| Subject: Há muitas perguntas para responder... |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 4/03/05 16:43:40
In reply to:
Gonçalo Valverde
's message, "Re: Reforma e/ou Revolução" on 4/03/05 14:25:26
1 - as questões de poder e de propriedade são aquelas que mais violência podem engendrar. Daí que a ideia de revolução política estivesse tanto associada à mutação anti-capitalista; mas um factor que altera a equação é o facto de o espaço económico do Estado ter crescido e ser disputável. Uma vez caindo partes suas no controlo de forças populares, o problema passa mais a ser de quem controla o produto excedentário. Mesmo hoje o esforço capitalista privado é sobretudo virado para o controlo da "gestão" por concessão e a propriedade das paredes parece menos importante.
2 - A afirmação de novas relações de produção "reapropriadoras" pode ser difícil de desvendar; como aponta a investigação recente acerca da afirmação do capitalismo. Este surgiu numa altura em que senhores ingleses da terra meio arruinados, para poderem sobreviver, passaram a exigir a renda da terra em dinheiro e, rendeiros igualmente ameaçados, passaram a produzir excedentes compulsivamente para satisfazer o novo contrato. O actual contrato decorrente do new deal dos anos 30 baseia-se na sustentação de aumentos salariais periódicos a troco da riqueza excedentária ser apropriada pelo capitalista. O problema é que há dez anos que esse contrato está sob ameaça e, portanto, a crise encaminha-se para uma confrontação. Haverá ou não capacidade para os trabalhadores quererem mais do que defender o antigo "new deal" ainda por cima sem cuidarem das razões da sua crise - a incapacidade do capitalismo fazer crescer a economia...A ideia é que é chegado o momento de colocar um novo compromisso baseado em relações de produção reapropriadoras....Pode não ser em simultâneo como acto súbito, do tipo decretos do conselho da revolução; pode surgir como reformas parciais em sectores concretos de actividade. Agora, a sua completa afirmação terá sempre de suscitar uma mudança política profunda num dado momento...
3 - a deslocalização só pode resolver alguns problemas ao capitalismo; não resolve os hospitais, a biotecnologia, a indústria farmacêutica e toda a fronteira da teconologia e do conhecimento. Ora são estes os sectores que poderão puxar pela erforma das relações de produção....Aliás, a ameaça de deslocalização pode até ser uma oportunidadepara um novo compromisso. Se dizem que fazem melhor negócio indo para a China, deixem-nos tomar conta do negócio que a gente mostra como podemos aumentar a riqueza e a inovação, desde que os trabalhadores controlem e assumam a responsabilidade do produto gerado
4 - o interesse do capitalista em deixar florescer um novo modo de produção é nenhum; mas pode não estar em condições de o impedir, sobretudo nas indústrias do Estado; porque a reforma procura fazer aumentar o capital nacional, e satisfazer necessidades incontronáveis
5 - quanto ao "estado mínimo" dos liberais, os dados não mostram de modo algum redução da economia pública...Veja-se o desespero dos governos de direita a dizerem que o Estado está sempre a engordar...Além de que é aos trabalhadores que interessa menos estado e mais economia pública....
6 - a correlação de forças parece desfavorável, mas no centro capitalista, quem está cheio de problemas é o capitalismo que há mais de 10 anos só consegue crescer a 1%; isso é caminho para uma nova borrasca
7 - é sempre necessário uma ruptura mas o seu conteúdo pode assumir muitas formas....
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