| Subject: Re: Há muitas perguntas para responder... |
Author:
Gonçalo Valverde
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Date Posted: 10/03/05 14:40:48
In reply to:
paulo fidalgo
's message, "Há muitas perguntas para responder..." on 4/03/05 16:43:40
Concordo quando afirmas que existem um conjunto de questões que são necessárias clarificar. Também concordo quando afirmas que cada vez mais a questão se prende não tanto com a posse fisica dos meios de produção mas sim com o seu controlo (ou como referiste a gestão). Ora se é verdade que o impacto do estado na economia cresceu de facto e que mesmo num pais supostamente apresentado como o pico do neo-liberalismo o mesmo tem um impacto enorme na economia, também não deixa de ser verdade que aqui estamos apenas a transferir a questão do controlo dos meios de produção para uma entidade única. Ou seja, não é por o Estado estar envolvido na questão que se resolve o problema do controlo dos meios de produção, e voltamos à velha questão do controle do Estado.
O problema é que há dez anos que esse contrato está sob ameaça e, portanto, a crise encaminha-se para uma confrontação
Mas aqui penso que importa colocar em questão o que é que levou a que esse contrato esteja sob ameaça. Ou seja, o que é que tornou como sustentável ou tolerável esse contrato e que o tornou intolerável desde então. A minha opinião inclina-se para que para tornar o mesmo aceitável terá contribuido bastante a existência de um bloco supostamente alternativo (não interessa aqui discutir se o mesmo seria ou não socialista, apenas que o mesmo se apresentava como alternativo) que obrigava a que os donos/gestores dos meios de produção aceitassem uma distribuição da mais-valia de uma forma um pouco menos desiquilibrada, e dai a possibilidade de surgir o chamado estado providencia. Ora com o fim desse bloco, já não existe essa pressão, e como tal o sistema de produção capitalista terá seguido o seu rumo "natural". Portanto a questão aqui que me parece ser importante colocar é se a social-democracia (e um modelo meramente reformista) será possivel de se impor num sistema em que esta pressão deixa de existir. Claro que podemos sempre referir que outra das pressões possiveis será o da população, mas no meu ponto de vista aqui estamos a entrar já mais no campo da revolução e não tanto no da reforma.
A ideia é que é chegado o momento de colocar um novo compromisso baseado em relações de produção reapropriadoras....Pode não ser em simultâneo como acto súbito, do tipo decretos do conselho da revolução; pode surgir como reformas parciais em sectores concretos de actividade
Bem, mas parece-me que essas relações de produção reapropriadoras passam forçosamente por uma alteração na propriedade/gestão dos meios de produção. Ora isto é uma questão que é tudo menos pacifica, e não estou a ver que o Estado consiga proceder a este tipo de alterações sem causar reacções extremas de quem vê o controle dos meios de produção fugir-lhe. Além do mais, também não estou a ver o Estado actual a seguir nesse sentido, pois o controle do mesmo é em grande parte feito por quem já controla os meios de produção.
a deslocalização só pode resolver alguns problemas ao capitalismo; não resolve os hospitais, a biotecnologia, a indústria farmacêutica e toda a fronteira da teconologia e do conhecimento
Tirando a questão dos hospitais, todos os restantes exemplos parecem-me ser perfeitamente passiveis de serem deslocalizados, como aliás já estão a ser. Por exemplo, a área das chamadas TI tem vindo a ser deslocalizada em grande força para a India, China e paises similares. Esta tendencia irá acentuar-se à medida que a formação nestes paises for melhorando . Claro que o controle dos mesmos continuam nos paises originais, mas as funções de controle ocupam uma parte muito pequena da população.
Se dizem que fazem melhor negócio indo para a China, deixem-nos tomar conta do negócio que a gente mostra como podemos aumentar a riqueza e a inovação, desde que os trabalhadores controlem e assumam a responsabilidade do produto gerado
Tendo em conta que os salários nesses paises são várias ordens de grandeza inferiores aos nossos, não me parece que essa competição nas mesmas áreas consigam ter resultados positivos.
a correlação de forças parece desfavorável, mas no centro capitalista, quem está cheio de problemas é o capitalismo que há mais de 10 anos só consegue crescer a 1%; isso é caminho para uma nova borrasca
Não digo o contrário, mas a questão aqui é como é que a transição se irá efectuar.. Ou seja, quando acontecer essa nova borrasca como será efectuada a transição, se os que controlam os meios de produção irão aceitar essa transformação sem resistir à mesma.
é sempre necessário uma ruptura mas o seu conteúdo pode assumir muitas formas....
Nunca disse o contrário. Aliás, como já afirmei podemos estar a falar de uma revolução não violenta. Agora o que me parece ser claro é que existindo essa ruptura estamos a falar de um processo revolucionário e não de um processo meramente reformista.
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