| Subject: Re: Freire e Foucault - Um casamento feliz? |
Author: Denise Araújo
| [ Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 13:22:29 12/19/02 Thu
In reply to:
Cibele Braga
's message, "Freire e Foucault - Um casamento feliz?" on 06:23:17 12/19/02 Thu
>Talvez a questão da liberdade e do controle seja um
>pouco obscura para o povo brasileira, especialmente no
>que se refere à educação. De uma forma geral, não se
>ensina autonomia aos jovens em casa. O jovem, no
>Brasil, não se muda da casa dos pais aos 17 anos, como
>no exterior, para ir trabalhar fora, assumindo a
>responsabilidade, o controle de sua própria vida.
>Aceita-se o controle de uma forma passiva,
>característica de nosso povo. Freire afirma que: "The
>Brazilian tradition, however, has not been to exchange
>ideas, but to dictate them; not to debate or discuss
>themes, but to give lectures; not to work with the
>student, but to work on him, imposing an order to
>which he has to accomodate. By giving the student
>formulas to receive and store, we have not offered him
>the means for authentic thought; assimilation results
>from search, from the effort to re-create and
>re-invent." O educador brasileiro ainda detém o total
>controle do ensino/aprendizagem. Tem-se escrito muito
>sobre autonomia, mas muito poucos tentam efetivamente
>colocá-la em prática.
Prezada Cibele
Acredito que na nossa sociedade (refiro-me mais particularmente àqueles inseridos no contexto educacional) ainda existam traços arraigados de uma cultura de ensino/aprendizagem tradicional onde o medo e a passividade mediante a figura do professor ainda se fazem presentes em diferentes contextos (vários estudos comprovam isso). No entanto, acho um tanto pessimista a sua colocação ao afirmar que os jovens, no Brasil, de forma geral, não estão preparados para serem autônomos e aceitam o controle do professor de forma passiva. NO meu ponto de vista, tal generalização é por demais perigosa justamente por já ter trabalhado com alunos adolescentes durante aproximadamente quatro anos da minha vida e por ter aprendido bastante com eles, principalmente no que diz respeito à reflexão sobre a minha prática e reavaliação das minhas ações e discurso utilizados em sala de aula (como aprendi!). Através desta minha experiência, pude desmistificar uma das minhas crenças de que o aluno era destituído de potencialidades e que caberia a ele apenas "receber" as informações "fornecidas" pelo professor. Obviamente, acredito que tudo isso depende de um trabalho a longo prazo em conjunto entre o corpo docente e alunos e também da família do aprendiz no sentido de mostrá-lo o quanto é importante e valiosa a sua existência e as suas contribuições no processo de construção do conhecimento, desmistificando também as suas crenças e o encorajando a arriscar-se e emancipar-se. E, felizmente, eu pude acompanhar esse trabalho de conscientização mais de perto juntamente com os meus colegas de trabalho e aprendizes. Vale a pena investir!
>Portanto, acredito que o ideal seria se Freire e
>Foucault andassem de mãos dadas, de uma certa forma. O
>controle de Foucault corresponderia à vigilância do
>professor, que estaria sempre de olhos abertos, não
>visando punir, mas promover um maior desenvolvimento
>da autonomia do aprendiz, de sua consciência crítica,
>levando-o a buscar e a se esforçar para recriar e
>reinventar. A vigilância interna, o comprometimento
>com o saber, levariam o aluno a se desenvolver,
>buscando e pesquisando continuamente, tornando-se
>criticamente consciente, capaz, atuante, e
>transformador de nossa realidade. O casamento de
>Freire e Foucault talvez pudesse ter um final feliz...
Cibele
Neste trecho, achei interessante você se referir à questão do equilíbrio entre a autoridade do professor e a emancipação de nossos aprendizes no que diz repeito às interações on-line, já mencionado por Cláudia. Com relação ao final dessa história (do "casamento"), acredito que ele possa ser viável desde que este controle não iniba o aprendiz (daí a questão do equilíbrio) e que estejamos preparados a assumirmos os conflitos decorrentes das modificações de papéis entre professores e aprendizes no empreendimento de um trabalho de aprendizagem mútua.
Um forte abraço e BOAS FESTAS!!!!!
Denise Araújo.
>
>
>Referência:
>
>Freire, P., 1985, Education for Critical Consciousness
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
] |
|