| Subject: Re: Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro) |
Author: Marcos Manso
| [ Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 10:38:55 01/10/03 Fri
In reply to:
Vera Menezes
's message, "Autonomia e computador (6 a 12 de janeiro)" on 05:25:23 01/03/03 Fri
Ola Vera e pessoal,
A questão levantada por Healey quanto à auto-motivação em ambiente de tradição de aprendizagem centrada no professor é polêmica realmente, mas antes de tudo contraditória. Se o aluno tem dificuldade em assumir certo controle sobre a sua própria aprendizagem, como motiva-los a tal? E, se a motivação for induzida e carecer de constante instância, como poderá ser chamada de auto-motivação? Como vencer as barreiras em que, de um lado, o professor se conscientize da necessidade de que os alunos atinjam a auto-direção, mas os alunos não estejam (auto)motivados a assumir o controle sobre a aprendizagem? Ou vice-versa, em que os alunos queiram caminhar para uma situação cada vez mais autônoma e se deparam com um professor ainda calcado em um background educacional em que ele seja o centro controlador de todas as ações? Estas são questões que precisamos estimular amplo debate em busca de respostas práticas que promovam a autonomia na aprendizagem.
Healey lembra que a maioria das pessoas não são independentes ou de alta motivação própria no que tange a aprendizagem; eles precisam de constante assistência e estímulo e esse estímulo normalmente parte dos professores e dos instrumentos ou atividades que eles usam. Healey sugere começar a estimular os alunos através de atividades e trabalhos que conduzam a um processo de direcionamento próprio em metas modestas e alcançáveis. O nosso trabalho como educadores é justamente desenvolver estas atividades e buscar as ferramentas que propiciarão este resultado. Para isso, deveremos observar as características próprias de cada aluno e como cada um aprende melhor. Isso envolve um esforço maior por parte do facilitador da aprendizagem – além de preparar as atividades adequadamente, ele ainda deve ser um bom observador para conseguir decifrar as características de aprendizagem de cada aluno.
Quanto aos “content issues”, os livros didáticos modernos de ESL, só para darmos um exemplo, descrevem com mais clareza os objetivos a serem alcançados, bem como o caminho a ser percorrido para se chegar até eles. Devemos estar atentos e prontos para adaptar cada material às necessidades e objetivos próprios dos alunos. Mas é bom abrir um parêntesis aqui e observar que nem sempre aquelas necessidades e objetivos apresentados ou anunciados por certos alunos são exatamente o que eles precisam ou até mesmo aonde querem chegar. Alguns alunos, por exemplo, em função de tentativas frustradas em determinados cursos ou escolas de línguas, demandam um curso que lhes ofereçam somente conversação, sem nenhuma gramática ou exercícios. É preciso fazer a leitura e interpretação correta de suas necessidades porque elas podem estar destorcidas devido ao mau uso de certas ferramentas, à má administração dessas ou à falta de estabelecimento de objetivos claros. Assim, é bem possível que o que os alunos realmente precisam ou buscam seja um curso que saiba usar as mesmas ferramentas (ou talvez outras) de forma eficaz e objetivos bem definidos. Um dos problemas que normalmente ocorre no desenvolvimento de um programa de línguas é o abrandamento do cumprimento de metas ou a sedimentação de desafios que deveriam ser constantes e crescentes. Por falta de motivação, alguns professores por exemplo, tendem a cair na mesmice, ou passam a achar que a fórmula usada é definitiva ou eternamente eficaz.
Em termos de uso das diversas tecnologias disponíveis para a aprendizagem de línguas, o importante lembrar que todas estas novas ferramentas que temos acesso hoje não são a derradeira resposta para as nossas necessidades. Elas se constituem em instrumentos muito úteis que, se bem aplicados dentro de um projeto que visa atingir objetivos significativos, irá atender as necessidades dos alunos dentro de uma variedade de atividades e nunca preso a um método apenas. Mais uma vez, o desafio do professor é estar a par de todas estas tecnologias e fazer uso delas dentro e fora das salas de aula.
Pode ser que haja um certo temor em promover o feedback por parte dos alunos em relação à determinadas atividades ou mesmo o próprio curso ou método em si. Quem já não sentiu aquela pontinha de preocupação ou mesmo medo no tipo de resposta que o aluno daria se indagado sobre o curso, método, forma, atividade, etc.? Vencer este medo é fundamental para a promoção da aprendizagem, especialmente em autonomia.
São boas as sugestões de Healey para que se use programas de computador que sejam de fácil manuseio, de forma a evitar barreiras no desenvolvimento das atividades e como usar recursos on-line de forma a maximizar ou usar melhor o tempo de trabalho nas atividades. No entanto, é importante que o facilitador esteja atento e acompanhe o aluno quando ele estiver desenvolvendo o trabalho porque, apesar de lhe proporcionar a oportunidade de escolher sua própria freqüência e tempo de atividade, ainda assim ele estará sujeito a um prazo de entrega. E esse é sem dúvida um dos pontos mais polêmicos em termos de aprendizagem autônoma. Nossa tarefa poderá ser experimentar várias formas para que se atinjam os objetivos propostos. E a nossa troca de experiências muito nos ajudará a melhorar o processo de aprendizagem.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
] |
|