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Entrevista com Jerónimo de Sousa, Público, 16/02/05
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Date Posted: 16/02/05 16:52:35
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Entrevista com Jerónimo de Sousa, Público, 16/02/05
's message, "Aumento da Idade de Reforma Pode Levar a Conflitos Sociais Muito Graves" on 16/02/05 16:37:40
"É Fácil Responsabilizar Apenas a UE pela Nossa Situação"
Entrevista com Jerónimo de Sousa, Público, 16/02/05
O líder do PCP explica o que defende para a economia do país e responsabiliza todos os que viram nos fundos comunitários uma "segunda leva do ouro do Brasil". Ressalva ainda que a CDU critica o actual rumo imposto pela União Europeia (UE) mas reconhece que não há rumo para Portugal fora da UE
Há um condicionalismo cada vez maior à política que é colocado pela economia. Há diagnósticos em relação ao que o país precisa em matéria económica e que provavelmente implicam uma contracção de direitos adquiridos com os quais o PS concorda, como por exemplo no sistema misto da segurança social e na flexibilização das leis laborais. Como é que isso se pode compatibilizar com uma abertura da parte da CDU?
Essa é uma contradição insanável...
E se se colocar um problema de governabilidade do país a partir do próximo dia 20?
Pois, mas o PS não pode querer ter sol na eira e chuva no nabal. Não pode querer recolher os votos para a maioria absoluta e no governo desencadear políticas com traços de neoliberalismo. Nós dizemos que a esquerda vai ganhar as eleições, mas depois não pode haver uma contradição entre uma maioria de deputados da esquerda que pode ou não dar sustentabilidade a um governo com práticas políticas que foram repetidas no passado.
Mas um governo do PS estará limitado em matéria económica, como qualquer outro, pelas imposições que vêm da Europa.
Mesmo aí, podemos discutir. Um fixismo em relação ao défice era mau. O estado das contas públicas é um problema, mas não é o problema. Temos um problema económico em Portugal que passa pela fixação da despesa mas também por saber como aumentamos a riqueza e a receita.
Se somar a isso uma visão muito estatizante do PCP em relação à organização da sociedade e da economia o problema torna-se mais complicado.
Um dos preconceitos que ainda não conseguimos vencer é a visão que há sobre o projecto do PCP e o seu programa de construir uma democracia avançada no limiar do século XXI. Nós defendemos uma economia mista onde conviva um sector público com um sector privado e cooperativo. Consideramos que é crucial para o crescimento da riqueza não olhar só para os grupos económicos, para o capital financeiro, imobiliário e especulativo. Temos uma maioria de pequenas e médias empresas e a nossa grande proposta é defender o que temos no aparelho produtivo, incluindo sectores tradicionais como a agricultura e as pescas.
P. - Onde é que está mal: na Europa ou em nós que não soubémos aproveitar?
R. - É fácil responsabilizar apenas a UE pela nossa situação económica. Devemos assumir as nossas culpas. Os últimos governos tiveram responsabilidade porque na altura dos fundos comunitários, que foram significativos, houve sectores e empresas que entenderam aquilo como a segunda leva do ouro do Brasil. O problema é que o Brasil não veio cá pedir o ouro de volta e a União Europeia cobra. Houve um mau aproveitamento dos fundos e agora vem a cobrança com medidas que não correspondem às especificidades da nossa indústria, agricultura e pescas.
O que nós perguntamos é: agora, com a revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento porque é que não negociamos a questão do investimento público, apesar das malhas apertadas mas tendo em conta as nossas necessidades de crescimento, de modo a não contar para o aumento da despesa. Somos alunos demasiadamente bem comportados.
Para a CDU há um caminho fora da Europa?
R. - Não. Há um equívoco na ideia de que somos pela saída da União Europeia. Estamos claramente contra este rumo mas não somos pela saída Topo de Página
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