| Subject: Freire e Foucault - 16 a 21 de dezembro |
Author: Dilso Almeida
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Date Posted: 13:42:25 12/17/02 Tue
O artigo de Warschauer nos leva a refletir a respeito das estruturas de poder nas relações interpessoais entre professor e alunos quando da utilização das diversas formas de comunicação mediada por computador – CMC - na sala de aula. O questionamento de Warschauer visa a caracterizar se a utilização da CMC facilita o empoderamento do aluno ou, ao contrário, é apenas mais um meio de controle, contribuindo, assim, para a manutenção da autoridade historicamente atribuída ao professor.
Para levar a efeito seu questionamento, Warschauer parte de duas concepções antagônicas: a pedagogia da libertação de Paulo Freire e o modelo de controle social de Foucault. Como exemplo concreto, cita uma experiência com aprendizes de várias partes do mundo através de uma lista de discussão.
A proposta de Freire pretende proporcionar a transferência de poder do professor para o aluno através de uma visão crítica dos modelos sociais, como forma de solução de continuidade das desigualdades. O Panóptico de Foucault é a representação de um modelo de controle social em que a própria consciência do indivíduo, da possibilidade de estar sendo controlado, gera as alterações desejadas pelo sistema em seu comportamento.
No caso da lista de discussão exemplificada pelo autor, houve, em determinado momento uma situação de tensão entre dois participantes do grupo, o que levou à intervenção do moderador. Esse exemplo levou à questão de se, como, quando e quanto o professor deve interferir.
Esse enfoque nos remete de volta à questão da autonomia do aluno. Warschauer ressalta que, no modelo de Freire, a libertação do aluno não deve ser confundida com um processo anárquico. É precisamente neste contexto que o professor deve atuar, adequando sua ação moderadora às características do grupo. Neste aspecto, a posição do professor na CMC não difere muito da que ocupa em situações mais tradicionais. No processo de desenvolvimento da autonomia do aprendiz, o professor deve ficar atento para fatores indicadores de rupturas no inter-relacionamento do grupo a fim de definir o momento mais oportuno e o modo mais apropriado de intervenção.
Abraço a todos,
Dilso
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