Author:
Denise Araújo
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Date Posted: 15:32:31 01/08/03 Wed
Sabemos que com o avanço dos recursos tecnológicos na área de ensino/aprendizagem de línguas está sendo possível criar ambientes de aprendizagem onde ao aprendiz é possibilitado um controle maior sobre o seu desenvolvimento. Sabemos, no entanto, que a utilização de tais recursos demanda mudanças de atitudes de professores e alunos. Segundo Paiva (2001: 114), “o aluno bem sucedido não é mais o que armazena informações, mas aquele que se torna um bom usuário da informação. O bom professor não é mais o que tudo sabe, mas aquele que sabe promover ambientes que promovam a autonomia do aprendiz e que os desafie a aprender com o(s) outros(s) através de oportunidades de interação e colaboração”.
Nesse sentido, Healey (1999) aponta algumas questões que justificam o uso da tecnologia como um instrumento valioso para a aprendizagem autônoma. Para tanto, a autora ressalta que para o desenvolvimento da autonomia, o aprendiz precisa ser capaz de exercer controle sobre o conteúdo e as estruturas relacionadas ao processo de aprendizagem. Assim, o aprendiz deve ter controle sobre: a) o tempo da aprendizagem; b) sobre o ritmo da aprendizagem; c) sobre o caminho a ser percorrido para alcançar os objetivos e; d) ter condições de avaliar o seu próprio progresso.
Sobre a questão relacionada ao controle do tempo e ritmo na aprendizagem que o aprendiz tem ao utilizar determinados softwares, incluindo a Internet, a autora ressalta que caberá ao aprendiz gerenciar o melhor momento, a frequência e a melhor maneira de utilizar tais recursos para a sua aprendizagem tornando-se consciente de que ele é o principal responsável pelo seu desenvolvimento.
Em relação ao controle do caminho a ser percorrido para alcançar os objetivos, a autora ressalta o fato de que os softwares utilizados para o ensino/aprendizagem de línguas permitem a possibilidade de variação de métodos de ensino que privilegiem a construção do conhecimento e que se adeqüem aos estilos e necessidades de cada aprendiz, facilitando, assim, a delimitação dos objetivos e o acesso aos mesmos.
A questão da possibilidade de obtenção de informações para a auto-avaliação através do uso da tecnologia também é apontada por Healey (ibid: 402) como um fator que favorece a criação de uma aprendizagem autônoma. Através de determinados programas o aprendiz poderá avaliar o seu progresso na aquisição da nova língua, como no caso dos softwares Dasher e MacLang, dentre outros citados por Wachman.
Além disso, gostaria de comentar um ponto importante levantado pela autora e que se refere à questão da importância do domínio dos recursos tecnológicos de forma a motivar os aprendizes na aquisição da nova língua e que, ao meu ver, é também uma forma de empoderá-los/emancipá-los (“empowerment”) tornando-os autônomos para o resto da vida, como também apontado por Paiva (2001:107).
Finalmente, o conceito de “software de autoria” citado por Wachman (1999: 422) em seu estudo se relaciona às questões levantadas por Healey justamente por estes softwares possibilitarem ao aprendiz um maior controle sobre o processo e as estruturas mencionadas acima, de forma a colocá-lo como o agente de sua própria aprendizagem. Conforme demonstrado por Wachman, através de dois dos diferentes tipos de estilos autônomos tais como o tipos 3 e 4 (citados em Healey, 1999: 394), a produção de “Web pages” pelos próprios alunos e de projetos multimídia através de um trabalho colaborativo são um excelente incentivo à aprendizagem autônoma pois oferece aos mesmos possibilidades de criação e de conexão com o mundo, além de favorecer o controle de negociação de significados para a aquisição da nova língua. Segundo ele (1999: 420), “multimedia projects can give students control of the creative process, enhance cognitive and language learning skills, and result in finished products that they can take home or send out to the world electronically”.
Um abraço a todos,
Denise Araújo
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