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Subject: Re: Freire e Foucault - Um casamento feliz?


Author:
Marlene Aveliz
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Date Posted: 02:15:55 12/22/02 Sun
In reply to: Denise Araújo 's message, "Re: Freire e Foucault - Um casamento feliz?" on 13:22:29 12/19/02 Thu

Denise,

Discordo de você quando diz que a colocação da Cibele é pessimista, Acho que ela fala da realidade enfrentada por nós hoje. Na verdade não entendi desta forma, que os alunos não estão preparados para serem autônomos.

No entanto, concordo com você quando fala que o aluno tem potencialidades e que ainda temos que trabalhar em conjunto com eles e com a família no sentido de mostrar as eles (aprendizes) o quanto é importante e valiosa a sua existência e as suas
contribuições no processo de construção do
conhecimento, desmistificando também as suas crenças e
os encorajando a arriscar-se e emancipar-se.

Um abraço,

Marlene

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Replies:
[> [> Subject: Re: Freire e Foucault - Um casamento feliz?


Author:
Cibele Braga
[ Edit | View ]

Date Posted: 10:48:28 12/23/02 Mon

>>Talvez a questão da liberdade e do controle seja um
>>pouco obscura para o povo brasileira, especialmente no
>>que se refere à educação. De uma forma geral, não se
>>ensina autonomia aos jovens em casa. O jovem, no
>>Brasil, não se muda da casa dos pais aos 17 anos, como
>>no exterior, para ir trabalhar fora, assumindo a
>>responsabilidade, o controle de sua própria vida.
>>Aceita-se o controle de uma forma passiva,
>>característica de nosso povo. Freire afirma que: "The
>>Brazilian tradition, however, has not been to exchange
>>ideas, but to dictate them; not to debate or discuss
>>themes, but to give lectures; not to work with the
>>student, but to work on him, imposing an order to
>>which he has to accomodate. By giving the student
>>formulas to receive and store, we have not offered him
>>the means for authentic thought; assimilation results
>>from search, from the effort to re-create and
>>re-invent." O educador brasileiro ainda detém o total
>>controle do ensino/aprendizagem. Tem-se escrito muito
>>sobre autonomia, mas muito poucos tentam efetivamente
>>colocá-la em prática.
>
>Prezada Cibele
>
>Acredito que na nossa sociedade (refiro-me mais
>particularmente àqueles inseridos no contexto
>educacional) ainda existam traços arraigados de uma
>cultura de ensino/aprendizagem tradicional onde o medo
>e a passividade mediante a figura do professor ainda
>se fazem presentes em diferentes contextos (vários
>estudos comprovam isso). No entanto, acho um tanto
>pessimista a sua colocação ao afirmar que os jovens,
>no Brasil, de forma geral, não estão preparados para
>serem autônomos e aceitam o controle do professor de
>forma passiva. NO meu ponto de vista, tal
>generalização é por demais perigosa justamente por já
>ter trabalhado com alunos adolescentes durante
>aproximadamente quatro anos da minha vida e por ter
>aprendido bastante com eles, principalmente no que diz
>respeito à reflexão sobre a minha prática e
>reavaliação das minhas ações e discurso utilizados em
>sala de aula (como aprendi!). Através desta minha
>experiência, pude desmistificar uma das minhas crenças
>de que o aluno era destituído de potencialidades e que
>caberia a ele apenas "receber" as informações
>"fornecidas" pelo professor. Obviamente, acredito que
>tudo isso depende de um trabalho a longo prazo em
>conjunto entre o corpo docente e alunos e também da
>família do aprendiz no sentido de mostrá-lo o quanto é
>importante e valiosa a sua existência e as suas
>contribuições no processo de construção do
>conhecimento, desmistificando também as suas crenças e
>o encorajando a arriscar-se e emancipar-se. E,
>felizmente, eu pude acompanhar esse trabalho de
>conscientização mais de perto juntamente com os meus
>colegas de trabalho e aprendizes. Vale a pena
>investir!
>
Prezada Cláudia,

Quando você expôs a sua experiência ao ensinar, demonstrou que, de acordo com a sua experiência pessoal, observou uma mudança nos padrões existentes de autonomia. Uma mudança em um micro-cosmo. Parabéns! Confio plenamente no ser humano e na capacidade de se superar em qualquer momento de sua existência, desde que use de displicina interna, vigilância na manutenção da curiosidade do saber. É a essa busca interna incessante que comparei e inseri o modelo de Foucault. Cláudia Neffa não mencionou esse elemento de auto-comprometimento, de controle sutil, que é levado a efeito pelo próprio aluno, a partir da motivação que é desencadeada a partir de um facilitador/mediador astuto e hábil. Com relação à autonomia, o Brasil é imenso. Muito ainda há que ser trabalhado no sentido de nos tornarmos alunos e professores autônomos. Basta viajar um pouco e verificar pessoalmente como se dá a aprendizagem fora dos limites de nossa cidade, ou mesmo na periferia. Como Vera Menezes mencionou, Paulo Freire é muito mais citado e conhecido no exterior do que aqui, no Brasil, seu lar. Minha visão não é pessimista. Minha visão é realista. Mas sou uma otimista por natureza. Creio que se cada um de nós que estivermos participando deste fórum se conscientizar e colocar em prática nossos conhecimentos, certamente poderemos ajudar nosso mundo a ser um mundo melhor.

Um abraço e feliz natal!!!

Cibele


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