Author:
Cibele Braga
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Date Posted: 10:48:28 12/23/02 Mon
>>Talvez a questão da liberdade e do controle seja um
>>pouco obscura para o povo brasileira, especialmente no
>>que se refere à educação. De uma forma geral, não se
>>ensina autonomia aos jovens em casa. O jovem, no
>>Brasil, não se muda da casa dos pais aos 17 anos, como
>>no exterior, para ir trabalhar fora, assumindo a
>>responsabilidade, o controle de sua própria vida.
>>Aceita-se o controle de uma forma passiva,
>>característica de nosso povo. Freire afirma que: "The
>>Brazilian tradition, however, has not been to exchange
>>ideas, but to dictate them; not to debate or discuss
>>themes, but to give lectures; not to work with the
>>student, but to work on him, imposing an order to
>>which he has to accomodate. By giving the student
>>formulas to receive and store, we have not offered him
>>the means for authentic thought; assimilation results
>>from search, from the effort to re-create and
>>re-invent." O educador brasileiro ainda detém o total
>>controle do ensino/aprendizagem. Tem-se escrito muito
>>sobre autonomia, mas muito poucos tentam efetivamente
>>colocá-la em prática.
>
>Prezada Cibele
>
>Acredito que na nossa sociedade (refiro-me mais
>particularmente àqueles inseridos no contexto
>educacional) ainda existam traços arraigados de uma
>cultura de ensino/aprendizagem tradicional onde o medo
>e a passividade mediante a figura do professor ainda
>se fazem presentes em diferentes contextos (vários
>estudos comprovam isso). No entanto, acho um tanto
>pessimista a sua colocação ao afirmar que os jovens,
>no Brasil, de forma geral, não estão preparados para
>serem autônomos e aceitam o controle do professor de
>forma passiva. NO meu ponto de vista, tal
>generalização é por demais perigosa justamente por já
>ter trabalhado com alunos adolescentes durante
>aproximadamente quatro anos da minha vida e por ter
>aprendido bastante com eles, principalmente no que diz
>respeito à reflexão sobre a minha prática e
>reavaliação das minhas ações e discurso utilizados em
>sala de aula (como aprendi!). Através desta minha
>experiência, pude desmistificar uma das minhas crenças
>de que o aluno era destituído de potencialidades e que
>caberia a ele apenas "receber" as informações
>"fornecidas" pelo professor. Obviamente, acredito que
>tudo isso depende de um trabalho a longo prazo em
>conjunto entre o corpo docente e alunos e também da
>família do aprendiz no sentido de mostrá-lo o quanto é
>importante e valiosa a sua existência e as suas
>contribuições no processo de construção do
>conhecimento, desmistificando também as suas crenças e
>o encorajando a arriscar-se e emancipar-se. E,
>felizmente, eu pude acompanhar esse trabalho de
>conscientização mais de perto juntamente com os meus
>colegas de trabalho e aprendizes. Vale a pena
>investir!
>
Prezada Cláudia,
Quando você expôs a sua experiência ao ensinar, demonstrou que, de acordo com a sua experiência pessoal, observou uma mudança nos padrões existentes de autonomia. Uma mudança em um micro-cosmo. Parabéns! Confio plenamente no ser humano e na capacidade de se superar em qualquer momento de sua existência, desde que use de displicina interna, vigilância na manutenção da curiosidade do saber. É a essa busca interna incessante que comparei e inseri o modelo de Foucault. Cláudia Neffa não mencionou esse elemento de auto-comprometimento, de controle sutil, que é levado a efeito pelo próprio aluno, a partir da motivação que é desencadeada a partir de um facilitador/mediador astuto e hábil. Com relação à autonomia, o Brasil é imenso. Muito ainda há que ser trabalhado no sentido de nos tornarmos alunos e professores autônomos. Basta viajar um pouco e verificar pessoalmente como se dá a aprendizagem fora dos limites de nossa cidade, ou mesmo na periferia. Como Vera Menezes mencionou, Paulo Freire é muito mais citado e conhecido no exterior do que aqui, no Brasil, seu lar. Minha visão não é pessimista. Minha visão é realista. Mas sou uma otimista por natureza. Creio que se cada um de nós que estivermos participando deste fórum se conscientizar e colocar em prática nossos conhecimentos, certamente poderemos ajudar nosso mundo a ser um mundo melhor.
Um abraço e feliz natal!!!
Cibele
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