| Subject: dizer o quê? aos Mellos |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 9/07/05 10:30:32
In reply to:
João Luís
's message, "Diga isso aos Mellos, Champallimauds, Espíritos Santos..." on 8/07/05 18:34:51
1 - eu afirmei que a propriedade é uma relação jurídica, superestrutural
2 - procurei chamar à atenção para o facto de que, limitar uma formação económica à análise das relações jurídicas, é substituir a essência pela aparência.
3 - hoje os Mellos já perceberam isso, quando, por exemplo, nos hospitais, a propriedade não lhes intressa especialmente. O que lhes interessa é o que é peculiar e nuclear ao marxismo: o controlo dos excedentes produzidos. Se esse controlo carece da propriedade privada dos meios de produção, eles procurarão obtê-la; se a propriedade não é precisa, então eles alcançam esse controle através de outras relações jurídicas.
4 - para o estudo da URSS, portanto, o que deve constituir o eixo principal de questionamento é precisamento a utilização dos conceitos básicos nucleares do marxismo: é preciso saber quem controla ou controlava a produção de excedentes (de sobre-produto, mais valia).
5 - a definição comunista, abstracta diz-nos que o comunismo é uma formação económica onde os produtores associados controlam os excedentes a sua produção, distribuição e consumo.
6 - a origem das dificuldaes tem de estar precisamente no facto deste objectivo se ter perdido depois de Lenine ter escrito o Estado e a Revolução.
7 - vieram as mistificações que procuraram confundir socialismo ou comunismo pela chamada «propriedade social», de facto uma mistificação para propriedade estatal, controlada politicamente, pelos burocratas e políticas. Reproduzindo a exacta alienação da produção existente em capitalismo. Reiterando ferozmente a opressão assalariada, tal qual o capitalismo
8 - o erro não é ter usado caminhos e atalhos e desvios. Eles eram certamente necessários em muitos aspectos; o problema foi ter transformado soluções intermédias em finalidades absolutas, rompendo de facto com Marx e com Lenine
9 - enquanto os comunistas não rediscutirem os conceitos de socialismo, de comunismo, e voltarem aos conceitos fundamentais para então formularem uma orientação, nada feito.
~10 - o marximo do século XX, no movimento comunista deu toda a prioridade à conquista de poder político e à mudança de propriedade. O cerne da retomada de iniciativa histórica passa por perceber que o que é central ao marxismo, aquilo que é a sua arma mais apontada ao coração do capitalismo é a questão de perceber quem controla os excedentes (a riqueza produzida) e de como uma nova formação económica deverá superar a apropriação particular desses excedentes. O que se deve perceber é que o novo motor de produção só produz vantagem se forem os produtores eles mesmo a controlarem esses excedentes. Isso nada tem que ver com o Estado, com capitalismo de Estado e outras mistificações de socialismo. Aliás, e na minha perspectiva e na dos clássicos, esse controlo laboral dos excedentes pressupõe mesmo o fim ou a extinsão do Estado
Espero que fique assim mais claro porque eu sou frontalmente contra as posições do XIII congresso. Cujas formulações aliás se ficaram por aí, sem qualquer aprofundamento posterior. Como se fossem o fim da história da interpretação dos acontecimentos na URSS
Limitar a análise histórica aos desvios erros e outras maleitas da personalidade é uma manifestação de idealismo - porque coloca as ideias, os factores sujjectivos, como motor da história - totalmente estranha ao marxismo. É esse o problema do XXIII congresso e das posições da direcção da Soeiro
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