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Subject: Re: Freire e Foucault - Um casamento feliz?


Author:
Roseane Gonçalves
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Date Posted: 18:15:45 12/23/02 Mon
In reply to: Cibele Braga 's message, "Freire e Foucault - Um casamento feliz?" on 06:23:17 12/19/02 Thu

>Vera e colegas,
>
>Talvez a questão da liberdade e do controle seja um
>pouco obscura para o povo brasileira, especialmente no
>que se refere à educação. De uma forma geral, não se
>ensina autonomia aos jovens em casa. O jovem, no
>Brasil, não se muda da casa dos pais aos 17 anos, como
>no exterior, para ir trabalhar fora, assumindo a
>responsabilidade, o controle de sua própria vida.
>Aceita-se o controle de uma forma passiva,
>característica de nosso povo. Freire afirma que: "The
>Brazilian tradition, however, has not been to exchange
>ideas, but to dictate them; not to debate or discuss
>themes, but to give lectures; not to work with the
>student, but to work on him, imposing an order to
>which he has to accomodate. By giving the student
>formulas to receive and store, we have not offered him
>the means for authentic thought; assimilation results
>from search, from the effort to re-create and
>re-invent." O educador brasileiro ainda detém o total
>controle do ensino/aprendizagem. Tem-se escrito muito
>sobre autonomia, mas muito poucos tentam efetivamente
>colocá-la em prática. Talvez a abordagem de Foucault,
>em que há uma vigilância constante, seja mais coerente
>com a nossa vivência. A vigilância/controle leva o
>aluno a evitar o erro, o arriscar-se, por medo da
>punição ou do olhar crítico do detentor de
>conhecimento, que é também o detentor do poder. Mas o
>controle passa a ser um controle interno. Em um meio
>virtual, por exemplo, em que o professor passa a ser
>um facilitador, o processo de aprendizagem provoca nos
>alunos a compreensão de que ele não é a única
>autoridade ou repositório de conhecimento e que as
>respostas para problemas reais não são tão simples
>quanto parecem. Há um estímulo, portanto, da
>compreensão e da conscientização do aprendiz; ao mesmo
>tempo que pode levar um professor mais ambicioso a se
>sentir irrelevante no processo de aprendizagem.
>Portanto, acredito que o ideal seria se Freire e
>Foucault andassem de mãos dadas, de uma certa forma. O
>controle de Foucault corresponderia à vigilância do
>professor, que estaria sempre de olhos abertos, não
>visando punir, mas promover um maior desenvolvimento
>da autonomia do aprendiz, de sua consciência crítica,
>levando-o a buscar e a se esforçar para recriar e
>reinventar. A vigilância interna, o comprometimento
>com o saber, levariam o aluno a se desenvolver,
>buscando e pesquisando continuamente, tornando-se
>criticamente consciente, capaz, atuante, e
>transformador de nossa realidade. O casamento de
>Freire e Foucault talvez pudesse ter um final feliz...
>
>Um abraço,
>
>Cibele
>
>
>
>Referência:
>
>Freire, P., 1985, Education for Critical Consciousness
Colega cibele,
Concordo com voce que o povo brasileiro não está preparado para viver tal educação libertadora. Só uma minoria extremamente pequena mas ainda com medo de expressar. Todos nós seja qual for a classe social estámos muito ligados a Foucalt. "Poder e controle " sempre juntos. Podemos sentir no dia a dia de uma sala de aula onde há sempre um Foucalt a mais além do professor. Nossos próprios alunos estão quase sempre disputando poder, controle, dentro de uma sala de aula. Mas o casamento? . Sinceramente acho que não seria um casal feliz.Pois seriam como aqueles típicos casais brasileiros que vivem da " aparencia ". Onde na intimidade somente Foucalt mandaria . Mas acredito que nós participantes deste grupo juntamente com nossa querida professora sim, poderíamos começar a praticar Freire.Mas que não seja só como educadores, mas como pais, amigos e até mesmo vizinhos. Acredito que ao estarmos estudando sobre Freire e Foucalt é porque estamos conseguindo abrir espaços em nossas mentes para uma conduta renovadora . Ou será que no fundo estamos apenas encenando uma peça teatral onde depois do término do show iremos suspirar aliviados e dizer: "ainda bem que foi apenas uma encenação, vê lá se eu vou deixar meu aluno mandar em mim, discordar o que eu dizer. Afinal que manda e quem sempre mandou fui eu, ora."
Com certeza minha colega Cibele, muitos terão este final.
Acredite, a hipocrisia ainda é sinônimo de aprendizagem neste país.
Mas acredite, eu estou com Freire.
um abraço,
Rose

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