1999, chefiada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello terá, segundo Alkatiri, começado da pior maneira. Ao desarmar as Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste (FALINTIL) "matou tudo o que era capital simbólico da resistência e um dos elementos de coesão nacional". A prioridade da ONU passou a ser a criação de um exército de raiz, cujo recrutamento, defendeu, não teve critérios de selecção e atirou milhares de ex-combatentes para a marginalidade.
A nova polícia organizada pelas Nações Unidas também não escapou às críticas do governante "Os primeiros agentes a serem recrutados foram ex-polícias indonésios e ainda hoje temos problemas por causa disso. A interferência da ONU, esclareceu Alkatiri, chegou ao ponto de "graduar vários polícias e até nomear um intendente" , função que, não estando prevista na missão de Sérgio Vieira de Mello, deveria ter sido da competência do Governo timorense.
Se o cenário para as forças da segurança é, segundo Alkatiri, tão pessimista, a sua visão da administração pública do país não é muito melhor. Mais uma vez, as Nações Unidas foram para o governo de Timor-Leste o principal responsável pela esmagadora maioria dos 12 mil funcionários públicos não ter as qualificações técnicas para desempenhar as suas funções. "Provavelmente, quando for a altura de fazer um novo recrutamento mais de seis mil pessoas não passarão nos testes", advertiu o chefe do Executivo timorense.
Contudo, o sistema judicial é o "pior sector herdado" da primeira missão da ONU, formado com recém-licenciados que não passaram por qualquer acção de formação. "O sistema judiciário foi aquele que mereceu uma intervenção mais drástica do nosso Governo, não só por inexistência de capacidade técnica como porque foi necessário introduzir uma formação ética e moral", salientou.
Foi neste contexto, explicou Alkatiri, que o país chegou ao primeiro e segundo Governo de transição, altura em que se inicia o processo de elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento e que define a Educação como a primeira prioridade. Só que para implementar um programa desta natureza seria necessário existir um aparelho estatal "Não havia Estado porque tudo era garantido por estrangeiros".
Resta saber o que acontecerá em Timor-Leste no dia em que os funcionários das Nações Unidas abandonarem definitivamente o território. Apesar de todas as falhas apontadas, Mari Alkatiri diz não estar demasiado preocupado com este cenário.
"A saída da ONU irá obrigar a maiores esforços por parte do Governo, mas a população de Timor já demonstrou não recear os desafios", salientou o chefe de Governo. Além disso, acrescentou, o trabalho de formação e de capacitação técnica, iniciado nos últimos anos, já permite, por exemplo, que 95% dos ministérios estejam cobertos por timorenses.
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