| Subject: Re: Freire e Foucault - 16 a 21 de dezembro |
Author: Lívia Fortes
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Date Posted: 11:36:33 12/18/02 Wed
In reply to:
Silvana
's message, "Freire e Foucault - 16 a 21 de dezembro" on 18:43:36 12/17/02 Tue
>Colegas,
O artigo escrito por Warschauer & Leipentre (1997) trata da questão das relações provenientes da interação em ambientes virtuais como duas possíveis vertentes: a pedagogia de libertação de Freire e os meios de controle social de Foucault. Dessa forma, as interações em meio virtual podem servir como emancipatórias ou coercíveis, e no caso do projeto descrito pelos autores, a segunda opção se mostrou dominante. O artigo foi bastante interessante para mim pois, até agora pouco posso afirmar a respeito de ensino e aprendizagem mediados por computadores uma vez que essa é minha primeira oportunidade. Dessa forma alguns pontos levantados no texto vieram ao encontro de algumas percepções minhas, tanto daquelas positivas quanto das negativas.
Um dos pontos relevantes do texto para o meu aprendizado acerca de CALL é a questão do empoderamento do aluno já que o mesmo se sente tão responsável por seu aprendizado quanto o próprio professor, uma vez que através do diálogo aberto e crítico ambos colaboram com a construção do conhecimento. Freire (1970) busca fazer com que oprimidos saiam de seus lugares e que opressores colaborem para tal, para que juntos re-criem criticamente seu mundo. Portanto, professores que decidem abdicar de seu poder e sua autoridade devem estar preparados para o diálogo, sendo este por meio presencial ou virtual. No caso do meio virtual, o autor faz uso da metáfora de Foucault para sugerir que mesmo estando invisíveis, professores (e também alunos) podem estar coagindo seus alunos de diversas maneiras e conseqüentemente, fechando as portas para o diálogo. Ao analisar os aspectos positivos e negativos das relações entre professor-aluno mediadas por computador, ainda prefiro ver esse processo como potencialmente positivo, especialmente porque para mim ele o tem sido. Na verdade, acredito que os pontos negativos levantados pelos autores também podem fazer parte de interações presenciais, e portanto, não podem desmerecer as mediadas por computador.
Concordo com a Silvana quando ela coloca que deve haver sim uma medida para o exercício da autoridade do professor e a participação crítica dos aprendizes. Como Freire (1985:76) citado no texto (p.3) admite, “o educador é diferente do aprendiz mas essa diferença não deve se manifestar de forma antagônica (..) especialmente quando a autoridade do professor, diferentemente da liberdade do aprendiz, é transformada um autoritarismo”. Denise coloca que o trabalho colaborativo certamente é uma medida bastante precisa para que se chegue a concepção de co-construção de conhecimento proposta por Freire (1994:61) também citado no artigo, onde temos professores aprendizes e aprendizes professores, um alimentando o outro.
Quanto ao panopticismo inerente às interações virtuais, acredito que essa questão pode também se dar entre aprendizes e não somente entre professor-aprendiz como vimos na leitura do texto. Talvez por não estarmos expostos às faces dos outros podemos assumir comportamentos parecidos com aqueles descritos no texto como ameaçadores ou inibidores.
Abraços,
Lívia.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de janeiro. Paz e Terra. 1987.
___________. Pedagogia dos Sonhos Possíveis. S.P. Unesp. 2001.
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