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| Subject: O medo de ser rico | |
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Author: helena sacadura cabral |
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Date Posted: 6/11/05 16:12:51 In reply to: Clara Ferreira Alves 's message, "Homem rico, homens pobres" on 6/11/05 16:08:00 Se perguntarmos a alguém se deseja ser rico, é muito natural que a resposta seja afirmativa. E, no entanto, em Portugal, por uma qualquer réstia de influência judaico-cristã, a riqueza é encarada como uma espécie de crime ou de pecado, de que todos deveríamos redimir-nos. Ao contrário, a pobreza, apesar de ninguém a querer, é olhada como uma virtude que, em última análise, talvez nos permita entrar no reino dos céus. Na semana em que o dr. Jorge Sampaio teve a brilhante ideia de transferir para todos nós o ónus de provar a origem daquilo que temos, lembrei-me de como seria difícil saber a proveniência de várias coisas que recebi dos meus trisavós! E fiquei a matutar no caso. Dias passados, um dos meus netos perguntou-me se eu era rica. Soltei uma imensa gargalhada e respondi-lhe que, infelizmente, não era. Mas que ficasse descansado que alguma coisa havia de receber da avó paterna A conversa que tivemos está na origem desta crónica. De facto, ser rico ou ser pobre são conceitos de conteúdo muito variável de país para país, pesem embora as tentativas oficiais que insistem em pretender defini-los. Em Portugal existe, contudo, uma outra categoria a de "ser-se remediado". Economicamente absurda, ela pretende configurar uma bissectriz entre os dois domínios anteriores. Mas o que é uma pessoa remediada? Na linguagem corrente, alguém que possui o necessário para viver. E o que é o "necessário para viver"? Varia de pessoa para pessoa. Para mim, por exemplo, é poder pagar as minhas contas, ter um carro utilitário, uma casa confortável, comprar alguns livros e discos, saldar as despesas de saúde, ter empregada duas vezes na semana, e fazer pequenas extravagâncias, em que incluo algumas ofertas à família e uma viagem de férias por ano. Nada mais. É o que tenho. Mas, para isto, necessito de continuar a trabalhar, uma vez que o sistema de reformas do Banco de Portugal, tão invejado, e no qual me incluo, está, infelizmente, longe de ser igual para todos os que de lá saíram. Pena é que os media que tanto destaque deram a este tema se tenham esquecido de falar que coexistem na instituição duas categorias de reformados, cujo tratamento é substancialmente diferente. É, contudo, natural que quem tem menos do que eu e não tenha tido as minhas oportunidades me possa considerar "rica". Além destes conceitos, um outro provoca, ainda, maior confusão. É o de se "ganhar muito bem". De facto, em que categoria se coloca uma pessoa que recebe mensalmente um ordenado que ronda os 20 mil euros? Nos ricos? Nem sempre. Nos remediados? Dificilmente. Nos pobres? Seguramente que não. Então em que ficamos? Por mais estranho que pareça a resposta é depende! Na verdade, a riqueza costuma vir associada à noção de património detido. E este, naqueles que consideramos ricos, é habitualmente materializado em propriedades, bens, títulos, participações, enfim, numa diversidade de meios que o comum dos mortais desconhece. Quem tenha o salário atrás referido poderá entrar na categoria dos ricos se, diligentemente, o "aplicar" ou fizer "frutificar". Porque, se todos aqueles que ganham muito não investirem e se limitarem a gastar personificarão apenas a categoria dos que "vivem muito bem". A qual, julgo, raramente precisa de provar seja o que for Assim, os gastadores limitar-se-ão a pagar impostos indirectos. Esbanjar é, afinal, uma forma de liberdade consentida e o seu exercício raramente é penalizado, mesmo que se viva num país pobre! O que quer dizer que a "persecução" visa, sobretudo, a poupança e o investimento, o que não deixa de ser bizarro. Se alguém fizer um depósito a prazo de 20 mil euros ao miserável juro de 2% paga, logo à cabeça, para o Estado, 20% de imposto. Porém, quem o gaste - na maioria dos casos em sectores que nada interessam ao desenvolvimento do País - não é incomodado. Quando muito, é invejado! Em Portugal esta óptica conduz à compulsão de gastar e ao medo de investir. De ousar ser rico. Porque, sob o manto diáfano de uma legislação pretensamente igualitária, o que se visa é castigar e denegrir a riqueza. Esquecendo que, se ela não for fomentada, nada haverá para distribuir por aqueles que nada têm! [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Imposto Grandes Fortunas: AR discute projecto do Bloco | Bloco de Esquerda | 6/11/05 16:33:59 |