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| Subject: Catarina e os cronistas (I) | |
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Author: Ruben de Carvalho, DN, 03/12/05 |
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Date Posted: 3/12/05 10:31:17 Catarina e os cronistas (I) Ruben de Carvalho, DN, 03/12/05 Em períodos de campanha eleitoral assola a imprensa nacional um desmedido interesse pela história do PCP, num sistemático esforço para a rescrever (e, aliás, da luta contra o salazarismo em geral). O último episódio envolve o assassinato de Catarina Eufémia. O site do PCP na Net publica um dossier sobre o assunto que inclui reproduções de páginas de jornais clandestinos da época (1954), nomeadamente O Camponês e o Avante!. Meio século decorrido e tornado possível o acesso aos arquivos policiais, verifica-se que a narrativa dos acontecimentos que ali se faz corresponde inteiramente aos factos hoje historicamente documentados. Catarina fazia parte de um rancho de catorze homens e mulheres que exigiam aumento de jorna ao agrário proprietário da seara e que tentaram dirigir--se a um grupo de trabalhadores contratados numa aldeia vizinha para realizarem o trabalho. A versão ontem publicada pelo Público de que teria sido o facto de apenas se encontrar no terreno o feitor que, assustado, se dirigira a Beja para chamar a GNR é aqui inteiramente falsa, não resistindo sequer ao bom senso (há 50 anos, o feitor apavorado face a uma dezena de trabalhadores, a maioria mulheres, a correr de automóvel do meio dos campos de Baleizão até Beja e a GNR a chegar ainda a tempo do confronto!...). A verdade é que a GNR já fora chamada pelo dono da herdade exactamente para proteger o grupo contratado para "furar" a reivindicação e encontrava-se no local, cortando o passo ao grupo de que Catarina era - à semelhança do que acontecera noutras circunstâncias - um informal porta-voz. Com um dos filhos ao colo (deslocara-se para o trabalho com os três que tinha), Catarina enfrentou o comandante do destacamento, tenente Carrajola, foi por este agredida à bofetada e abatida com três tiros de metralhadora. Segundo as companheiras da ceifeira assassinada, ela encontrar-se-ia grávida, facto, como é óbvio, impossível de comprovar de qualquer outra forma que não fosse a autópsia. (conclui amanhã) [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |