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Subject: Quando Alegre for Presidente


Author:
Henrique Monteiro
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Date Posted: 6/11/05 12:34:20

Lisboa, 31/10/2005

Aos analistas políticos


Já muita gente especulou sobre como seria a Presidência da República com Cavaco Silva - cheia de curvas de Gauss, diagramas de Pareto e recados ao Governo. Também muitos fizeram o mesmo sobre uma Presidência de Mário Soares - repleta de sestas, festas e manifes contra a globalização. Porém, quase ninguém, ou por desconhecimento ou por não acreditarem na sua vitória, especulou sobre uma Presidência de Manuel Alegre.

Estando, porém, este último em segundo lugar das sondagens é altura de prepararmos os portugueses para a eventualidade de uma vitória e concomitante chegada a Belém do poeta. Que cenários poderemos traçar? O Presidente Alegre fará jus ao nome e à sua veia poética, ou pelo contrário? Vejamos.

No dia 9 de Março de 2006 o Presidente Alegre entra em Belém. Senta-se na secretária de Chefe do Estado e escreve:

«Ao fundo, no Tejo há caravelas

Que me fazem sonhar com novas Índias»

Ainda está a escrever quando entra um militar, ajudante de campo. O Presidente anota:

«Ó Pátria, que ditaste assim ter destes filhos»

Mas de novo é interrompido pela chefe da Casa Civil, que tem como experiência ter sido professora de Filologia Românica durante 23 anos na Faculdade de Letras e que lhe recorda que, por ser quinta-feira, há uma reunião com o primeiro-ministro. O Presidente pensa:

«De Sócrates a taça de cicuta

De Platão a República traçada.

De Aristóteles sai a fama alada

Que fez de Alexandre um filho...»

Mas, de novo é interrompido. Os 565 professores de Letras e 431 poetas que o apoiaram vêm celebrar com uma sessão de poesia. O próprio chefe do Governo, chegado para a reunião, é apanhado no turbilhão. Apesar de gritar, não consegue que o ouçam. No meio de declamações, o primeiro-ministro grita:

- E a Ota?

E respondem-lhe os poetas:

- Vai ao Totta!

- E o TGV?

- Faça-o você!

- E a crise?

- Que se organize!

José Sócrates rende-se e sai de Belém. Nunca mais lá volta. No palácio, Alegre organiza saraus culturais, jogos florais, batalhas de rimas, fados à desgarrada e jornadas de caça e pesca. O país evolui favoravelmente. Os campos florescem, porque os campos floridos são muito dados à poesia; nos rios e nos mares saltitam os peixes, os pássaros cantam nas árvores e nos ninhos. O Sol brilha, salvo quando a poesia melancólica obriga o céu a ser plúmbeo; o amor espalha-se, os namorados beijam-se e a infelicidade acaba.

De resto, Portugal mantém-se na cauda da Europa (como seria de esperar com qualquer candidato). Mas é o único país do mundo onde todos sabem o que é um florilégio.

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