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| Subject: Bem aventurados os crédulos, pois será deles o reino dos céus! | |
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Author: Bento XXI |
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Date Posted: 10/05/06 19:29:17 In reply to: Beneditos 's message, "A questão é velha como o ovo e a galinha!" on 10/05/06 17:19:48 Pois é, meu filho, vivemos no Mundo da imaginação... Vemos searas, imaginamos pão; vemos trocas e imaginamos todos satisfeitos, porque tudo se troca pelo seu valor e ninguém enrola ninguém. É o puro mundo do sonho... Por isso, dizemos: o lucro nasce na produção (ainda que aqui nasçam produtos, e o lucro apareça sob a forma de dinheirinho, proveniente da troca de mercadorias entre pessoas, e não sob a forma de produtos). Não nos apercebemos que no meio desta estória há um eterno enganado (para além das trapaças que os capitalistas tentam fazer uns aos outros). Já teve vários nomes, este bombo da festa, o mais prosaico deles ainda é: o mexilhão. Se um dos intervenientes na troca - o dito cujo mexilhão - tem para vender uma mercadoria que se apresenta sob a forma de "capacidade para trabalhar x horas", que o seu comprador consome, e este lhe fornece em troca x-y horas (sob a forma de dinheirinho), com as quais o dito cujo compra os morfes e o resto para se manter vivo e voltar a produzir a sua mercadoria (onde estão materializadas as tais x-y horas), porque carga de água y (o lucro, a mais-valia ou o nome que lhe queiramos dar) foi gerado na produção e não na troca (desigual) entre o dito cujo mexilhão e o comprador da sua mercadoria? Se a mercadoria do dito cujo mexilhão é vendida ao tempo, a única forma do seu comprador se assegurar que lhe dá menos do que recebeu é pagá-la também em tempo, neste caso, pagá-la com menos tempo, para se apropriar de algum tempo. Se a produção é tempo e na troca se troca tempo por menos tempo, originando tempo sobrante, onde se cria o lucro? Na produção ou na troca? Se designarmos o tempo consumido na produção por valor, verifica-se que o valor é originado na produção (pois é aí que o tempo é consumido); mas o valor sobrante, o que não foi retribuído, é originado na troca: o mexilhão fornece x, o papa mexilhões fornece-lhe em troca x-y! Se o Marx se tivesse ficado por aqui, já não era pouco. Infelizmente, em tempos de idealismo ele tinha profetizado que o mexilhão se tornaria o proprietário único do produto, para devolver a humanidade ao homem, e uma das justificações que arranjou foi transformar esta troca desigual, da ordem dos factos, numa iniquidade, da ordem da moral, a tão chorada exploração. Ainda se tivesse dito que a ganância dos compradores de tempo os levaria a comprar cada vez menos tempo, perdendo, assim, a mercadoria do mexilhão utilidade e necessidade, e este, sob pena de morrer de fome, à míngua de compradores da sua mercadoria, da alienação da qual depende para se manter vivo, se revoltasse para restituir utilidade e necessidade à sua mercadoria, ainda vá que não vá. Em vez de se contentar em apresentar o mexilhão como alvo do conto do vigário, não, teve que o transformar em coitadinho, alvo do salteador de estrada, para que todos dele se condoessem. Não havia necessidade, meu filho... não havia necessidade. O mexilhão foi deste modo transformado em messias redentor, porque além do mais era o criador de tudo, ainda que tudo se fosse fazendo com recurso a cada vez menos tempo. O profeta Marx sonhou que o tempo da "capacidade para trabalhar" do mexilhão iria deixar de ser o padrão do que se chamava valor. Sonhou e disse-o. O sonho foi que o mexilhão iria deixar de ter necessidade de vender ou comprar. Adiantou-se no tempo, transportou-se para o tempo trans-histórico. Não sonhou que no tempo histórico, aquele que interessa ao mortal mexilhão, este pudesse passar a vender a mesma mercadoria (a única de que dispõe) sob outra forma ou sem ser por tempo, e deste modo, a estoria continuasse uma estória interminável (ainda que com outros personagens). Os marxistas, coitados, ao invés de corrigirem os equívocos do Marx, retirando da estória a moral, que não é para ela chamada (porque moral por moral, o conto do vigário de que o mexilhão é alvo é muito menos imoral do que a coerção das grilhetas ou da servidão a que foi sujeito em tempos idos), deixando somente os factos, já de si elucidativos, não senhor, agarram-se aos equívocos como lapa à rocha, e daí não desgrudam. É daí que provém o negacionismo de que o lucro, a mais-valia ou o tempo de trabalho apropriado não provém da troca - isto é, da circulação - mas da produção. É que no mundo da troca de mercadorias não há apenas um tipo de intervenientes - os compradores de tempo do mexilhão - entre os quais as mercadorias se trocam em torno do seu valor; há também o mexilhão, com o qual a troca não é equitativa. Por isso, nesta estória, quem se lixa é o mexilhão! Por não saber deslindar a estória, não era necessário vir com essa do ovo e da galinha, meu filho. É que quem os fez foi o galo! [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Tá de chuva | Beneditos | 11/05/06 19:05:19 |
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