| Subject: anti-visitante - 3 |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 10/08/05 13:09:40
In reply to:
Visitante
's message, "Onde mora o marxismo? Resposta a PF" on 9/08/05 17:42:21
3 – não digo que seja o visitante quem confunde os planos, mas existe em geral uma confusão entre revolução na esfera política (luta entre proletariado e burguesia) e a revolução em sentido lato, com mudança de modos de produção (entre capitalismo e socialismo). O que de resto faz da revolução em sentido lato um problema antes de tudo económico.
Vamos cingir-nos ao conceito lato de mudança de modos de produção.
O que se diz como modelo de explicação é que o desenvolvimento das forças produtivas, mudanças técnicas, crescimento demográfico podem ser adequadamente aproveitados por relações de produção, relações entre homens, particulares.
Em períodos de crise, sobretudo expressos como incapacidade de continuar a produção nos moldes anteriores ou porque estão ameaçados no seu modo de vida diversos actores envolvidos, surge a tentativa de ensaiar relações de produção alternativas, porventura em melhores condições não só de garantir a produção e a reprodução dos seus actores como até de expandir essa mesma produção.
A mudança pode acontecer num ambiente minoritário, nas margens do modo de produção anterior, pode conviver com mais ou menos boa vizinhança com o velho sistema de relações de produção ou pode em certas alturas competir com ele para a captação de recursos, mão-de-obra ou meios de produção, e esse conflito engendrar uma confrontação na esfera política.
De facto, Marx e muitos seguidores, colocaram muitas vezes a expectativa de mudança na esfera económica, na dependência de uma prévia mudança política, expectativa em tudo diferente da que evocam ou evocaram para o que se passou no feudalismo e na passagem para o capitalismo.
Sem mais delongas direi que essa perspectiva resultava da simplicidade das formações económicas até ao meio do século XX, marcadas pelo capitalismo privado. Resultava igualmente da noção de que o enfrentamento de classe no interior das relações de produção, juridicamente privadas, fora da esfera política, teria de redundar na expropriação obrigatória e incontornável dos expropriadores. E que era desse enfrentamento que haveria de surgir em exclusivo a energia para uma mudança. Expropriação é por definição da esfera política e jurídica e portanto daí a ideia de que se caminharia primeiro para uma revolução política e a partir da resolução jurídica da reapropriação, iniciar-se-ia uma fase mais ou menos longa de revolução económica. Mas é claro que modelos alternativos de relações de produção podem igualmente surgir ao lado do capitalismo e não necessariamente resultarem do estoiro da bolha de confronto interno no âmago das relações de produção capitalistas. Pode até imaginar-se uma combinação de energias. Isso é matéria de estudo e discussão.
O modo ou modos possíveis de transitar, não alteram a questão nuclear de que uma transição parece a todos os títulos necessária e que ela resulta das más respostas que o capitalismo está a dar às necessidades de que crescentemente nos damos conta. Que ameaçam a própria existência dos produtores assalariados, na medida em que os força ao desemprego ou os impede de satisfazer as necessidades que são percebidas como suas, fruto da estagnação e da incapacidade de que o capitalismo dá mostras para resolver.
Marx e o marxismo (uma expressão recusada por Engels e criada pelos sucessores) representa a emergência desta consciência e das condições gerais para que essa transição realmente aconteça, fora de uma quadro meramente utópico e se tenha iniciado o reino real da possibilidade e viabilidade prática dessa transição.
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