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Subject: Freire e Foucault (16 a 21 de dezembro)


Author:
Maristela
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Date Posted: 05:37:37 12/21/02 Sat

Semana 6: Freire e Foulcault

Percebe-se no título do texto de Warschauer e Lepeintre (1997) que há, inicialmente numa primeira leitura, um dualismo, através do uso do conectivo “or”, “Freire’s Dream or Foucault’s Nightmare? Teacher-Student Relations on an International Computer Network”. Bem, a literatura da área tenta romper com os dualismos das idéias pré-estabelecidas, enfatizando seus contínuos, as diversas etapas, já que “[a] educação não é. Ela está sendo.” (Freire, citado em Aquino, 2002, p1).

O texto de Warschauer e Lepeintre (op. cit) enfatiza como alunos e professores respondem aos conflitos que surgem nas discussões on line. Os resultados indicam que há muitas variáveis na comunicação mediada por computador, o qual propicia uma comunicação mais difícil. Logo, on line ou na sala de aula (SA), há diversas variáveis que contribuem para que o processo de ensino-pesquisa-aprendizagem seja complexo, sendo esses ambientes áreas ricas para investigações, que podem ser ou on line ou na SA ou contrastivamente on line e SA, estudando as reflexões/dados dos alunos ou professores ou professores e alunos.

Destacaram-se as idéias de Freire e Foucault. Para Freire, a partir da interação professor-aluno com alunos-professores, de uma educação colaborativa, os alunos devem “construir/desenvolver” uma maior responsabilidade e autonomia para gerenciar sua aprendizagem, sendo, portanto, o professor o facilitador desse processo. Foram enfatizadas pesquisas (quantitativas e qualitativas) que sugeriram essa “Pedagogia da Liberdade” como uma proposta bastante positiva à educação mediada por computador ou não. Nessa proposta de aprendizagem on line, o hipertexto é construído pelo aluno, pois há diversas possibilidades de construí-lo e essa construção é desenvolvida pelo aluno, de acordo com suas necessidades, interesses... e, nesse sentido, todos são aprendizes, ou seja, tanto professor como alunos, já que “a aprendizagem é continuada. Hoje aprendemos a vida inteira”. ( Leffa, 2000, p. 14). Essa proposta pode ser chamada de ‘Integrative CALL” (Blin, 2002, p. 12) e essa pode ser baseada na “solução de um problema comunitário, no qual aluno e professores (Freire 1994:61) se engajam em um processo de diálogo e co-investigação” ( Warschauer e Lepeintre, 1997, p. 2), ou seja, co-construção do conhecimento colaborativamente. Assim, para Freire, uma educação democrática não significa que professores devam abdicar de sua autoridade, não significa que os alunos e também os professores possam se comportar sem restrições (Dickinson, 1994, p. 3). Essa significa consciência, responsabilidade para gerenciar/direcionar sua aprendizagem.

Já em Foucault, o aluno é controlado em sua aprendizagem, ou seja, tenta-se monitorar o comportamento do aluno, o professor tem a “força” para controlar o processo de ensino-pesquisa-aprendizagem com autoritarismo. Pode-se chamar esse processo, no computador, de “Behavioristic CALL” (Blin, 2002, p. 12)

Percebe-se que as diversas propostas de ensino-aprendizagem enfatizam os papeis dos alunos e professores. Nessas abordagens, sugere-se que o professor é a autoridade na sala de aula, tem a força para controlar aprendizagem, no “Grammar-translation method (1800), audio-lingual (1950), “Behaviorist CALL” (Blin, op. cit) tendo, portanto, essas uma visão mais externalista de linguagem, mais behaviorista. Já as mais atuais, elas defendem uma abordagem psico-social e construtivista, a comunicativa (que apesar de defender essas idéias pode não se efetivar, segundo esses princípios), destacando, também, as inovações metodológicas como o content based, task based, abordagem participativa, learning strategy training, cooperative learning, múltiplas inteligences, computer-assisted learning (Larsen-Freeman, 2000) ou “Integrative CALL” (Blin, op.cit). Logo, o autoritarismo, o professor como o dono/controlador do conhecimento, é mais destacado nas abordagens mais tradicionais, sendo que as mais recentes defendem essa pedagogia de liberdade, responsabilidade, construção de conhecimento e autonomia, segundo Paulo Freire. No entanto, apesar das diversas propostas defenderem seus princípios, isso não significa que o professor consiga desenvolvê-las em sua prática pedagógica, ou seja, um “bom material’ nas mãos de um professor que não sabe como trabalhá-lo, pode não propiciar uma aprendizagem mais eficaz ou um material mais behaviorista/tradicional nas mãos de um professor criativo pode proporcionar uma aprendizagem mais eficaz.

Segundo Warschauer e Lepeintre (op. cit, p. 1), desenvolver “Internet-based education” pode ser positivo, ou seja, trabalhar com projetos colaborativos entre alunos e professores, a fim de que o contexto para aprendizagem (uso) de línguas seja mais natural e o aluno resolva/trabalhe com alguma questão através da “interação” entre o conhecimento prévio e o novo, colaborativamente, já que no “project work’(Larsen-Freeman,m 2000, p. 149), a linguagem praticada não é pre-determinada, mas deriva da natureza dos projetos que os alunos desenvolvem.

Outra ponto bastante relevante do trabalho mediado por computador é a possibilidade de reflexão sobre a cultura, já que cultura e linguagem estão totalmente relacionadas e essa é a quinta habilidade (Larsen-Freeman, op cit, p.180) do ensino mediado ou não por computador. Percebe-se que a possibilidade de acesso/reflexão sobre a “cultura” no trabalho on line é infinita e o trabalho mediado por computador, sem dúvida, deve ser, cada vez mais, inserido na Educação, de uma maneira geral. É necessário, então, que se desenvolva a

“democratização da cultura... que tem de partir do que somos e do que fazemos como novo. Não do que pensem e queiram alguns para nós.”...., a reflexão do homem sobre si e sobre o mundo em que e com quem está, o faz descobrir ”que o mundo é seu também, que o seu trabalho não é a pena que paga por ser homem, mas um modo de amar – e ajudar o mundo a ser melhor”. (Freire,1977, p.142).

Brasil (1998) destaca não importa a abordagem do processo ensino-aprendizagem, mas que o aluno se envolva e construa sua aprendizagem e autonomia colaborativamente. No entanto, não há como falar de educação sem ligar, também, à aprendizagem mediada por computador nessa época atual e talvez um behavioristic CALL pode, também, propiciar bastante aprendizagem, sendo, para isso, necessário que haja um facilitador criativo, libertador mais autônomo que propicie ao aluno dependente a co-construção desse conhecimento e autonomia. Nesse sentido, o professor, antes dono e controlador do conhecimento, do poder (Facault’s Nightmare), deve, numa proposta mais recente, “caminhar” para que ele seja mais facilitador de aprendizagem/autonomia co-construída (Freire’s Dream)

Acredito que o professor deve estar nessa etapa de desenvolvimento/reflexão sobre essa consciência, responsabilidade, construção de conhecimento e autonomia, para que ele possa tentar trabalhar com os alunos essa proposta. Além disso, faz-se necessário ele acreditar ( e também agir/refletir) que essa proposta de liberdade e autonomia seja possível em qualquer ambiente educacional, ou seja, no computador ou SA.

Referências bibliográficas

AQUINO, Tacilda. Educação além das inovaçòes tenológicas. 2002. 2 p. < http://opopular.globo.com/suplemento/03out/info16out2002/16.asp >

BLIN, Françoise. Call and learner autonomy. OILTE colloquium, 13 September 2002. 21 slides. < http://www.oilte.ie/colloquium/presents/Blin/francoise_files/frame.htm >

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundaemntal: língua estrangeira/ Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

DICKINSON, L. Autonomy in language learning. UFRS: Ed Universidade, 1994.

FREIRE Paulo. Educação como prática da liberdade. 7ªed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977.

LARSEN-FREEMAN, D. Techniques and principles in language teaching. Oxford: Oxford University Press, 2000.

LEFFA, Vilson. J. Quando menos é mais: A autonomia na aprendizagem de línguas. Trabalho apresentado no II Forum Internacional de Ensino de Línguas Estrangeiras (II FILE). Pelotas: UCPel, agosto de 2002. 18 p. < http:// wwwl.leffa.pro.br/autonomia.htm >

TACILDA, Aquino. Educação além das inovações tecnológicas. 2002, 2p.


Warschauer, M & Lepeintre, S. Freire’s dream or Foucault’s nightmare: Teacher-student relations on na international computer network. In: DEBSKI, R. GASSIN, J., SMITH, M. Language learning through social computing. Parkville, Australia: Applied Lingüístics Association of Australia, 1997. p. 67-89 < http://www.gse.uci.edu/markw/freire.html >

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