Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your
contribution is not tax-deductible.)
PayPal Acct:
Feedback:
Donate to VoyForums (PayPal):
| 19/04/26 6:14:58 | [ Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1, 2, [3], 4, 5, 6, 7, 8 ] |
| Subject: Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 6 | |
|
Author: Guilherme Statter |
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 21/09/06 0:19:37 In reply to: Guilherme Statter 's message, "Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 1" on 13/09/06 16:02:42 O Problema da Medida Uma outra reflexão que se impõe é a seguinte: a leitura dos autores que alegam a impossibilidade da "medida do valor pelo tempo-de-trabalho", transmite a sensação de que só em análise económica marxista é que se põe o problema de uma eventual impossibilidade de medida. Como se as outras abordagens da realidade económica não tivessem problemas operacionais de medida. Ou ainda se noutras ciências não houvesse sequer um problema de medida. É aliás do problema da "medida" que vem a distinção de umas ciências ditas "exactas" ou "duras" e outras ciências ditas "suaves" ("soft"), exactamente porque aí o problema da medida seria muito mais "complicado". A esse respeito é (font size="2">mas não deveria ser) necessário lembrar de que em rigor não há "medidas exactas". A exactidão é um ficção teórica, útil (sem dúvida) mas uma ficção teórica. Mesmo no campo de Química Nuclear, o que me faz lembrar o quebra-cabeças da minha adolescência de tentar perceber porque é que os números (pesos) atómicos tinham aquelas casas decimais todas.... No mais prosaico campo das técnicas de gestão, uma das últimas modas em aproximação à exactidão é o TQM (ou "Total Quality Management") e o famigerado padrão de "Seis Sigma". Que é como quem diz, "menos de 3,4 defeitos por cada milhão de ocorrências" (em quaisquer processos administrativos, de venda e criação/design de "coisas" ou na fabricação de componentes electrónicos...). Neste contexto, o primeiro problema que aqui se levanta – tal é o desafio lançado aqui pelo FPR – será o de demonstrar que o critério de medida mais adequado para medir o "trabalho" (assim a modos que a "substância material constitutiva do valor" de que cada mercadoria está impregnada), será o de "tempo-de-trabalho". Embora FPR não nos ofereça aqui directamente qualquer outro critério, creio não estar enganado – se bem me lembro – de que já terá um dia sugerido o critério de "conhecimento incorporado" (nas coisas e nos serviços...). Basicamente a lei do valor diz-nos que as "coisas" (bens, mercadorias e serviços) tendem a trocar-se na proporção directa dos tempos-de-trabalho socialmente reconhecidos como sendo necessários à sua produção. Por outro lado - repete-se - Marx definia a "substância" do valor com sendo o "trabalho" (imagino/suponho que quando FPR reconhece ou considera o trabalho como "a fonte do valor" não terá problema em aceitar a ideia do trabalho como a substância do valor), e Marx propunha ainda que a forma ou critério para medir a sua dimensão (da tal substância do valor) seria então o "tempo-de-trabalho" (Marx, 1979 – página 131). Já anteriormente indiquei onde é que Marx "demonstra" que a única coisa (ou critério) que é comum a todos os "valores" (quer vistos como valores-de-uso quer vistos como valores-de-troca) é o "trabalho" (a tal "substância material constitutiva do valor"). Sendo todos e quaisquer bens mercantis assim como todos e quaisquer serviços (que possamos imaginar) de uma variedade "infinita" (passe a falta de rigor na linguagem... Deveria talvez escrever "indeterminada"...), se queremos "medir" o quer que seja dessa multitude de coisas e/ou serviços tão diversificados e distintos entre si, de modo a que todas essas "coisas" sejam comensuráveis, deveria ser evidente que é necessário um qualquer critério comum a todas essas "coisas". Por mim, lamento mas é mesmo assim: Não consigo pensar num outro critério (comum a todas essas coisas) que seja mais adequado, para além do "trabalho (reconhecido como) socialmente necessário". O outro critério proposto como alternativa (pela escola marginalista) é justamente o da utilidade. É sem dúvida alguma um critério também ele de aplicação universal ao tema da "medição do valor". O segundo problema que então se levanta é o de como medir esse "'tempo-de-trabalho'" socialmente reconhecido como sendo necessário à sua produção". Vejamos então uma definição da coisa aqui a medir, ou o "mensurando": Para Marx - repete-se - "Tempo-de-trabalho socialmente necessário é o tempo-de-trabalho requerido para produzir um qualquer valor de uso nas condições normais de produção de uma dada sociedade e com o grau médio de competência e intensidade de trabalho prevalecente nessa sociedade. (Marx, 1979 - página 129) Sublinhados meus. Desde logo alguns comentários: 1. Ao escrever "uma dada sociedade", Marx estaria a ser historicista. Ou seja, aquela definição só seria válida para o século XIX em que vivia. Hoje teríamos que transpôr a mesmíssima ideia – sem a alterar - para a sociedade humana como um todo. Globalizada… Não há aqui lugar para expressões como "uma dada sociedade". Se quisermos "forçar" a ideia, dir-se-á que tal como não há uma geometria euclidiana "portuguesa" ou "chinesa", também não há uma economia política "portuguesa" ou "chinesa". Isto, claro, se quisermos ver estas coisas com o necessário grau de abstracção. Haverá, isso sim, é uma "economia política" aplicada à situação desta ou daquela fracção politico-territorial da sociedade humana. É como a meteorologia: não há um clima "português", há muitos micro-climas e a chuva e o vento não conhecem fronteiras. 2. No que diz respeito às "condições normais de produção", e "grau médio de competência e intensidade de trabalho", Marx não poderia ser mais simples, básico ou fundamental. Não passa pela cabeça de um botânico, por exemplo, exigir que todas as plantas de uma determinada espécie sejam iguais (em tamanho, em altura, em distribuição pelo solo...) para mesmo assim poder estudar os múltiplos processo que determinam ou condicionam o crescimento e morte dessas quaisquer plantas. Com o seu código genético específico, único e peculiar. Mas pelos vistos ninguém (ou pouca gente...) se incomoda com a reclamação de alguns estudiosos das coisas humanas de que todos os trabalhadores (ou grupos de trabalhadores e/ou empresas) fossem iguais, (exactamente iguais?...) de modo a assim poder comparar (medir) o valor das suas produções por via da comparação dos respectivos "tempos-de-trabalho". Como a diversidade humana é por demais evidente. torna-se assim fácil descartar a hipótese de medir o valor das coisas atrav´s do valor do "tempo-de-trabalho". De passagem vão para o caixote do lixo da História uns milénios de Filosofia e a ideia de "abstracção"... 3.Como assinala o economista mexicano Alejandro Valle Baeza (em "Prices for Regulating and Measuring Marxian Labor Values"). "O trabalho humano tem que ser medido de modo a poder ser organizado e as maneiras como são feitas essas medidas juntamente com os êrros (normais) de medida que acompanham esse processo (de medida) têm efeitos reais. Esses erros determinam aspectos importantes da nossa realidade diária. De modo a organizar o trabalho é necessário levar em linha de conta (o facto de) que os meios de produção têm distintas durações de vida útil. que os diversos processos de laboração têm eficiências distintas devido a uma variedade de causas, que o desempenho de certas tarefas requer habilidades mais competentes que outras, etc." Vale a pena traduzir o resto do texto… "De acordo com Marx temos um "mensurando" (o valor) e duas medidas (o preço e o tempo de trabalho). No mínimo isto parece confuso senão mesmo contraditório. Mesmo Ricardo inverteu o mensurando e a medida ainda que se deva dizer que Ricardo avançou bastante na definição do mensurando. Para ele o trabalho incorporado era o trabalho directo e indirecto gasto na produção de cada mercadoria. É esta a primeira aproximação à definição do mensurando. Ricardo tocou também no problema do trabalho qualificado e concluiu que tal tipo de trabalho afectava as diferentes industrias quase que na mesma proporção. Por essa razão a existência de trabalho qualificado não alteraria a influência dos salários sobre os preços. E noutra parte do texto: "A melhor definição do mensurando é assim o valor do trabalho (de Marx) e não o trabalho incorporado (de Ricardo). Marx definiu o mensurando como sendo o valor correspondente ao trabalho abstracto socialmente necessário para produzir as mercadorias. O trabalho abstracto é um requesito (básico, fundamental, condição necessária...) para a existência de trabalho cooperativo. Só assim se pode considerar a quantidade total do trabalho gasto na produção de uma qualquer mercadoria em particular como sendo uma porção do trabalho social. Sublinhados meus. Temos então que foi Marx quem introduziu na análise o conceito de trabalho em abstracto e indiferenciado. Só assim é possível somar 2 horas de um engenheiro, com 20 horas de um serralheiro ou com 1 hora de um criativo. Ou então 1 hora de um biólogo com 3 horas de um farmaceutico ou 5 horas de um instrumentista. E é simplesmente isso que leva Valle Maeza a defender a tese de que a definição do menusrando por parte de Marx é mais avançada do que a de Ricardo. Estou quase a acabar... [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Marx, Lei do Valor, Tempo-de-Trabalho e "Demonstração" - 7 (The End) | Guilherme Statter | 21/09/06 11:26:13 |