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Date Posted: 20:23:39 07/26/03 Sat
Author: Maria Raquel Bambirra
Subject: Re: Tarefa 12: OF em lugar de ON: faz sentido e diferençca?
In reply to: Pedro 's message, "Re: Tarefa 12: OF em lugar de ON: faz sentido e diferençca?" on 06:06:15 07/24/03 Thu

Ei, Pedro! Deixa eu falar um pouco com você hoje.

Primeiro Ponto --
Lakoff e Turner:
"...all concepts are reflections OF objective
reality, and hence cannot be metaphorical.(...)"

Você:
"concepts are reflections ON reality"

Eu:
Como você já sabe, não entendo nada de filosofia. Mas dei uma lida boa hoje em Aristóteles, mas acho que não consegui subsídios suficientes para sustentar um ponto de vista. Eu estava tentando achar uma explicação para o fato de nossas sociedades ocidentais terem subjacente ao seu discurso, a crença de que o mundo é o que é, o que pode ser visto e/ou tocado, provado cientificamente. Queria tentar achar algo filosófico sobre a metáfora ou a forma que as pessoas se utilizam para expressar experiências bem pessoais e abstratas... Interessante que essa questão é abordada por Aristóteles, por Platão (nO Banquete), e também eu achei em Fernando Pessoa um texto em prosa em que ele fala que não acreditava em Deus nenhum porque foi assim que lhe ensinaram. Ele reclama que era-lhe cobrado que fosse racional, porque quem não fosse racional era louco! Ele escreve isso perto da morte (ou pelo menos acreditando nisso), e diz que tudo seria melhor se ele conseguisse acreditar em Deus, mas que até isso lhe havia sido negado. Ficou pra mim que o século XX criou e fez cristalizar essa coisa do racional, do objetivo, do cientificismo, da parte em detrimento do todo, da clareza, da necessidade da especialização principalmente no que se refere ao saber. Emoção é coisa de mulher e de louco. Daí a metáfora ser excluída da linguagem "politicamente correta", e nos dias de hoje, embora a roupagem das idéias seja outra, existe sim um forte ranso desse objetivismo, desse materialismo, desse particularismo, desse racionalismo... Conclusão: não sei o que querem Lakoff e Turner definir com visão filosófica comum. Comum só ao mundo ocidental? Sei lá.

Então comento sua questão com as preposições! Você tem mais inglês do que diz, porque percebe muito bem que a presença de uma preposição ou de outra, nesse caso específico, provoca uma mudança bastante sutil de sentido. Mas percebe inconscientemente, porque não entende a idéia que os autores estão tentando veicular. Passa a querer mudar a preposição para melhorar o texto. E, consequentemente, fazendo com que ele fique de acordo com o que você entende como ideal ali. Por isso você entende que a preposição correta seria ON. Acontece que Lakoff e Turner também acham que a preposição correta é ON, segundo a hipótese da metáfora convencional, que é a que eles acreditam! Mas nessa frase, eles não queriam dizer que os conceitos seriam reflexões SOBRE a realidade objetiva. Aqui sim ON = ABOUT = a respeito de. Lakoff e Turner estavam explicando o EQUÍVOCO da teoria do sentido literal, que diz que o sentido não vem do homem mas está no mundo objetivo já pronto, e é automaticamente nomeado pela língua. O sentido é dado pela linguagem. Por isso a preposição OF, para tirar do homem a reflexão enquanto atividade cognitiva: "... all concepts are reflections of objetive reality,...". A intenção é dizer que todos os conceitos são um espelhamento (reflexo nesse sentido) da realidade objetiva. Por isso OF!
Percebe aonde foi que você se confundiu? Reflections on é pensar e reflections of são imagens refletidas.

E digo mais: no início dessa frase eles colocaram: "This is in accord with ...", e essa expressão "in accord with" é péssima para o tipo de texto, para o conteúdo que ela vai introduzir, está já há muito tempo totalmente em desuso tanto no inglês culto americano quanto no britânico. A gente entende porque trata-se de expressão de origem latina, mas que deixou o texto mal escrito nesse trecho aí, deixou. E isso tudo que eu falei sequer tocou no ponto da crítica filosófica que você fez, o que me faz pensar que Lakoff e Turner, se pudessem, iam querer mudar a estruturação dessa frase, depois de ter acesso às nossas discussões...

Segundo Ponto --
Também acho que foi uma pena a árvore da metáfora como fonte de conhecimento não ter vingado! Fato é que estávamos ainda todos muito "verdes" naquela altura dos acontecimentos... mas hoje já acho que teríamos muito o que trocar nesse sentido, pois já compreendemos bem melhor como a metáfora desloca o eixo da significação e cria língua...

Terceiro Ponto --
Quando você faz alusão à parábola do semeador, fico meio ressabiada, pensando que o que você chama de "elementos inculturados", nem sempre serão "metáforas mortas". Provavelmente, quase todos eles serão metáforas convencionais comuns, do mesmo campo semântico da metáfora morta VALORES SÃO SEMENTES. Nesta parábola, eles derivam de uma metáfora morta única.

Pedro, desculpe-me se falo demais! Sou mesmo prolixa, e estou descobrindo isso neste curso de mestrado. Meio tarde, mas ainda a tempo de consertar, espero. Olha, não precisa achar que sou chata porque não sou não. Essa necessidade de repetir o texto do outro, de organizar o meu minuciosamente, é fruto de certa dose de neurose (que todos temos mesmo), aliada ao fato de que nada melhor pra me ajudar a pensar do que começar a escrever! Estratégia pessoal. Enquanto organizo meu texto, organizo meus pensamentos. Então "não se avexe não" que é terapêutica a minha escrita. E isso serve pra todos os colegas, viu gente?!

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