| Subject: Freire e Foucault - 16 a 21 de dezembro |
Author: Vanderlice Sól
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Date Posted: 11:39:17 12/16/02 Mon
Warschauer & Lepeintre (1997) relatam uma pesquisa sobre ensino mediado pelo computador e discutem como professores e alunos responderam aos conflitos gerados numa lista de discussão via e-mail. Para discutir tais conflitos, os autores se baseiam em duas abordagens: a Freiriana e a Foucaultiana. Estas abordagens se apresentam de forma dicotômica, uma vez que Paulo Freire propões a pedagogia da libertação e Michel Foucault discute as relações de poder mediadas pelo controle social. Para mediar a discussão será apresentado um breve histórico da teoria destes autores.
Segundo Freire (1996: 117-121) é importante que o professor saiba distinguir o conceito de autoridade e autoritarismo, pois a autoridade está diretamente ligada à liberdade, porém, "a liberdade sem limite é tão negada quanto a liberdade asfixiada ou castrada." E a autonomia do aprendiz é construída através de experiências que se constituíram através de tomadas de decisões. Sendo assim, cabe ao professor oferecer experiências estimuladoras, que envolvam respeito, responsabilidade e liberdade.
Autores como Kumaravadivelu (2001) e Freire (2001) enfatizam a importância dos fatores sócio- políticos-culturais e ideológicos, mostram a necessidade da construção de uma pedagogia significativa e holística, que transcenda os métodos. Kumaravadivelu (2001) enfatiza a necessidade de se pensar em uma pedagogia pós método, cujos parâmetros estabelecidos para tal implementação são: a pedagogia da particularidade (responsável pelas particularidades lingüísticas, socioculturais e políticas); a pedagogia da praticidade (trata das relações da teoria com a prática); e a pedagogia da possibilidade(enfatiza a necessidade de emancipação dos participantes, das desigualdades sociais). Para este autor estes parâmetros são imprescindíveis para a pedagogia pós método , também, são indissociáveis.
Para implementar a pedagogia pós método é necessário definir os papéis dos participantes (aprendiz, professores e formadores de professores). O aprendiz deve tornar-se autônomo de pensamento, capaz de desenvolver competências e habilidades. O professor deve, também, adquirir esta autonomia, confiança, disponibilidade para mudança e voz para passar adiante suas reflexões, através do trabalho colaborativo. E o formador de professores, por sua vez, deve abandonar o modelo de transmissão de conhecimento e adotar uma postura crítico-reflexiva e colaborativa para a construção do auto-conhecimento e mudanças na formação dele e de seus alunos. Cabe, ainda, ao formador articular as vozes e visões (crenças) dos professores em formação, criando condições favoráveis para a aquisição de habilidades e prática reflexiva.
De acordo com os modelos de relações interpessoais na teoria de Foucault (1987:181), o panoptismo é um mecanismo de coibição, repressão que "permite aperfeiçoar o exercício do poder. E isto de várias maneiras: porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo em que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido." Nesta perspectiva os alunos seriam os reprimidos e o professor o poder.
As implicações destas teorias para o ensino mediado pelo computador mostram os tipos de papéis que os participantes desempenham (professor e alunos). Cabe ao professor saber que tipo de caminho e de decisões tomar, fazendo uso da autoridade na mediação das interações, entretanto, sem coibir os alunos (como ocorreu no relato da pesquisa). Acredito que as idéias de Freire são mais apropriadas, no que tange a prática emancipatória de todos os participantes, pois o controle demasiado e intervenções bruscas poderão inibir os alunos e impedi-los de desenvolver a construção autônoma do pensamento.
Um abraço
Vanderlice
Referências Bibliográficas
KUMARAVADIVELU, B. Towards a postmethod pedagogy. TESOL Quarterly, v. 35, n. 5. 2001, p. 537-560.
FREIRE, P. Impossível existir sem sonhos. In: FREIRE, A.M. A. (Org.) Pedagogia dos sonhos possíveis. SP:UNESP.2001.P. 35-54.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987, p.173-199.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 165 p.
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