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| Subject: Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo - 4 | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 29/06/06 12:28:09 In reply to: JMC 's message, "Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo" on 10/06/06 22:51:08 Voltando ao texto de JMC, diz-nos este autor a certa altura: Ao contrário do que Marx enfatizou, o que constitui um verdadeiro fetiche no capitalismo não é a mercadoria ou o dinheiro: é a mercadoria força de trabalho. É a sua existência que permite a troca desigual da exploração e a alienação do trabalho. Ela, aliás, é uma aberração no mundo das mercadorias capitalistas: o seu custo de produção (e, logo, o seu valor) não é passível de determinação, sendo, por isso, retribuído como se comportasse apenas matérias-primas; o seu tempo de uso, no entanto, constitui a unidade de medida do valor das restantes mercadorias, e a sua contabilização permite operacionalizar eficazmente a troca desigual entre os produtores das mercadorias capitalistas e os produtores da força de trabalho. Creio que haverá aqui uma contradição lógica, se calhar pelo caracter "não revisto" (digamos que "alinhavado", se me é permitida esta expressão) como é assumido pelo próprio autor. Sendo que "alinhavadas" são também estas notas e reflexões! A este respeito oferecem-se-me os seguintes comentários: 1. Sempre pensei que - de acordo com Marx - o fetiche "mercadoria" era aplicável a todas as espécies, tipos ou categorias de "mercadoria". Logo, e logicamente, também à mercadoria "força-de-trabalho". Assim sendo não vejo a lógica ou coerência de se dizer "ao contrário do que Marx enfatizou"... "verdadeiro fetiche não é a mercadoria" (em geral?...) mas sim a mercadoria (particular ou específica) força-de-trabalho. Mas se calhar estou errado. E Marx terá feito uma distinção entre os diversos tipos de mercadoria no sentido de enfatizar quais eram fetiche e quais não eram. 2. Por outro lado, ao contrário do que indica JMC, penso que no "mundo das mercadorias capitalistas" continua a ser normal e rotineiro o cálculo do custo de produção da mercadoria "força-de-trabalho", assim como a "transformação desse ‘custo-de-produção’ em preço ou ‘valor-de-troca’". Por exemplo, nas condições concretas dos EUA, um neuro-cirurgião custa muito mais a produzir do que um operário de uma linha de montagem de calçado a sul do Rio Grande (vide caso das famigeradas "maquiladoras"...). Por outro lado, a banalização de algum tipo de ensino técnico-profissional leva à "produção" excedentária de determinados profissionais pelo que o valor mercantil da sua força-de-trabalho se vê concomitantemente reduzido. E isto acontece por duas causas: Por um lado o seu custo de produção reduziu-se (banalizou-se...) e por outro lado a sua produção em excesso deu origem a um execesso da oferta dessa força-de-trabalho, pelo que há descida do seu preço. Penso também que - ao contrário do que parece sugerir JMC – não é só o "tempo de uso" da mercadoria "força-de-trabalho" que determina o valor das restantes mercadorias. É também o seu próprio "custo-de-produção", como já atrás indiquei. Finalmente e para concluir este comentário, estou de acordo com a generalidade das reflexões de JMC sobre a questão de uma eventual transformação (ou superação, digo eu agora aqui...) do "modo de produção capitalista" (seguindo o critério de JMC, julgo que aqui quereria dizer a "economia política realmente existente"). Mas, para além de algumas reflexões sobre o eventual sentido de evolução da História recente (e nas condições concretas do capitalismo global em princípios do século XXI), confesso que não tenho os meios adequados (nem muita aptidão...) para fazer futurologia. Por mim limito-me a procurar – dentro dos meios ao meu alcance – a "dar um empurrão estruturante, nos locais e momentos que me parecem mais adequados ou em que esse "empurrão" possa ser mais eficiente". Espero poder voltar a este "exercício de futurologia". Entretanto e para concluir - por agora - acho particularmente interessante a formulação que JMC dá de uma das contradições fundamentais inerentes à lógica de funcionamento do modo de produção capitalista: "aumentar a capacidade produtiva e a eficácia interna e, simultaneamente, reduzir a eficácia social, excluindo da produção cada vez maior número de pessoas que não encontram como subsistir". Penso tratar-se de uma abordagem que merece ser explorada até de um ponto de vista da abordagem sistémica ou de "engenharia social". E que poderá tornar mais profícuos os tais "exercícios de futurologia" que acima refiro. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Re: Alguns tópicos acerca da decadência e da superação do capitalismo | JMC | 30/06/06 23:10:28 |
| A questão da alegada "profecia idealista" | Guilherme Statter | 3/07/06 16:57:11 |
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