Author:
Marcos Manso
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Date Posted: 11:57:14 01/09/03 Thu
Olá Vera e pessoal,
Acho apropriado a concepção de "learner autonomy" em contraste com dependência no professor, o que é um consenso geral. As atitudes do aprendiz/aluno entendido como "self-direction" também se constitui em uma característica de autonomia; no entanto, este conceito vai muito mais além de simplesmente se livrar da dependçência no professor no processo de aprendizagem. É crucial pensar e definir o grau de dependência ou independência do aluno e o papel do educador como incentivador da atitude de independência no aluno. Por outro lado faz-se necessãrio uma reflexão ainda mais cuidadosa no uso de autonomia na educação infantil Não deve ser desprezada a preocupação de muitos pais de comunidades étnicas nos EUA em relação a independência extremada que resulta em rompimento com o controle ou direção dos pais, como aponta Healey.
Para atender melhor o grau de complexidade em se aplicar autonomia de aprendizagem em diversos níveis ou formas até em grau de plena autonomia basta analiarmos a tabela 24-1 da p. 393 apresentada por Healey. É fácil imaginar um ambiente de aprendizagem dos tipos dos quadros A e B, e até mesmo com certa dificuldade o quadro C, mas como imaginar parâmetros e características no quadro D em que o aluno detém o controle total de todos os aspectos da aprendizagem, em que o termo autônomo se aproxima do termo autodidata? Por um lado, é válido pensar que o professor não pode ser a única fonte de aprendizagem para seus alunos como lembra Healey se referindo ao exemplo das universidades norte-americanas. Seria prepotência supor que ele poderia sozinho prover todos os meios essenciais para a aprendizagem. Realmente, o professor deve guiar o aluno para que ele descubra por si só as informações necessárias e tentar usá-las de acordo. Num contexto de "ESL learning" isso só será plenamente possível a partir do nível intermediário ou avançado. O professor porém, pode ao longo do curso, permitir uma maior e gradativa autonomia aos alunos.
No quadro de Healey (24-1), partindo da situação de aprendizagem A, há algumas considerações a serem feitas: como o aluno controlará seu tempo e seu ritmo de trabalho dentro de um cronograma pré-definido? como acompanhar o aluno nesta fase sem interferir na sua própria administração desses fatores? até que ponto uma sugestão ou dica do professor, ou mesmo uma cobrança de prazo podem desfigurar a autonomia do aluno nesses fatores? no quadro C, como o professor e alunos negociarão todos os aspectos da aprendizagem? quais serão os limites, se é que haverão limites, nessa negociação? até que ponto professor e alunos podem ceder e demandar em função do programa do curso? quais são os parâmetros em que se basearão a aceitação de tópicos ou conteúdo pelos alunos? se a decisão final é do aluno, como quer Healey, como o professor poderá ajudar o aluno na escolha de um outro ou "melhor" "content", uma vez que o professor sente que aquele não seja apropriado ou benéfico? Encontrar respostas adequadas para estas e muitas outras questões referentes a efetivação das propostas do autor se constitui em um grande desafio a meu ver. O modelo "contract-based independent study course" é talvez um ótima forma de transição para se chegar a uma autonomia completa. Mesmo assim, haverá dificuldades, particularmente na forma de avaliação. Não será tarefa fácil determinar critérios de avaliação que se compatibilizem com a proposta de autonomia. Se os critérios forem determinados pelo professor eles se distanciarão dos objetivos que buscam uma autonomia cada vez mais crescente por parte dos alunosç se trabalhados em conjunto, a negociação dependerá do grau de maturidade de ambas as partes.
Marcos Manso
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