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Subject: Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 5


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 20/09/06 12:19:17
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 1" on 13/09/06 16:02:42

São diversas as vozes que hoje se levantam contra a actual possibilidade de "medir o trabalho" ou de medir o "tempo-de-trabalho", necessários para a produção de "coisas".
É interessante assinalar que essas vozes vêm muitas vezes de académicos com pouca ou nenhuma exposição ao mundo concreto das empresas. Os empresários e gestores empresariais, eles mesmos, continuam paulatinamente a "medir os tempos-de-trabalho" para assim poderem organizar as suas empresas e projectos. Sem esse processo de medida não havia emprego (regular ou precário...) para ninguém...
Ou será necessário lembrar, sublinhar e enfatizar que as empresas continuam paulatina e rotineiramente a "alugar mão-de-obra" (ou "força-de-trabalho" (ao dia, à semana, ao mês, ou ao ano...) ?...
É assim que encontramos em Negri – entre certamente muitos outros autores – a ideia de que não será possível medir o valor (do trabalho).
Em particular no mundo globalizado em que nos encontramos.

Atenção... A frase anterior é aquilo a que se chama um "lapsus linguae" da minha parte.
E dou-me conta de que provavelmente já terei incorrido nisso anteriormente.
Para falar com rigor deveria ter dito "a ideia de que não é possível medir o tempo-de-trabalho".
A esse respeito devo referir que já num escrito anterior (Nº 2 desta série...) tive ocasião de assinalar:

"Por outro lado, ao contrário dos seus antecessores "clássicos", Marx não considerava que o trabalho fosse a medida do valor de troca, mas sim que era o valor de troca que media o trabalho. Ou seja, e por outras palavras, porque todas as mercadorias são comensuráveis é que é possível a existência de dinheiro".

Entrando numa de picuinhas (e de dialéctica...) , dir-se-á então que, num primeiro momento analítico, o "tempo-de-trabalho" (socialmente reconhecido como necessário) é o que produz a quantidade de valor (a ser realizado no mercado ou, se preferirmos a expressão, "socialmente validado"...).
E num segundo momento analítico, é então justamente esta "validação social" (sob a forma de "valores de troca") que permitirá MEDIR o "tempo-de-trabalho" (socialmente reconhecido como socialmente necessário).

Pois bem, considerando o mundo tecnológico (e digitalizado em vivemos) Negri (*) diz-nos por exemplo:
"the possibility of measuring labour (that had more or less functioned during the period of accumulation) increasingly disappears".
e mais adiante:
"so far we have come to some conclusive remarks:
a) that the measure of value-labour, based on the independence of use-value, is impossible today;
b) that the rule of capitalist command that is imposed at the threshold of globalisation, annihilates the possibility of measuring, even monetary;
c) that the value of labour power is today posed in a non-place and that this non-place is immeasurable [smisurato]. This means that it is out of measure but also beyond measure [oltre misura]"
.

Sublinhados meus...
A este respeito devo assinalar que uma tal asserção - destes autores àcerca de uma alegada impossibilidade de medir o "tempo-de-trabalho" - parte de uma leitura datada dos escritos de Marx.
Quero eu dizer que as teses de Marx são lidas, por esses autores, não como eventuais descobertas científicas de caracter atemporal – ainda que referidas ou aplicadas a um sistema histórico concreto – mas como com sendo descritivas do modo de funcionamento próprio e específico do referido sistema histórico concreto, ou seja, do sistema capitalista tal como ele funcionava em meados do século XIX, entre a primeira e a segunda revolução industrial.

Prometo acabar dentro em breve...

(*) Em "Value and Affect", sem data. Ao que me dizem, faz parte de um capitulo de "Império")

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Subject Author Date
Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 6Guilherme Statter21/09/06 0:19:37


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