| Subject: Aqui está o retrato da sociedade pró-soviética do PCP |
Author:
Visitante farto
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Date Posted: 8/04/05 16:46:49
In reply to:
Augusto Mendes
's message, "E a estória continua - sempre ficção" on 8/04/05 15:11:48
Eh, eh, eh, este Mendes tem veia de escritor. E com este pequeno conto diz-nos tudo o que é preciso saber para nunca querer a sovietização desejada pelo PCP eagora escondida debaixo do manto roto da democracia avançada do limiar do século XXI.
Leiam e meditem.
>República Popular Portuguesa, Lisboa, Praça do
>Comércio, 25 de Abril de 2015.
>João, com o seu único fato de ver a Deus (ou de ver os
>comícios do Partido), passeia entra as centenas de
>pessoas que aproveitam o feriado nacional. Dia da
>Revolução, dia da Libertação. Já o foi mas depois veio
>aquele fatídico 25 de Setembro de 2009.
>João recorda perfeitamente que as eleições para o
>parlamento se tinham desenrolado uma semana antes. Os
>resultados dessas eleições foram uma enorme surpresa.
>O Partido obtivera, contra todas as sondagens, todas
>as previsões 31% de votos e mais de 105 deputados.
>Nenhum dos restantes partidos podia formar governo
>sozinho. O Presidente da República encarava a hipótese
>de nova dissolução da assembleia e convocação de novas
>eleições quando o Partido organizou a maior greve
>geral de sempre. Aproveitando o descontentamento de
>milhões de trabalhadores de todos os sectores e
>apoiado numa organização sindical coesa e militante, o
>Partido paralisou o país durante uma semana.
>O governo em gestão, enfraquecido, ainda tentou
>reagir, mesmo pela força, mas quer as polícias, quer
>as forças armadas recusaram obedecer. O caos
>instalou-se, as ruas tornaram-se ainda mais inseguras,
>a Espanha denunciou os acordos de Shengen e fechou as
>fronteiras com Portugal. O espaço aéreo foi encerrado,
>as manifestações sucederam-se, o parlamento não
>funcionava e foi dissolvido. O Presidente da República
>renunciou. A crise política agravou-se. A NATO enviou
>uma esquadra com o pretexto de exercícios para as
>águas territoriais portuguesas. A União Europeia,
>através do Conselho e da Comissão, fez advertências.
>Receou-se uma intervenção de forças estrangeiras.
>Então o Partido tomou conta do aparelho do Estado. Até
>hoje. A banca, os seguros, as cimenteiras, a celulose,
>as cervejas, a Autoeuropa, a indústria pesada foram
>nacionalizados. Em poucos meses mais de 1 milhão de
>portugueses tinha fugido para o estrangeiro. A fuga de
>capitais, facilitada pela desorganização das
>instituições, era imensa.
>Um ano depois tudo entrava na normalidade. Se é que se
>podia chamar normalidade à nova situação política.
>Denunciados os tratados com a união europeia, Portugal
>voltava a ter uma divisa nacional, o velho escudo da
>1ª República. A nova constituição política foi
>aprovada por plebiscito no qual os votos em branco
>contavam a favor. Portugal era agora uma república
>popular, e programaticamente pugnava por uma sociedade
>sem classes, regida pelos princípios do materialismo
>científico e pelo marxismo-leninismo.
>Os partidos políticos burgueses foram dissolvidos e no
>novo parlamento – denominado Congresso do Povo –
>apenas três forças políticas: o PCP, o PEV e a
>Intervenção Democrática.
>João afasta estas recordações e olha para a construção
>de granito e mármore que substituiu a estátua equestre
>de D. José – o túmulo do camarada Cunhal.
>Ali jaz, perfeitamente embalsamado, no seu esquife de
>aço e vidro, o antigo secretário-geral do Partido. A
>guarda de honra, composta por jovens militares do
>Exército Revolucionário Popular, presente 24 horas por
>dia 365 dias por ano.
>À sua volta brincam crianças e o sol rompe as nuvens
>naquela manhã de Abril.
>
>
>
>
>>Belo esboço de um cenário de pavor. Olha do que nis
>>livrámos. Ao invés de 1 milhão de pobres teríamos 10
>>milhões de desgraçados.
>>
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